OBSERVATÓRIO ECONÔMICO 100 dias! Tudo certo?

Por: André Magalhães

Publicado em: 15/04/2019 09:45 Atualizado em:

É prática comum, diria obrigatória, nas empresas o uso de metas e prazos. No ambiente corporativo, a gestão dedica tempo ao estabelecimento das metas e ao acompanhamento dos processos junto às equipes. Regularmente, o progresso é avaliado. Quando as metas são alcançadas, o processo segue e novas metas são estabelecidas. Quando não, busca-se rapidamente identificar o que não está funcionando, corrigir os problemas, superar as dificuldades e garantir que o objetivo final será alcançado. 

Metas não alcançadas podem significar prejuízos financeiros, perda de clientes e até redução de quadro de colaboradores. O sucesso da empresa gira em torno disso. Isso tem se tornado cada vez mais claro para as empresas. 

No setor público algo semelhante já ocorre. Em muitos lugares já se trabalha com planejamento, com metas e com prazos. Em Pernambuco, por exemplo, adotou em gestões recentes um sistema que ficou conhecido pela grande pressão para gerar os resultados e pelo acompanhamento intenso. É possível que vários estados sigam modelos semelhantes e o próprio Governo Federal tenha o seu sistema de gestão. 

A coisa muda de figura, entretanto, quando o lado político ganha peso. Nada mais claro do que a comemoração dos 100 dias do novo governo. Primeiro, é claro que não se deve esperar transformações profundas em tão pouco tempo. A data é simbólica. Por algum motivo, alguém achou que faria sentido ver o que aconteceu num prazo curto. Vários governos fazem isso. A sociedade acaba cobrando. Pode servir para mostrar como o novo governo está “chegando”. Mostrar a disposição e a direção que está sendo tomada. Enfim, uma sinalização para a sociedade. 

O governo poderia usar a lógica corporativa. Definir metas factíveis, acompanhar, identificar o que não está avançando e corrigir. Mas, política tem outra lógica. O governo atual resolveu apenas comemorar. Definiu ele mesmo que todas as 35 metas estabelecidas foram cumpridas, mesmo quando está mais do que claro que quase a metade delas não avançou o suficiente. 

Qual a dificuldade em ser transparente? Mostrar os sucessos e indicar o que está sendo feito para corrigir o que não andou como devia. Fica parecendo aquele gestor que tenta dizer ao diretor que não conseguiu fechar a meta, mas está tudo certo. Em geral, isso não funciona bem, para o gestor. Mas, no governo, a audiência é a sociedade. É mais fácil dizer que está tudo bem e acusar a impressa de ser negativa ou de distorcer fatos quando alguém aponta os problemas. 

Sem falar das metas propostas e não cumpridas, perdemos os 100 dias em áreas importantes como educação com brigas internas entre grupos de direta e extrema direita que disputam a atenção do Presidente. É perfeitamente normal que os governos passem por ajustes e batam cabeça no início. O que não deveria ser normal é ficar tentando negar os problemas. Para um governo que se propõe ser diferente, esse não parece um bom começo.



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