minas gerais Afastamento de igreja evangélica pode ter motivado chacina em Paracatu

Por: Correio Braziliense

Publicado em: 22/05/2019 16:23 Atualizado em:

Hospital onde está internado o autor do crime, Rudson Aragão Guimarães. Foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press
Hospital onde está internado o autor do crime, Rudson Aragão Guimarães. Foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press

A cidade de Paracatu, município mineiro a cerca de 240 quilômetros do centro de Brasília, ainda tenta assimilar a tragédia que resultou na morte de quatro pessoas na noite de terça-feira (21), no Bairro Bela Vista. Apesar de ainda não ter interrogado o assassino, a Polícia Civil local suspeita de que Rudson Aragão Guimarães, 39 anos, teria cometido os crimes devido a um atrito com o pastor da Igreja Batista Shalom há dois meses, que resultou no seu afastamento do espaço religioso. A hipótese foi reforçada por fiéis do templo evangélico.

 

"A motivação é o que mais nos intriga no momento, mas durante as investigações conseguiremos evoluir nesse sentido. A princípio, tudo aconteceu devido à sensação de exclusão que Rudson sentia por parte da igreja. Ele foi retirado de um cargo que ocupava na comunidade e excluído de grupo de Whatsapp da igreja. Isso gerou uma indignação grande e chegou ao ápice ontem, quando ele estava bastante alterado e cometeu os crimes", disse a delegada de homicídios da 2a Delegacia Regional de Paracatu, Thays Silva. 

 

Membro da Igreja Batista Shalom, Yuri Jordão, 45 anos, explicou que Rudson ocupava o cargo de intercessor na igreja. Ele auxiliava o pastor, Evandro Rama, a conduzir orações para os fiéis. Há dois meses, no entanto, após alertado de problemas pessoais do assassino, Evandro o retirou da função. Tentou auxiliá-lo, mas Rudson não se mostrou interessado nos conselhos do pastor. Sendo assim, Evandro o expulsou da igreja.

 

"A partir daí, o Rudson passou a denegrir a imagem do pastor nas redes sociais. Fez várias publicações ofendendo o Evandro, o que deixou o pastor muito assustado. Por alguns dias, as atitudes do Rudson cessaram, e nós achamos que tudo estava acabado. Mas aí, ontem ele se rebelou", lamentou Yuri.

 

Rudson matou três pessoas dentro da Igreja Batista Shalom. O pastor Evandro, que era um dos seus alvos, conseguiu escapar. Revoltado com a fuga do pastor, Rudson abriu fogo contra os fiéis e matou o pai de Evandro, Antônio Rama, 67; Rosângela Albernaz, 50; e Marilene Martins de Melo Neves, 52. A tragédia poderia ter sido maior, pois outras 17 pessoas estavam na igreja e o homicida ainda tinha seis munições intactas. Policiais militares que faziam patrulhamento nas redondezas do prédio impediram o pior e alvejaram Rudson.

 

De acordo com o boletim médico mais recente emitido pelo Hospital Municipal de Paracatu, o assassino está internado em uma unidade de terapia intensiva (UTI) após ter sido submetido a cirurgia. No momento, ele encontra-se clinicamente estável e respira sem a ajuda de aparelhos. O hospital não tem previsão de quando Rudson receberá alta.

 

Hipótese de feminicídio

 

Antes da ação sanguinária na Igreja Batista Shalom, Rudson tirou a vida da ex-namorada Heloísa Vieira Andrade, 59, com um golpe de canivete no pescoço dela. A mulher estava na casa da irmã dele. Não está descartada a hipótese de feminicídio. 

 

"Nesta quarta-feira vamos fazer a lavratura do auto de prisão em flagrante dele. O inquérito tem prazo legal de 10 dias para ser concluído. Depois de ser liberado do hospital, ele será encaminhado ao presídio e permanecerá à disposição da Justiça. Aí, vai caber à autoridade judiciária competente decidir qual medida vai adotar", detalhou a delegada Thays Silva. 



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