F-1 Tribunal aprova edital do autódromo no Rio, mas exige aval da Câmara

Por: FolhaPress - FolhaPress

Publicado em: 09/05/2019 13:57 Atualizado em:

Foto: Divulgação
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O Tribunal de Contas do Município do Rio de Janeiro aprovou nesta quinta-feira (9) o edital de licitação para construção e exploração do novo autódromo da cidade. A intenção é que ele seja a nova sede da F-1 no país, atualmente em São Paulo.
 
Os conselheiros, contudo, determinaram que nove correções ao edital fossem feitas. Também exigiram a aprovação de uma lei na Câmara Municipal autorizando a exploração imobiliária do terreno, contrapartida oferecida pela prefeitura ao vencedor da licitação, que terá de arcar com os R$ 697 milhões de investimento previsto no projeto.
 
A exigência de uma lei para concretizar o autódromo será um teste para o prefeito Marcelo Crivella (PRB), que vem enfrentando uma rebelião de vereadores até da base. Ele é alvo inclusive de um processo de impeachment.
O projeto de levar a F-1 para o Rio de Janeiro existe desde o ano passado, quando a prefeitura iniciou os estudos. Ele ganhou novo apoio político nesta quarta-feira (8) com a assinatura pelo presidente Jair Bolsonaro de um termo de cooperação para concretização da iniciativa.
 
Até o momento, porém, não existem garantias de que o Rio sediará o evento, já que a Prefeitura de São Paulo possui contrato para realizar o GP de Interlagos até 2020.
 
A Prefeitura de São Paulo reafirmou a intenção, já manifestada pelo prefeito Bruno Covas e pelo governador João Doria, ambos do PSDB, de renovar o contrato que vence no próximo ano. Atualmente, a privatização de Interlagos está congelada, à espera do início das discussões sobre a Operação Urbana Jurubatuba na Câmara Municipal de São Paulo.
 
Alguns vereadores planejam criar outro empecilho para o projeto. A Câmara Municipal já aprovou em primeira votação a criação da APA (Área de Preservação Ambiental) da Floresta do Camboatá na área prevista para instalação do autódromo.
  
O projeto foi aprovado por 30 a 0 no primeiro turno. Uma audiência pública sobre o tema será realizada na sexta (10), exigência para o reconhecimento da APA pelo Sistema Nacional de Unidade de Conservação.
 
"Importante os cariocas perceberem que não é meia dúzia de árvores que a prefeitura quer cortar para fazer o autódromo. Eles querem destruir uma floresta em pleno processo de regeneração que precisa ser preservada", disse o vereador Renato Cinco (PSOL), autor da proposta.
 
Bolsonaro minimizou a intenção dos vereadores. "Se o Exército não estivesse naquela área, com toda certeza ela já estaria invadida e com toda certeza depredada. O Exército preservou a região e, por ocasião desse projeto, a região será preservada", disse ele.
 
O primeiro GP Brasil de F-1 foi realizado em 1972, em Interlagos. Nos anos 1980, a prova se mudou para o Rio de Janeiro, no autódromo de Jacarepaguá, onde ficou até 1989. No ano seguinte, voltou para Interlagos, circuito em que permanece até hoje.
 
Desde 2013, depois de Bernie Ecclestone, ex-chefão da categoria, ter manifestado má vontade de renovar com o GP Brasil, exigindo mudanças nos boxes e no paddock, o governo federal reservou R$ 160 milhões  para a prefeitura reformar Interlagos.
 
Os valores foram repassados por etapas. De 2014 a 2018, R$ 116,7 milhões foram usados em um edifício de apoio atrás dos boxes, em um centro operacional, na troca do pavimento e em uma atualização do pit lane. Outros R$ 43 milhões foram destinados para reforma e cobertura dos boxes.
 
O autódromo de Deodoro é uma promessa no Rio de Janeiro desde 2012, quando o autódromo de Jacarepaguá foi desmontado definitivamente para a construção do Parque Olímpico da Barra da Tijuca.
O novo autódromo do Rio de Janeiro, com capacidade para 130 mil pessoas, será construído em Deodoro, em uma área de propriedade do Exército que foi cedida. Ela teve de ser descontaminada porque havia artefatos explosivos enterrados no local.
 
A previsão é que a construção do autódromo, que segundo Bolsonaro levará o nome de Ayrton Senna, custe R$ 697,4 milhões. O investimento será a cargo da iniciativa privada, que poderá explorar o espaço comercialmente, além de usar 41% do terreno para empreendimentos imobiliários.


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