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Procon autua 12 postos e Sindicombustíveis diz que preços continuarão altos

Postos do Recife foram autuados por elevarem os preços dos combustíveis sem apresentar justificativa, mas presidente do Sindicombustíveis afirma que aumento deve persistir até o fim da guerra

Por Amanda Medeiros

Procon autua 12 postos de gasolina em Recife

A alta dos preços dos combustíveis em Pernambuco, que chegou a R$ 7 por litro na Região Metropolitana do Recife, levou o Procon Recife a autuar, nesta quarta-feira (11), 12 postos nas Zonas Norte e Sul do Recife por elevarem os preços dos combustíveis sem apresentar justificativa.

Apesar da medida, o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Pernambuco (Sindicombustíveis-PE), Alfredo Pinheiro Ramos, afirmou que a tendência é o aumento persistir até o fim do conflito no Oriente Médio.

Ramos afirmou que o posto de gasolina "é apenas um repassador" e reiterou que o Nordeste é a região mais economicamente impactada pela guerra no Oriente Médio, com apenas 35% do produto da Petrobras e 65% da refinaria da Acelen e importadores.

Segundo ele, apesar da Petrobras não ter anunciado diretamente o aumento, a empresa teria chamado as distribuidoras para uma reunião e diminuído as cotas em 50%, realizando um leilão com o preço do mercado internacional. “Isso é aumento. Amanhã (quinta) vai ter uma repercussão estúpida em relação a tudo isso; as distribuidoras comprando mais caro vão vender mais caro e o posto comprando mais caro, vai vender mais caro. Mas a relação de consumo só estoura no posto de gasolina”.

Quando questionado sobre o preço do etanol (álcool) também ter aumentado, apesar da matéria-prima não ser o petróleo, o presidente do Sindicombustíveis afirmou que o motivo é devido ao comportamento do mercado. “Existe uma paridade de acompanhamento praticada pelas distribuidoras, que vendem aos postos mais caro quando a gasolina aumenta”, explicou.

“Toda vez que tem aumento de combustível, a gente tem um aumento de capital de giro e um acréscimo no cartão de crédito. O que era 1x passa ser um 1,5x, o desconto é maior e o nosso custo operacional continua o mesmo com menos venda. Então, a gente torce para que esse conflito acabe logo e a gente volte à normalidade nos preços de combustíveis”, completou.

Em nota, a Petrobras reiterou o compromisso de mitigar os efeitos do atual cenário de conflito global sobre o Brasil. A empresa, no entanto, ressaltou que a volatilidade do mercado internacional de energia é uma realidade no momento.

“A companhia segue comprometida com uma atuação responsável, equilibrada e transparente para a sociedade brasileira. Por questões concorrenciais, a Petrobras não antecipa decisões sobre manutenção ou reajustes de preços”, explicou no texto.

Já o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) informou ao Diario que irá avaliar os indícios apresentados para verificar se há elementos suficientes que justifiquem a abertura de uma investigação. Por enquanto, o órgão afirmou que não irá comentar o caso.

 


Como denunciar

Devido às denúncias sobre aumentos nos preços dos combustíveis, o Procon Recife seguirá com a operação de fiscalização em postos nesta quinta-feira (12). O objetivo é acompanhar a formação dos preços e verificar possíveis reajustes irregulares repassados aos consumidores.

Consumidores que identificarem possíveis irregularidades podem registrar denúncia junto ao Procon Recife por meio do site oficial: procon.recife.pe.gov.br, pelo e-mail procon@recife.pe.gov.br ou pelo telefone 0800 281 1311.

A sede do Procon Recife está localizada na Rua do Imperador Pedro II, nº 491, bairro de Santo Antônio, no centro da cidade.

O órgão afirma que seguirá monitorando o mercado de combustíveis e adotará as medidas cabíveis sempre que forem identificadas práticas que possam prejudicar a população.