desperdício Secretário de Desenvolvimento considera estrutura de Mané Garrincha inútil

Por: Correio Braziliense

Publicado em: 29/05/2019 13:43 Atualizado em:

Foto: Edilson Rodrigues/CB/D.A Press
Foto: Edilson Rodrigues/CB/D.A Press
Um dos maiores desafios para o Brasil voltar a crescer é melhorar a produtividade e investir em infraestrutura. Mas, para isso, é preciso selecionar melhor os projetos, orienta Diogo Mac Cord, Secretário de Desenvolvimento da Secretaria Especial Produtividade, Emprego e Competitividade (Sepec), nesta quarta-feira (29) durante o seminário Produtividade e Crescimento Econômico no Brasil”, organizado pelo governo brasileiro em parceria com o Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF).

Para ele, o Estádio Mané Garrincha, que custou R$ 2 bilhões, é um exemplo de desperdício de dinheiro público, pois gerou uma dívida que não enorme e deu um impulso pequeno na economia de Brasília.

“Esse é um exemplo de infraestrutura inútil. Trouxe um aquecimento momentâneo, mas gerou uma dívida que não consegue ser paga pela receita que é muito baixa”, explicou. “Foi um voo de galinha e se abriu mão de recursos que salvaria a vida de um monte de gente”, lamentou ele ao dar exemplo de uma carteira de investimento “mal escolhida”.

O secretário destacou que o país tem  um ponto de partida miserável de investimento em infraestrutura, pois nos últimos dois anos apenas 1,7% do Produto Interno Bruto (PIB). “O estoque de infraestrutura brasileiro é de US$ 5 mil por habitante. No Japão, esse dado é US$ 42 mil por pessoa e, mesmo com tudo feito, continua investindo 4% do PIB ano ano”, comparou. Para Cord, o país precisa retomar os investimentos para voltar a crescer e ter competitividade. “Esse momento é de inflexão para olharmos para o grau de gravidade. A China tem um estoque maior que o Brasil, de US$ 20 mil por habitante, e investe mais de 12% do PIB ao ano. É evidente que a competitividade derivada da infraestrutura é muito maior”, destacou.

O evento contou com a presença do ministro da Economia, Paulo Guedes, e o secretário especial da Sepec, Carlos da Costa. Ambos destacaram a necessidade de reduzir o tamanho do estado sobre as empresas e a abertura da economia para o país ser mais competitivo.

Da Costa comparou a burocracia ao deus indiano Shiva (da destruição). “Temos o nosso caso temos um lado Shiva para reduzir as barreiras que atrapalham o funcionamento do nosso capitalismo. Nosso capitalismo precisa amadurecer. Vamos reduzir barreiras à concorrência e ampliar o livre mercado”, prometeu ele, citando programas em andamento como Brasil Mais Produtivo, que vai nessa direção.

“Precisamos de mais competição e mais mercado. Temos planos pró mercado em várias áreas e vamos preparar leis para recuperar a competição. Precisamos migrar da atual economia, que é planificada, para sermos realmente um país capitalista”, defendeu Da Costa. Segundo ele, uma das medidas  nessa direção serão parcerias de capacitação com o Sistema S, mas não no modelo do Pronatec, que “não deu certo”. Além disso, haverá uma mudança no Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia). O titular da Sepec adiantou que o órgão passará “por revoluções”. 



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