
A disparidade apresentada no texto de abertura deste especial também é encontrada em Pernambuco. Aqui, existem 73 pretendentes (49 casais, 22 mulheres e 2 homens) e 47 crianças (20 meninas e 27 meninos) aptas à adoção - números atualizados em 15 de setembro. As duas listas, porém, não se cruzam.
Uma explicação é que os perfis de sexo, raça e idade são diferentes: os pais têm um sonho (menina branca, de zero a dois anos) e as crianças não se encaixam nele e acabam nos abrigos à espera de uma adoção cada vez mais difícil. Outra explicação para “essa conta que não fecha” é a falta de informação. É nisso que o Poder Judiciário acredita e já existe uma solução a caminho: o Cadastro Nacional de Adoção.
A idéia é simples. Um cadastro único, para todo o país, onde são inseridos os dados dos pretendentes e das crianças, aumentando as chances de cruzamento entre as duas grandes listas nacionais. Nela, já estão cadastrados mais de sete mil candidatos a pais adotivos e 800 crianças. A implantação será na primeira quinzena de novembro.
“Todos os estados brasileiros já foram visitados e as equipes participaram de treinamentos. O cadastro vai aumentar as chances da criança encontrar uma família substituta e dar mais celeridade ao processo”, acredita o desembargador do Tribunal de Justiça de Pernambuco, e gestor do cadastro, Luiz Carlos de Barros Figueiredo.
“Antes do cadastro, cada juizado só tinha as informações da sua comarca. Agora, se uma família busca uma criança no Recife e existe uma com perfil semelhante em João Pessoa, por exemplo, nós vamos ficar sabendo e a adoção poderá ser encaminhada”, acrescenta.