REINVENÇÕES SUSTENTÁVEIS Qual a sua marca na Terra?

Por: Sérgio Xavier

Publicado em: 22/04/2019 07:48 Atualizado em: 22/04/2019 08:14

Hoje é o dia da Terra. Pra lembrar o quanto este planeta é fundamental às nossas vidas. Sem nós, a Terra pode seguir viva (e até melhor) por bilhões de anos... sem ela, nós não sobreviveríamos um dia sequer, em qualquer lugar do Universo que conhecemos até agora. 

Por coincidência, datas próximas a 22 de abril destacam temas que se entrelaçam profundamente com a nossa sustentabilidade: a Páscoa, que significa renovar vidas e reinventar esperanças; os Direitos Indígenas (19 de abril), que clamam justiça e inspiram modos de vida mais integrados à natureza e o dia mundial da Criatividade, também celebrado hoje, que nos lembra a urgência de pensar criativamente pra mudar o nosso atual modelo degradador de vida. 

Só haverá futuro para a humanidade se houver paz e natureza equilibrada. Não apenas nos desejos das nossas mentes, mas sobretudo nas ações práticas pra mudar a realidade. Portanto, cuidar da nossa consciência e do nosso planeta, imaginando soluções sustentáveis, é forma de renascermos e evoluirmos todos os dias, criando pegadas positivas no caminhar. 

Cada um de nós, mesmo os mais simples e anônimos, vamos deixar marcas individuais neste planeta: concretas ou intangíveis, boas ou ruins, fugazes ou duradouras, conscientes ou não. Nas nossas trajetórias, deixaremos pegadas únicas e originais. E será a soma interativa de todas essas pegadas que desenhará o amanhã imediato e o futuro longínquo da civilização humana. 

O dia da Terra é um dia simbólico pra reforçar essa reflexão (que lançamos em 2016, no Movimento uPlanet: @festivaluplanet – em cocriação com Luciana Nunes). É um dia pra avaliar, como indivíduo e como espécie inteligente, as nossas relações com nós mesmos, com outras pessoas, com o planeta e com o futuro. 

Pra refletir sobre tudo isso e unir ideias inovadoras, o hub de movimentos criativos SinsPire (@sinspire.hub) promove hoje 17h (na Praça do Arsenal) a Roda de Conversa “Revoluções criativas para um futuro mais feliz”, considerando que ‘Sem criatividade, não há sustentabilidade’. Juntamente com a ativista Bruna Albuquerque (@manifestoambiental), o inovador Fernando Holanda (@fernandoholandape), a ecoempreendedora Livia Aguiar (Cofundadora da Feirinha da Torre) estaremos debatendo propostas e atitudes que possam conectar felicidade pessoal, bem-estar coletivo e economia sustentável.  

O crescente aquecimento global, provocado por poluições descontroladas, indica repercussões imprevisíveis para a existência humana e para muitas outras espécies. Manter o clima parecido com o atual, exige reduzir emissões de gases-estufa rapidamente e em larga escala. Um desafio dramático e complexo para todas as nações.

Reverter este cenário exige reduzir o que está em excesso (poluentes) e aumentar o que está em falta (processos ecoeficientes, com energias limpas, menos lixo e reciclagem).  Ou seja, diminuir de forma programada o PIB poluidor (a pegada negativa) e multiplicar com incentivos o PIB sustentável. Reduzir o consumo ruim e aumentar o consumo saudável e inclusivo, tornando o planeta mais adequado para a vida e fazendo a economia avançar de forma circular, com estabilidade e resiliência. 

É possível desaquecer o planeta, acendendo uma nova economia ecológica e colaborativa, integrando conhecimentos, artes inspiradoras, políticas públicas, empreendedorismo inovador e, sobretudo, mudança de atitude! Sim, as grandes transformações começam no ativismo individual. Como tem feito a estudante sueca Greta Thunberg, motivando jovens de todos os cantos do mundo a mudar comportamentos. “Salvem o planeta como a Notre-Dame”, cobrou Greta no Parlamento Europeu, após as chamas atingirem a histórica catedral em Paris. A analogia é didática. A Terra já está parcialmente em chamas. 
  
As marcas que deixamos no ambiente, na sociedade e na vida dos outros, dependem do que cultivamos na mente e no coração. Dependem do que oferecemos, entre o melhor e o pior que temos na alma.

Neste momento, o saldo da sustentabilidade humana está negativo, mas podemos reverter. Ainda há tempo para decidirmos se nossa marca na Terra será de evolução da vida ou de pegadas no rumo da extinção. Hoje é um bom dia para decidir se queremos ser sementes, flores e futuro ou apenas fumaça...

*Sérgio Xavier é jornalista, consultor e desenvolvedor de inovações para a sustentabilidade (InovSi e Circularis - Porto Digital). É ecologista e foi Secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco.


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