pib Consumo das família segue positivo e evita queda maior do PIB

Por: Hamilton Ferrari - Correio Braziliense

Por: Gabriela Tunes

Publicado em: 31/05/2019 07:44 Atualizado em:

Famílias reduzem compras, mas índice se mantém positivo em 0,3% de janeiro a março, segurando o resultado negativo da atividade econômica no período. Foto: Ana Rayssa/CB/D.A Press
Famílias reduzem compras, mas índice se mantém positivo em 0,3% de janeiro a março, segurando o resultado negativo da atividade econômica no período. Foto: Ana Rayssa/CB/D.A Press
Do lado da demanda, o consumo das famílias evitou que o Produto Interno Bruto (PIB) tivesse um desempenho pior do que o registrado nos três primeiros meses de 2019. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de consumo cresceu 0,3% de janeiro a março, em comparação com o quarto trimestre de 2018. O item tem grande influência nas contas nacionais, com impacto de cerca de 74%. O setor de serviços, por sua vez, ajudou pelo lado da oferta, com avanço de 0,2% no mesmo período de comparação.

Apesar de estar com desempenho positivo desde o primeiro trimestre de 2017, os dados mostram desaceleração do consumo das famílias, o que preocupa economistas. Nos últimos dois trimestres de 2018, as altas foram de 0,6% e 0,5%, respectivamente, e caíram mais um pouco nos três primeiros meses deste ano. Claudia Dionísio, gerente de Contas Nacionais do IBGE, demonstrou que é um sinal de alerta. “O consumo das famílias está perdendo força, como reflexo da piora do mercado de trabalho e da renda, pois ainda há muito emprego sendo criado na informalidade. O índice ainda está positivo, mas não está crescendo a passos largos”, alertou.

O instituto mostrou que a taxa de desemprego voltou a subir no primeiro trimestre de 2019, atingindo 13,4 milhões de pessoas. Além disso, os números de pessoas subutilizadas e desalentadas estão no maior nível da história. A professora Virene Matesco, do Master of Business Administration (MBA) da Fundação Getulio Vargas (FGV), entende que qualquer reação positiva no consumo é como um alento para economia, mas que não é possível comemorar os dados.

Para ela, expansão de 0,3% é muito baixa. “O PIB do país não caiu mais graças ao consumo, que deu uma comparação de quase estagnação. As famílias, por mais que tenhamos uma taxa de desemprego altíssima, beirando 13%, têm que consumir. Isso tem um impacto positivo na economia, mas é o mínimo. Não é consumo de bens supérfluos”, ressaltou.

Expectativa
A professora também destacou que a perspectiva é que o consumo das famílias cresça  2% em 2019, mas que o PIB deve atingir expansão menor do que 1%. “A inadimplência está elevada, e esse consumo de bens duráveis requer financiamento e crédito. As famílias ainda estão sem acesso a financiamento e, por isso, o mercado de crédito também não está tão aquecido. Quem está endividado e precisa de empréstimo não tem garantias de pagamento”, avalia a analista da FGV.

A família Serra teve que diminuir o consumo neste ano. “Eu gostava muito de comprar roupas e sapatos, por exemplo, mas agora está tudo muito caro”, criticou a servidora pública Maria Thereza Serra, 53 anos, que é mãe. Além dela, a família é formada por mais dois integrantes, o marido Edmur Carlos Gonçalves de Oliveira Júnior, 59, e o filho Bruno Serra, 19. Segundo eles, os maiores gastos são com supermercado e farmácia.

Em média, a família gasta cerca de R$ 2 mil por mês com alimentação. “Buscamos sempre oferta”, disse Thereza. “Mas compramos mais do que o necessário. Somos três e fazemos compra para cinco pessoas. Temos que mudar. Além disso, evitamos comprar produtos alimentícios que estão muito caros e substituímos por parecidos. Se a marca é similar, consigo trocar”, completou a mãe.

O presidente do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), Roque Pellizzaro Junior, destacou que, pelo fato de o consumo crescer de forma lenta, o nível ainda não retornou para o patamar pré-crise. “O quadro deve permanecer assim por mais este ano: atividade e consumo reagindo mais lentamente do que se esperava. Isso acontece porque aquele otimismo dos primeiros meses do ano não demorou a dar lugar a incertezas”, disse. “A melhora do consumo virá a reboque da melhora do mercado de trabalho, com a redução do desemprego e ganhos de renda. Além do desemprego, a inadimplência, apesar de já não crescer tanto como anteriormente, continua muito elevada, limitando o consumo. Para este ano, há poucas chances de uma queda substancial do desemprego”, completou.


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