

Existem cerca de sete mil pretendentes e 800 crianças e adolescentes inscritos no novíssimo Cadastro Nacional de Adoção. Se essa frase fosse convertida em números, não sobraria uma única criança disponível para adoção no país. Mas quando mergulhamos nos perfis de pais e filhos adotantes, a conta não fecha. Na maioria dos casos, os pais desejam meninas brancas, de zero a dois anos de idade, com cabelos ou olhos claros, saúde perfeita. As crianças são pardas, negras; têm quatro, seis, doze, quinze anos ou mais; sofreram maus-tratos, foram abandonadas ou necessitam de cuidados especiais; vivem em abrigos. À espera. De tudo; de quase nada. Filhos imaginários, crianças reais. Este especial aponta algumas discussões atuais sobre a adoção – uma delas é a implantação do Cadastro Nacional, que deverá acontecer na primeira semana de novembro. A iniciativa vai unificar todos os dados de pretendentes e crianças e adolescentes aptos à adoção no Brasil, facilitando e acelerando os processos. Você também vai conhecer histórias que, infelizmente, ainda figuram como exceções e os desafios da sociedade – e da Justiça – em reverter esse quadro.
