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Cana transgênica pode ser a solução


Unica/Divulgação
RB 867515, RB 863129 e RB 872552. Essas siglas, que mais parecem nomes de robôs de ficção científica, estão distribuídas em quase 90% das plantações de cana-de-açúcar em Pernambuco. São plantas híbridas. Criadas pelo homem a partir de cruzamentos entre diferentes variedades, estas siglas representam vegetais mais tolerantes à falta d’água, ao solo irregular e às pragas comuns que antes devastavam plantações inteiras. Melhor adaptadas às condições naturais, essas plantas de laboratório garantem produtividade até 40% maior do que as mudas plantadas há 50, 60 anos atrás.

Para fazer as modificações nas plantas são necessários anos e anos de pesquisa. “A criação de uma única variedade pode durar até 12 anos de estudos. É como se juntássemos duas plantas e retirássemos o que elas têm de melhor para criar uma terceira variedade que tenha qualidades das duas plantas”, explica o biólogo da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Reginaldo Carvalho.

Com as mudanças climáticas, são cada vez mais recorrentes pesquisas que levam em conta variedades mais tolerantes à falta de água. Num primeiro momento, a cana não está entre as espécies mais ameaçadas pelo aquecimento global. “É uma planta que gosta de clima quente e úmido”, atesta o pesquisador Djalma Eusébio, do Centro Experimental em Cana de Açúcar da UFRPE, em Carpina. Lá, são criadas em laboratório as mudas das variedades que vão ocupar as usinas do Litoral e da Zona da Mata pernambucana nos próximos anos.

Todo este procedimento, chamado de melhoramento genético, garante variedades que sobrevivem por oito, dez anos no ambiente natural. “Depois deste tempo, os agentes patôgenos – como larvas, pragas, doenças – começam a afetar a planta e é necessário a reposição por uma nova variedade”, diz Reginaldo. Praticamente a cada ano é disponibilizada no mercado uma nova variedade de cana-de-açúcar criada pelas universidades e centro de pesquisas que fazem parte da Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroalcooleiro (Ridesa).

A forte produção de cana-de-açúcar no Brasil e o seu alto valor econômico levaram a Ridesa a investir numa cana ainda mais melhorada: a cana transgênica. A liberação do governo para as plantações experimentais, um dos últimos estágios da pesquisa, ainda não foi anunciado. E não há previsão para isso. Mas as pesquisas já estão avançadas na Universidade do Paraná e começaram a ser desenvolvidas na UFRPE. A expectativa é de que, assim que o governo libere a plantação, as mudas estejam prontas para o plantio.

“A principal diferença entre o melhoramento genético e a transgenia é que o primeiro usa plantas da mesma espécie buscando uma maior tolerância por meio de cruzamentos; e com a transgenia, podemos usar um gene que não está presente em nenhuma variedade da cana”, afirma Reginaldo. Em linhas gerais é como tirar um gene da palma e colocar na cana, para que ela fique mais tolerante à seca, por exemplo.

Para Djalma Eusébio, a transgênia não garante necessariamente plantas melhores que as já conseguidas por meio do melhoramento genético. “A planta pode ser mais resistente a uma praga, mas não ser tão produtiva. A pesquisa também é mais complexa e mais demorada”, explica. A experiência com a soja transgênica, no entanto, rende resultados animadores.



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Imagens: Unica/Divulgação

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No site da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) estão disponibilizadas informações, imagens e vídeos sobre o setor sucroalcooleiro no Brasil.



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