Transtorno Devolução de aeronaves obriga Avianca a cancelar 180 voos nos próximos dias, 17 deles em Recife

Por: Correio Braziliense

Publicado em: 12/04/2019 19:21 Atualizado em: 12/04/2019 20:52

Foto: Raul Arboleda/AFP (Foto: Raul Arboleda/AFP)
Foto: Raul Arboleda/AFP
A Avianca Brasil, por determinação do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), deverá cumprir um cronograma de entrega de aeronaves às empresas de arrendamento de aviões Aircastle e Aviation Capital. Três já foram devolvidas em março. Outras cinco serão em abril, quatro em maio, oito em junho, 16 em julho e oito em agosto, totalizando 41 aeronaves. A Avianca, que está em sérias dificuldades financeiras e em processo de leilão de seus ativos, informou que os clientes não serão prejudicados e que “está tomando todas as medidas necessárias para manter a normalidade de suas operações”. Dentre os 180 voos agendados para esse final de semana e para a segunda-feira (15) que foram cancelados, 17 eram de Recife.

Por meio de nota, a companhia aérea orienta os passageiros que verifiquem o status do voo no site com até 72 horas de antecedência. “Caso seu voo não esteja na lista, fique tranquilo. Nenhuma ação é necessária e seu voo será mantido conforme o programado. Caso seu voo esteja na lista e você tenha comprado as passagens nos canais diretos da Avianca Brasil (site/app, call center ou lojas), entraremos em contato para reembolso ou opções de reacomodação. E caso seu voo esteja na lista e você tenha comprado passagens em agências e sites de viagem, entre em contato diretamente com estas empresas”, explica a Avianca.

Devido à redução da frota e para diminuir o impacto na operação e aos passageiros, a Avianca destacou ainda ter tomado algumas medidas urgentes, como fechamento imediato da venda de diversos voos diários e cancelamentos pontuais, conforme lista disponível no site da companhia, que será atualizada diariamente de acordo com eventuais ajustes.

O presidente do Instituto Brasileiro de Estudo e Defesa das Relações de Consumo (Ibedec), Geraldo Tardin, diz que a empresa não pode deixar o consumidor na mão. “Teria que substituir as passagens compradas por tíquetes em outras companhias, pagando as diferenças. Mas acredito que isso não vai acontecer. Quem quer evitar prejuízo precisa entrar na Justiça e corre o risco de não receber porque a Avianca está em processo de falência”, explica.

Tardin conta que a possibilidade de calote desestimula o consumidor a procurar os direitos nos tribunais e conta que uma saída pode ser antecipar o uso das passagens para datas em que a empresa ainda esteja em funcionamento. “O consumidor que procurar a Justiça corre o risco de não conseguir. Quem tem voos marcados para depois pode tentar aproveitar a passagem o quanto antes. Vai ter que pagar uma multa mas vai viajar. É melhor que perder tudo”.

O especialista assinala que a possibilidade de outras empresas, como Gol e Latam, comprarem a parte “saudável” da Avianca, pode ser a salvação de quem comprou passagens e corre o risco de não embarcar. “Quem comprar pode assumir as dívidas. Até para dar continuidade à empresa. Quando se sucede uma companhia em caso de falência, se assume os ônus e os bônus. Teoricamente, a empresa fica atrelada. Pode ser a solução”, analisa.


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