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A dura jornada do trânsito | Estrangulamento para todo lado | Soluções para o futuro

A dura jornada do trânsito
Ana Cláudia Dolores
Recife, domingo, 19 de junho de 2011
Boom de empregos trouxe junto o saturamento do acesso viário ao complexo industrial. Trabalhadores pagam a fatura
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Acompanhe o percurso de carro de Recife a Suape

Thaís quer ser mãe. Marcelo quer ir à praia. Aline quer fazer pós-graduação. Luciano quer praticar esportes. Givaldo quer ver o filho crescer. O que une essas pessoas não são seus sonhos, mas o motivo pelo qual elas não conseguem realizá-los. Todas perdem de três a seis horas, todos os dias, cumprindo a simples tarefa de ir para o trabalho e voltar para casa. Elas fazem parte do grupo de cerca de 74 mil empregados que conquistaram seu lugar ao sol em um dos 121 empreendimentos do Complexo Industrial e Portuário de Suape, entre o Cabo de Santo Agostinho e Ipojuca. Mas o boom de empregos - eram 6,6 mil em dezembro de 2006 - não veio sozinho. O aumento de postos de trabalho em Suape significou mais veículos acessando o complexo por dia: de 6,7 mil, em 2009, para 10 mil, em 2011. Sobrou para quem não estava preparado para tanto crescimento: o sistema de mobilidade urbana. Hoje, é quase impossível chegar e sair de Suape em horários de pico sem enfrentar congestionamentos e transportes coletivos abarrotados. A fatura do desenvolvimento não planejado é  paga por Marcelos, Alines, Lucianos e outros milhares de trabalhadores que vivem uma rotina estressante capaz de comprometer a saúde, as relações sociais e até o desempenho profissional.

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Por três semanas, a equipe do Diario acompanhou as histórias de seis trabalhadores que residem nas áreas Norte e Sul da Região Metropolitana do Recife e precisam se deslocar diariamente até Suape. Descobriu que todos vivem o dilema entre a remuneração e a função desejadas e a qualidade de vida prejudicada. Nos horários mais críticos, refez os trajetos de ida e volta entre o Recife e Suape e identificou os gargalos que não deixam o trânsito fluir, como as precárias manutenção e fiscalização nas estradas. Apesar de ser o principal motor da economia do estado, Suape não dispõe de uma base de dados única que reúna as informações pregressas e atuais sobre empregos, fluxo de veículos e projetos de mobilidade. Coube à reportagem compilar essas informações para entender por que o sistema se tornou tão frágil e saber o que está sendo feito para melhorá-lo. O resultado desse trabalho pode ser conferido nesta reportagem especial que o Diario publica de hoje até terça-feira.



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