O delegado da Seccional de Santa Cruz do Capibaribe, Sérgio Moura, disse no final da manhã de hoje que a polícia por enquanto não pensa na elaboração de retratos-falados para auxiliar na identificação e prisão dos suspeitos de participação no crime. Ele é responsável pelas investigações sobre a chacina que vitimou cinco pessoas em um assentamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) no município de Brejo da Madre de Deus.
Segundo o delegado, o único sobrevivente, Erionaldo José da Silva, não acrescentou muitas informações durante o depoimento prestado esta madrugada. "Ele foi vítima de uma bala perdida. Não tem muito a acrescentar", disse. Erionaldo foi transferido do Hospital Regional do Agreste, em Caruaru para prestar depoimento sobre o caso. Baleado na clavícula, ele teria voltado a ser atendido no Hospital de Santa Cruz do Capibaribe, de onde já recebeu alta. O local para onde ele foi levado está sendo mantido em sigilo por motivos de segurança.
O delegado contou ainda que foi esta manhã ao local do crime e que de lá seguiu para realizar diligências para então se dirigir para Santa Cruz do Capibaribe. Questionado sobre a possibilidade de motivação agrária, ele disse: "Essa linha de investigação é muito frágil, uma vez que não havia conflito na area e o local era ocupado há nove anos. Não acreditamos em envolvimento com a causa agrária. Várias ouvidas estão marcadas, mas não podemos falar de nenhma delas", acrescentou.
Na chacina foram assassinados: Natalício Gomes da Silva, 36 anos, Juarez Cesário da Silva, 20, um rapaz identificado apenas por Dedé, Olímpio Cosme Gonçalves e João Pereira da Silva, 39 anos, líder do assentamento Chico Mendes. Todos foram mortos a tiros na chacina. O crime aconteceu no início da noite de ontem na fazenda Garrote, no distrito de São Domingos, município de Brejo da Madre de Deus, distante 164 quilômetros do Recife. Os corpos das vítimas estão sendo periciados no Instituto de Medicina Legal (IML) de Caruaru e devem ser liberados para sepultamento esta tarde.
Pela manhã, a irmã de um dos mortos, Maria José Soares da Silva, de 34 anos, disse que o parente, José Angelino Soares da Silva, 43, não é integrante do movimento. Segundo ela, o irmão era pedreiro e havia sido contratado pelo MST para construir casas no local. A dona de casa, que aguardava a liberação do corpo no Instituto de Medicina Legal (IML) de Caruaru, disse ainda que José ficava no assentamento durante toda a semana e só tinha folga nos finais de semana. O sepultamento do pedreiro será realizado no distritito de Lajes, onde a família mora.
Da Redação do DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR