De um jeito ou de outro, é preciso se preparar para a adoção. Em Goiânia (Goiás), o Grupo de Apoio e Preparação para a Adoção (Gapa) faz uma espécie de “pré-natal” da adoção. São grupos de pretendentes que se reúnem durante um mês, uma vez por semana, para conviver com a ansiedade da espera. “As reuniões reduzem a sensação de solidão nos candidatos. Além disso, sugerimos uma reflexão sobre o que significa o ato de buscar uma família melhor para uma criança”, esclarece a Coordenadora de projetos do grupo, Vera Cardoso.
O grupo de Goiânia é um dos cerca de 100 grupos de apoio à adoção espalhados pelo país. No Recife, o Gead trabalha com famílias adotantes. “O grupo surgiu em 1997, de forma espontânea, da necessidade dos pais em trocar experiências, de se orientar na criação dos filhos”, informa a presidente Suzana Moeller Schetinni.
Uma das questões mais freqüentes das conversas entre os pais adotantes é a adaptação da criança à nova família. “É um processo diferente para a criança, como uma fase de teste. Inconscientemente, ela também testa o amor dos pais. Talvez ele não tenha noção do que é família”, sugere.
Aprendizado - Suzana explica que há diferenças
entre as adoções de bebês e de crianças maiores.
“As crianças maiores querem ser adotadas e também
adotam os pais. É diferente quando o filho já vem com
uma história, que não vai ser apagada de uma hora para
outra. Os pais têm que dar um tempo para a criança fazer
a transição”, orienta.
“Muitas vezes o desejo de adoção é frustrado. A realidade soa como um estrondo no coração cheio de esperança. Essa ajuda dos grupos é necessária e é desejada para as famílias”, acrescenta o Juiz da 2ª Vara da Infância e da Juventude do Recife, Élio Braz Mendes.
Para Sávio Bittencourt, presidente da Angaad, entidade que reúne os grupos de adoção no Brasil, o papel de cada um desses grupos vai além da troca de experiência entre as famílias adotantes. O objetivo também é fazer com que os pretendentes a pais adotivos ampliem o perfil de possibilidades dessa adoção. “Ás vezes as pessoas chegam querendo reproduzir, através da adoção, o que a biologia negou. E passam a conviver com pessoas que fizeram opções mais ousadas, e menos óbvias, como a adoção de crianças mais velhas. A atitude acaba perpetuando o que há de mais bonito, como valores éticos, moralidade, espiritualidade”, diz Sávio.
Suzana concorda: “Podemos adotar filhos de qualquer idade. Quando a criança vê que é filho, que é amada, ela cresce. Por isso, nunca é tarde para adotar”, resume.