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Entrevista com
MARCO MACIEL (dem)


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Veja como foi a entrevista com o candidato ao Senado Marco Maciel (DEM). Imagens: Ana Luiza Machado e Júlia Schiaffarino/Especial para o DP
A reação do candidato à reeleição senador Marco Maciel (DEM) ao responder sobre quem considera o maior adversário na disputa para o Senado– o petista Humberto Costa, líder nas pesquisas, ou petebista Armando Monteiro Neto – surpeendeu. Maciel sorriu e desconversou, sugerindo que a pergunta fosse feita aos eleitores. Diante da insistência da reportagem, riu de novo e educadamente disse: “Não tenho dúvida. Mas foi ótimo conhecê-las, agora eu vou ver se....” e, levantando-se, deu a entrevista por encerrada.

O senador é o segundo entrevistado da série de sabatinas com os principais candidatos ao Senado por Pernambuco publicada pelo site Eleições 2010. Maciel, com seus mais de 40 anos de vida pública, é um dos principais nomes de oposição ao grupo do atual governador, Eduardo Campos (PSB). Deve enfrentar uma eleição difícil. Mesmo estando em segundo lugar nas pesquisas, sabe que pode ser surpreendido pelas urnas. Para falar dessa disputa, ou pelo menos ser questionado sobre ela, o senador recebeu a equipe do Diario no seu apartamento, em Boa Viagem.

Por Ana Luiza Machado e Júlia Schiaffarino.

Dentro das atribuições de senador, o que pretende fazer por Pernambuco?

Fui parlamentar e tenho exercido funções na Assembleia Legislativa de Pernambuco, na Câmara Federal, onde fui presidente. Fui já três vezes senador da República. Então, desde cedo aprendi que a primeira grande tarefa do bom senador é lutar pelo seu estado. Para mim, Pernambuco é a primeira devoção. Eu digo sempre que toda a minha vida é dedicada a essa veneração que tenho por Pernambuco. E, por isso, estou permanentemente ligado às questões que interessam ao estado no sentido de obter mais verbas, obter convênios que possam gerar providências para o desenvolvimento do estado e da região, porque Pernambuco se situa entre os estados do Nordeste e o Nordeste tem um nível de desenvolvimento inferior ao Sul e Sudeste. Daí porque o senador tem que ter um empenho muito grande.

Marco Maciel. Júlio Jacobina/DP/D.A Press
Foto: Júlio Jacobina/DP/D.A Press
O senhor falou em trazer verbas, mas o senhor pode citar alguma área específica que pretende lutar com mais afinco, caso eleito?

A gente não deve excluir área nenhuma, porque há ministérios que contemplam recursos no plano social, no plano econômico, outros no plano mais institucional. O que importa é lutar por projetos específicos também. Por exemplo: Suape. Quando tomei posse do governo de Pernambuco em 1979, a minha primeira tarefa foi justamente obter o empréstimo para Suape. Nós conseguimos um empréstimo de 250 milhões de dólares. Isso foi negociado pelo então secretário da Fazenda, Everaldo Maciel. E quando eu deixei o governo, 13 anos após o início da implantação de Suape, deixei um navio atracando em Suape, um navio petroleiro, da Petrobras, e uma corveta da Marinha, chamada Imperial Marinheiro. Avançamos também na parte de infraestrutura física, inclusive fiz uma linha férrea que liga a rede ferroviária federal, a estação central, ao porto de Suape. Porque para portos como o de Suape, que se caracterizam pela sua rotação de grande dimensão de cargas, utilização intensiva de contêineres etc., é fundamental que se tenha também uma infraestrutura boa. Por outro lado, estou sempre empenhado em problemas específicos. Por exemplo: irrigação. O rio São Francisco trafega por 350 km, nasce na Serra da Canastra, em Minas Gerais, e vem desaguar no território de Alagoas, Sergipe. Então a irrigação é muito importante para Petrolina, para o semiárido todo. É uma pena os projetos de irrigação estarem parados agora, porque investimos muito.

Podemos dizer, então, que a irrigação é um dos primeiros projetos que o senhor pretende reativar, se eleito?

Não é um dos primeiros, porque eu já estou concluindo outros em execução.

Mas se eleito, daqui para a frente, qual seria a área que o senhor pretende atuar em caráter de urgência?

Acho que seria retomar os projetos de irrigação, porque gera muito emprego, que é a grande questão do Nordeste. Gera três empregos por hectare. Isso na área mais humilde, menos desenvolvida do estado, é importante que nós consigamos acelerar a irrigação, porque na medida em que aumenta a produção gera emprego e renda e cria condições também para reduzir a desigualdade entre Nordeste e Sul, Sudeste do país.

Marco Maciel. Júlio Jacobina/DP/D.A Press
Foto: Júlio Jacobina/DP/D.A Press
Qual a principal diferença entre o senhor e os demais candidatos ao Senado. O senhor é o único candidato a reeleição e os outros são, por assim dizer, quadros novos.

Esta é uma tarefa do eleitor. Sou candidato e cabe ao eleitor fazer a sua escolha. Agora tenho uma convicção muito grande e profunda de que o eleitor pernambucano me conhece. Eu tenho um lado, sempre conservei minhas convicções políticas, sempre tive muito cuidado com a ética no exercício das funções públicas. Quem faz vida pública é sacerdócio e, consequentemente, tem que se dedicar inteiramente à tarefa que lhe foi confiada. Por isso, eu diuturnamente dedico o meu tempo, desde muito cedo, a tratar dos problemas de Pernambuco, do Nordeste e por extensão do Brasil.

Ainda sobre essa questão a gente sabe o que senhor tem 46 anos de vida pública…

Pode ser mais, pode ser menos. Por exemplo, se quiser o tempo que fui líder estudantil. Quando ingressei na Faculdade de Direito, logo no primeiro ano, fui escolhido para dirigir a revista da faculdade, que chama-se Estudantes. No segundo ano, fui eleito presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) e fui reeleito no terceiro e no quarto anos. Neste, fui eleito presidente da União Nacional dos Estudantes de Pernambuco (UNE-PE) e, obviamente, no quinto ano concluí o curso e iniciei minha militância na advocacia. Se formos contar a partir daí, você pode dizer que são mais de 40 anos de vida pública e você pode verificar que são 50 anos de vida pública correta, ética, com seriedade.

Nesses mais de 40 anos de vida pública, o senhor se manteve no poder em vários cargos diferentes.

Nem sempre. Estive no governo e na oposição. Isso é da própria atividade política.

Marco Maciel. Júlio Jacobina/DP/D.A Press
Foto: Júlio Jacobina/DP/D.A Press
O senhor poderia dizer aos seus eleitores qual o segredo de se manter no poder agradando a gregos e troianos. Eu digo isso porque o senhor é respeitado por aliados e adversários.

O político, o homem público, tem que ter uma visão plena do país e, de modo especial, do seu estado. Considero que há oscilações na vida pública, ora temos que estar numa função, ora poderemos estar na oposição. É o processo político e, em última análise, quem dá a resposta é o eleitor. Mas eu sempre tenho presente que a alternância e a rotatividade são pressupostos de uma sociedade democrática e que é bom portanto que haja eleições periódicas para que se possa apreciar os governos e para que se possa, também, a partir daí, o eleitor fazer a escolha que mais lhe pareça adequada em função de uma avaliação que ele possa fazer. O eleitor brasileiro, além de ser muito grande, muito significativo, hoje vota em urnas eletrônicas. As eleições correm com muita lisura e com a virtude de dar ao eleitor a condição de fazer a opção que mais lhe aprouver.

Mas como é tratar com diferentes partidos? Porque nestes mais de 40 anos,  o senhor tratou com vários grupos, tanto na situação quanto na oposição.

É, eu fui líder do governo, líder da oposição, fui presidente da Câmara, fui líder do Senado.

É preciso ser um pouco diplomata…

Isso é verdade. O homem público tem que ter certas coordenadas para que possa gerir uma administração pública.

O senhor tem uma vida dedicada à política. Mas vamos supor que nestas eleições, hipoteticamente, o senhor tivesse um resultado desfavorável. Qual seria seu projeto de vida?

Isso é uma questão que cabe ao eleitor. É o eleitor quem decide, quem escolhe. Nós somos mandatários da vontade popular.

Perguntamos sobre o seu projeto de vida. Pretende fazer palestras, retomar algum projeto, dar aulas…

Sou professor, estou licenciado em função de atividades públicas em Brasília. Quando deputado estadual, dava aulas aqui, mas a questão de opção de vida, isso varia muito em função dos desafios a que sejamos chamados.

Marco Maciel. Júlio Jacobina/DP/D.A Press
Foto: Júlio Jacobina/DP/D.A Press
O senhor não teria nenhum projeto então, que de repente até por falta de tempo no exercício da política, não pode se dedicar?

Eu sempre, no exercício da atividade parlamentar, fui chamado para fazer palestras. Ainda hoje (semana passada), fiz uma palestra na Fundação Joaquim Nabuco sobre (José Manuel) Balmaceda, um chefe de estado chileno que faleceu no fim do século XIX. Isso também é uma maneira de fazer pedagogia cívica, analisar fatos. No caso de Balmaceda, foi um dos livros que Nabuco escreveu. Joaquim Nabuco tem uma agenda extremamente atual. Não foi apenas a visão da política externa que ele teve, a preocupação de dar ao Brasil um certo protagonismo. Nabuco também se preocupou com o problema de política externa, a negociação do território da Guiana Inglesa, as fronteiras com o Brasil. Então, aproveitei esse exemplo para tirar algumas lições em relação ao futuro, em relação ao comportamento do eleitor. Agora, o que eu quero o que eu quero ressaltar como positivo, já que eu estou falando sob a ótica do eleitor, é que tudo isso concorre para o fortalecimento da democracia, para o exercício da cidadania, porque quanto mais nós fortalecemos as instituições, mais se fortalecerá a democracia. Mais feliz será o cidadão.

Então fora da vida pública o senhor não teria nenhum projeto…

Não estou dizendo isso, estou dizendo que essa é uma opção do eleitor.

O slogan de sua campanha é  Marco de Pernambuco. Que obra o senhor gostaria de destacar como o marco de Pernambuco?

O curioso é o seguinte, elogio de boca própria é vitupério. Quando eu chego em qualquer cidade do interior, qualquer uma, eu sou recebido de forma muito hospitaleira. Até me comove às vezes, porque eles sabem o que eu faço e o que eu fiz. São obras que, às vezes, até eu não me lembro, porque são coisas de 20, 30 anos atrás. Mas as pessoas falam: “tá vendo esse mercado que está aqui construído, essa estrada? O senhor não se lembra? O senhor tinha vinte e poucos anos, veio aqui, reformou a estrada, ou veio em companhia de Luiz Gonzaga, o sanfoneiro que era meu amigo, e fizemos uma grande barragem no Pajeú”. Então, tudo isso me dá um grande conforto interior. Eu me sinto realizado só de verificar que estou sendo útil a Pernambuco e ao seu povo.

Marco Maciel. Júlio Jacobina/DP/D.A Press
Foto: Júlio Jacobina/DP/D.A Press
Existe algum projeto que o senhor se orgulha de ter lutado mesmo tendo que enfrentar resistência da oposição?

Ah, sim, muitos. Por exemplo, aprovei, em 1996, o projeto que criou a arbitragem comercial no Brasil. É um estatuto adotado em todo o mundo, inclusive o Brasil já subscreveu sua adesão à corte internacional de arbitragem de Nova York em 1948. O projeto, elaborado por mim, representou uma revolução no campo da prestação jurisdicional pelo Estado. Cada vez mais, sinto que nas convenções internacionais a arbitragem vem sendo reconhecida. No caso da usina da Petrobras na Bolívia, houve um certo dissídio, que havia um apelo à corte internacional de Nova York. Isso permitiu resolver a questão sem que houvesse um conflito armado.

O índice de aprovação do presidente Lula é muito grande, especialmente em Pernambuco. O senhor foi vice do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Como o senhor dribla essa popularidade de Lula, estando na oposição?

Um dos predicados do político é a coerência. Aureliano Chaves foi vice-presidente da República e, de certa feita, disse o seguinte. “Eu prefiro que duvidem da minha inteligência a duvidar da minha coerência”. Ele fazia questão de ser coerente e é possível ser coerente se a pessoa se comportar de acordo com as exigências que a atividade pública requer. Por isso, gosto de cumprir a lei e me submeter aos ditames da Constituição e honrar os mandatos que me são outorgados…

Então o senhor não enxerga…

Já que puxou a questão para desempenho de mandatos, inúmeras vezes sou incluído entre os 100 (parlamentares) mais atuantes do Congresso. O Congresso Nacional é constituído de 81 senadores e 513 deputados federais. São mais de 600 parlamentares. Ser incluído na lista, deve ter alguma razão – são instituições externas ao Congresso que avaliam esse desempenho. Fico com a consciência do dever cumprido. Eu posso dormir pouco, mas durmo tranquilo porque a consciência não me acusa de nada que possa ser criticável ou criticado.

De uma forma concisa, que pontos o senhor defende e de que forma poderia ser feita a reforma política no Brasil?

Considero que a legislatura que se elegerá em 3 de outubro deve tomar como sua primeira e grande tarefa a reforma política. Para mim, é algo mais que uma reforma política, é uma reforma institucional. A primeira preocupação deve ser fortalecer as instituições, quer dizer, o Congresso Nacional, os poderes Judiciário e Executivo, fazer com que eles funcionem harmonicamente. Em segundo lugar, devemos fortalecer os partidos políticos. No Brasil, temos muitos partidos e isso provoca uma certa dispersão de forças. Mas pluralidade partidária é do processo e o país é quem deve fazer sua escolha se deve manter demasiado número de partido ou se deve reduzi-los. Isso é uma opção que o eleitor poderá tomar na hora em que for votar ou na hora em que chegar ao Congresso como eleito um de nossos representantes. Também devemos ter um sistema eleitoral que provoque adequadamente um bom funcionamento do ato de governar. Isso tem aplicações nos planos federal, estadual e municipal. A reforma política tem que ser feita em vários estágios para que nós possamos ter essas instituições a que Joaquim Nabuco se referia: instituições fortes, bem cravejadas, que venham assegurar a todos e a cada um a certeza de que vivemos em uma sociedade aberta, democrática e na qual todos se sintam devidamente representados.

Marco Maciel. Júlio Jacobina/DP/D.A Press
Foto: Júlio Jacobina/DP/D.A Press
Sobre a campanha. O governador e candidato à reeleição Eduardo Campos (PSB) está lutando para eleger os dois senadores aliados, apregoando que não é bom para Pernambuco ter os senadores de oposição. Como o senhor se coloca nesse cenário e como desconstruir esse discurso já que o senhor é o candidato da oposição junto com Raul Jungmann?

Quando sou eleito, sou eleito senador. Não um senador de oposição ou de governo. Recebo um mandato popular e zelo muito pelo mandato popular. Todos os meus diplomas estão ali, devidamente guardados, sem nenhuma transgressão no plano ético ou político. Volto a dizer, na hora que o cidadão pernambucano elege um senador, elege seu representante no Senado Federal. Não é essa questão de senador do governo, senador da oposição. O senador que for eleito terá que bem cumprir a sua função. Procurar servir da melhor forma ao seu país e às suas instituições. Mas servir de modo particular ao seu estado, servir, enfim, ao Nordeste, que é a região que precisa de estímulos maiores para que as desigualdades se reduzam e para que tenhamos um país menos assimétrico, mais desenvolvido.

Se as pesquisas estiverem certas e os dois candidatos eleitos forem o senhor e Humberto Costa, não vai ter nenhum problema nessa parceria por Pernambuco?

Eu nunca tive problema de relacionamento com meus colegas de Senado. Troco telefonemas, participo da votação de várias emendas constitucionais, participo de diferentes comissões (uma das quais eu presidi recentemente foi a comissão de Constituição e Justiça). Sempre tenho a ótica de ser o representante de Pernambuco e me orgulho porque é uma tarefa que exige muito. Também me orgulho de um grande acervo de obras que construí ao longo da minha vida. Então, essa parceria seja com quem for nessas duas vagas – seja com Humberto Costa, que tem liderado as pesquisas, ou com Raul Jungmann, que é o outro candidato da oposição, ou com René Patriota (PV), ou qualquer outro, Pernambuco não vai ter problema em relação à divergência ideológica nesse sentido. Até porque sob o ponto de vista ideológico não há acentuadas divergências.

Com nenhum deles?

Pode haver alguma divergência doutrinária. Não vamos dar um peso a isso. Quem se elege senador recebe um mandato e esse é um mandato muito importante que tem que ser exercido com zelo, esforço, com muita capacidade de criar e a capacidade também de fazer com que esses projetos se viabilizem, quer dizer, consigam sair do papel.

O senhor, ao longo da campanha, tem aparecido sempre ao lado do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB). Mas as intenções de votos de Jarbas têm caído, segundo as pesquisas. Se essa situação permanecer, há algum plano de desvincular a sua imagem da dele?

Estive com Jarbas em muitos pleitos e também já tive muitas divergências com ele. Isso faz parte do processo político. Nós temos, inclusive, uma pluralidade partidária no Brasil e eu acho isso bom. Não sou a favor do bipartidarismo. Fui um dos primeiros a combinar para que tão logo iniciasse as eleições diretas, começássemos a praticar o pluripartidarismo. Isso não altera o meu horizonte de trabalho. Eu já estou acostumado com isso, como aliás muitos colegas meus já estão. Nós somos desafiados a dar resposta a diferentes demandas. Muitas vezes chega um colega com um projeto novo, quer ouvir uma opinião e vice-versa, você querer perguntar a opinião sobre essa proposta. Então eu sou acostumado a dialogar com diferentes pessoas, sobre diferentes matérias...

Nessa campanha específica então…

O político tem que ser uma espécie de especialista…

Marco Maciel. Júlio Jacobina/DP/D.A Press
Foto: Júlio Jacobina/DP/D.A Press
Nesta campanha, então, mesmo Jarbas continuando com esses números, o senhor pretende continuar ao lado dele, colando sua imagem a dele até o final?

É aquilo que eu estava dizendo, o fato político tem sua própria dinâmica. Agora, obviamente, estamos com a candidatura dele e ele é um grande quadro para Pernambuco, conhecido estadual e nacionalmente. E como acontece, ou aconteceu no passado com divergências, nada de natureza mais profunda, pelo contrário. É do próprio diálogo político e já a alguns anos nós temos lutado juntos pelos mesmos ideais.

Quando conversamos com o senador Jarbas Vasconcelos, percebemos um certo desencanto com a política em si, com a conjuntura em que se apresenta. O senhor também tem esse desencanto?

Acho que a política exige muitas renúncias, muito trabalho, dedicação e, às vezes, correção de rumo ao verificar que o caminho que adotamos não é o melhor agora. Vou aproveitar que estamos falando de Joaquim Nabuco e dizer uma frase contida no livro “Minha Formação”, um dos três clássicos dele, em que ele fala sobre o papel do pai que era de conselheiro do império. Ele, de certa feita, diz que a política exige uma provisão de solo interior. Não diletantismo, mas o interesse vivo e palpitante na condição alheia. “Foi isso o que me levou a lutar pelo fim da escravidão, que era um mal que eu não me apercebera”. Mais ou menos é isso o que ele diz. Porque ele chegou muito cedo ao engenho Massangana e foi aí que descobriu o erro que representava a escravidão. Foi nessa provisão de solo interior, nessa busca de acabar com a escravidão e fazer do Brasil um país aberto e democrático.

Então o senhor se apossa disso para dizer…

Não, eu não me aposso de nada. (risos) Até essa ideia eu tenho que dar o crédito a Joaquim Nabuco, porque a frase é dele e eu sou admirador de Joaquim Nabuco há muito tempo.

O senhor não encontra desmotivação nessa conjuntura, entre as coisas que o senhor tem vivenciado e visto, de corrupção, de pessoas que sempre foram de um partido mudando de partido. Isso pro senhor desmotiva ou não?

Entrar na vida política tem que ter presente a necessidade de avaliar os fenômenos, não somente no plano interno, na cidade de cada um, no estado de cada um, mas também no plano internacional. Por exemplo, passei algum tempo lecionando Direito Internacional Público e lecionei até enquanto tinha mandato estadual, quando me elegi pelo mandato federal ficou impossível. Agora, frequentemente sou chamado para fazer palestras em outros estados, no exterior etc. É uma forma também de praticar um magistério cívico porque na medida em que a gente fala e expõe, a gente também recebe sugestões e propostas.

O senhor está motivado a continuar a exercer o cargo que os eleitores lhe propuserem?

Exatamente. A decisão é do eleitor. Ele é quem escolhe, quem vota. Esse é o exercício da democracia. Mas é fundamental que se tenha consciência da importância, da relevância do exercício do mandato, sobretudo do mandato federal, sobretudo num país que pratica um federalismo trino.

Marco Maciel. Júlio Jacobina/DP/D.A Press
Foto: Júlio Jacobina/DP/D.A Press
O senhor foi vice-presidente por oito anos e muito tem se falado sobre Lula vir para o estado para eventos administrativos e comentar eleições. Já tendo passado pelo cargo de vice-presidente, como o senhor enxerga isso?

Enxergar o quê?

O fato de Lula vir para o estado em eventos administrativos, não só em Pernambuco, mas em outros locais também e comentar eleição, apresentar Dilma Rousseff como candidata.

Aí ele é o presidente da República, ele adota a conduta que acha que é a mais correta.

Mesmo sendo legalmente errado?

O político, quando se põe diante de determinadas funções, tem que saber exercê-las e cumpri-las de forma fiel ao que diz a Constituição e, consequentemente, buscando fazer o que for melhor para o país…

O senhor concorda com as reclamações, por exemplo, do PSDB que até já processou o presidente?

É natural que isso aconteça.

Marco Maciel. Júlio Jacobina/DP/D.A Press
Foto: Júlio Jacobina/DP/D.A Press
O senhor concorda?

Acho que os partidos políticos têm o direito de estender suas opiniões.

Só mais uma pergunta:

Eu tenho compromisso…

Aliás duas. A aliança DEM, PMDB, PSDB se elegeu em 1998 com um projeto de longa data. Na prática, na sua opinião, podemos afirmar que ela está se dissolvendo?

Não, nós vivemos numa nação pluripartidária e é natural que haja essas mudanças em função dos pleitos e eu não magnifico essa questão.

Apesar dessa debandada de prefeitos?

Não sei, eu não quero julgar porque é muito cedo para julgar, porque as eleições ainda vão ocorrer em outubro e eu não quero me antecipar em julgamentos. A realidade política, às vezes, pode levar alguém a um rumo que não é o ideal, que não é o correto. Mas eu não quero julgar

Quem o senhor considera o seu maior adversário nesta disputa, Armando ou Humberto?

Ah, não sei, aí você pergunta ao eleitor.



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