Foi encaminhado esta tarde ao Presídio Juiz Plácido de Souza, em Caruaru, o desempregado de 23 anos, suspeito de ter estuprado duas enteadas, uma deficiente de 14 anos de idade e a irmã dela, de apenas 9 anos e que estaria grávida de gêmeos. No final da manhã de hoje, ele prestou depoimento ao delegado Antônio Dutra na Delegacia de Pesqueira. Para surpresa da polícia, o suspeito confessou ter abusado da menina mais velha, alegando ter sido seduzido pela garota, mas negou ter consumado o ato criminoso contra a caçula. "Ele contou que não penetrou na mais nova, mas que ejaculava sobre a menina", detalhou o delegado.
Antes de ser levado para a prisão, o suspeito, que não pode ter o nome revelado para preservar a identidade das vítimas que são menores de 18 anos, foi submetido a exames de corpo de delito. Ao sair da delegacia, ele não quis falar com a imprensa nem mostrar o rosto. De acordo com o Código Penal brasileiro, o padrasto poderá pegar mais de 15 anos de prisão em regime fechado.
O homem foi preso na noite de ontem no município de Alagoinhas, no Agreste do estado.A prisão foi efetuada por policiais militares após denúncia de que o suspeito estaria escondido numa localidade conhecida como barragem, no limite da zona urbana da cidade. Ele teria passado a noite em um terreno baldio, escondido em um matagal.
Na ocasião, o sargento Lúcio Flávio, comandante do destacamento da Polícia Militar do município, um dos responsáveis pela prisão, disse que o suspeito confessou o crime: “Ele confessou que abusava da menina desde que ela tinha seis anos e de que também violentava a irmã dela, que tem 14 anos e é deficiente”, contou.
Inicialmente, o suspeito foi levado para a sede da Polícia Militar do município, mas de lá foi encaminhado para o Presídio de Pesqueira, por questões de segurança, já que a população, revoltada, queria linchá-lo.
Vítimas – No Recife, as duas meninas foram levadas para o Instituto Materno Infantil (Imip), no bairro dos Coelhos. No hospital, a gestante deve ser internada para ser submetida a novos exames que devem indicar o estado de saúde e as possibilidades para a realização do aborto legal.
Pela legislação brasileira, grávidas vítimas de estupro podem fazer um aborto até o quinto mês de gestação. O procedimento também é autorizado pelo Ministério da Saúde e aconselhado por especialistas quando a gravidez põe em risco a vida da mãe, como é o caso.
Esta manhã, acompanhadas pela mãe e pela conselheira tutelar de Alagoinha, Maria José Gomes, as duas foram submetidas a exames sexológicos no Instituto de Medicina Legal (IML) no Recife, que poderão comprovar o estupro.
O crime veio à tona ontem quando a menina, que apresentava enjôos e vômitos, foi levada pela mãe para a Casa de Saúde São José, em Pesqueira, município vizinho à Alagoinha. Uma ultrassonografia diagnosticou a gravidez de 16 semanas. O ginecologista José Severiano Cavalcanti, que atendeu a menina na unidade de saúde, antecipou que o aborto será necessário para não por em risco a vida da garota."Ela tem nove anos, mas sua idade cronológica não bate com sua estrutura física franzina, subnutrida", observou.
Segundo Severiano, a menina mede apenas um metro e trinta de altura. "Ela não tem pélvis para suportar uma gestação de gêmeos. Não tem seios desenvolvidos e sequer pelos pubianos", argumentou. O médico disse que se for preciso fará um laudo atestando que a criança não tem condições físicas de prosseguir com a gravidez e que indicaria o aborto para preservar a sua vida.
O suspeito vivia com a mãe da criança desde 2005. A menina alegou que nunca contou que era abusada porque temia ser morta pelo agressor. Segundo a vítima, o padrasto jurava que iria matá-la, caso revelasse o “segredo” para a mãe. “Ele dizia que ia cortar meu pescoço com a foice”, falou a menina para os conselheiros tutelares.
A garota disse ainda que o padrasto costumava dar R$ 1 para ter relações com ela. A violência sexual acontecia sempre quando a mãe se ausentava de casa. Já a mãe, de 39 anos, declarou nunca ter desconfiado de nada. Para ela, o marido era um homem cuidadoso com as filhas. “Eu confiava demais nele”, justificou a mulher.
Segundo o conselheiro tutelar do município, Cláudio Roberto Lima Melo, a criança não tem sequer noção da gravidez. “Ela não tem consciência do seu estado. Estamos muito preocupados com a saúde dela porque, ela tem baixa estatura e muito miúda. Mas a barriga e os seios já estão crescidos”, comentou.
Da Redação do DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR, com informações da repórter Ana Paula Neiva