apalutamida Novo tratamento retarda aparecimento de metástase em pacientes com câncer de próstata

Por: Bettina Novaes Ferraz

Publicado em: 29/05/2019 20:22 Atualizado em: 29/05/2019 22:17

A próstata é uma glândula localizada na frente do reto, abaixo da bexiga, envolvendo a parte superior da uretra - Foto: Reprodução/Shutterstock
A próstata é uma glândula localizada na frente do reto, abaixo da bexiga, envolvendo a parte superior da uretra - Foto: Reprodução/Shutterstock
O câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens no Brasil, ficando atrás apenas do câncer de pele não melanoma. São, em média, 60 mil casos por ano, de acordo com informações do Instituto Nacional de Câncer (INCA), isso significa que: a cada seis homens, um é acometido pela doença. Ainda segundo dados do INCA, desses casos, 12 mil resultam em mortes.

Uma substância disponível no mercado brasileiro desde março, vem sendo usado por pacientes com câncer de próstata para retardar o aparecimento de metástase - quando o tumor se espalha para outros órgãos do corpo, atingindo principalmente ossos, pelve e costelas. A apalutamida, desenvolvida e comercializada pela Janssen, farmacêutica da Johnson & Johnson, aumenta o tempo de sobrevida nos casos em que houve falha no tratamento de privação de androgênios - método que suprime a produção de hormônios masculinos responsáveis pelo crescimento das células cancerosas.

De acordo com estudo clínico Spartan, que avaliou a segurança e a eficácia da apalutamida, a substância diminui em 72% o risco de progressão para metástase ou morte em casos de câncer de próstata, proporcionando uma média de 40,5 meses de sobrevida livre de metástase. Isto representa um ganho de dois anos quando comparado ao medicamento placebo, que proporciona uma média de 16,2 meses de sobrevida livre de metástase. 

Em fases avançadas, quando o tumor se espalha para outros órgãos, a doença causa grandes impactos na saúde e rotina desses homens. Já em fases iniciais (não-metastáticas), o câncer de próstata não apresenta sintomas. Portanto, mais importante que adiar o aparecimento de metástase nesses pacientes, é manter a mesma qualidade de vida que eles tinham antes de iniciar a terapia com a apalutamida. 

“Este novo medicamento se mostrou capaz de reduzir o risco de metástases nos ossos e morte, o que significa evitar dores, fraturas e compressão de estruturas nervosas, proporcionando ganho relevante na qualidade de vida para o paciente”, comenta o oncologista Fernando Maluf, diretor médico do Centro Oncológico da Beneficência Portuguesa de São Paulo e do Hospital Santa Lúcia, em Brasília. 

Ainda segundo o Spartan, a nova terapia, apesar de apresentar alguns eventos adversos - fadiga, hipertensão e rash cutâneo -, não traz efeitos colaterais que interfiram diretamente no dia-a-dia dos homens em tratamento de câncer de próstata. Dessa forma, eles podem continuar exercendo suas atividades diárias, como trabalho e exercícios físicos. 

“Quando oferecemos aos pacientes um medicamento que é capaz de evitar a piora de seu quadro sem trazer efeitos colaterais muito impactantes, podemos realmente dizer que ele terá a chance não apenas de prolongar sua vida, mas, principalmente, de seguir desfrutando dela com qualidade”, explica a diretora médica da Janssen Brasil, Telma Santos.

Doença social
Estudo realizado pelo Instituto Ipsos, a pedido da Janssen, mostra que apenas um a cada três homens diagnosticados com câncer de próstata procurou o médico antes de apresentar os sintomas. Ainda de acordo com a pesquisa, 51% dos pacientes metastáticos disseram já se encontrar nesse estágio da doença no momento do diagnóstico. 

O levantamento foi feito com 200 homens acima dos 40 anos, diagnosticados com câncer há mais de dois anos, em 13 capitais brasileiras, incluindo Recife. Além da capital pernambucana, foram ouvidos pacientes de Belém, Manaus, Salvador, Fortaleza, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, São Paulo, Porto Alegre, Curitiba, Florianópolis, Brasília e Goiânia. 

De acordo com o oncologista Fernando Maluf, durante aula sobre câncer de próstata promovida pela Janssen, em São Paulo, a desinformação sobre a doença é uma das causas para a baixa procura pelo médico como medida preventiva. Além disso, ele afirma que o tabu em torno do câncer de próstata leva muitos homens a evitarem o exame do toque, o que explica os altos números de pacientes diagnosticados já em estado metastático.

“O diagnóstico precoce é a chave para cura, pois de cada 10 pacientes com doença localizada apenas na próstata (ou seja, câncer não-metastático) de oito a nove serão curados”, explica Fernando Maluf, que também é membro do Comitê Gestor do Hospital Israelita Albert Einstein, além de fundador do Instituto Vencer o Câncer. 



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