Jogos internos das escolas são sempre a mesma coisa: abertura, competições, premiações. Certo? Bem, em parte. Um grupo de alunos do Colégio Rosa Gattorno
resolveu fazer diferente este ano. Com a ajuda da relações públicas Janna
Jocelli, cerca de 25 jovens resolveram montar o grupo Comunicadores CRG.
A principal missão? Fazer a cobertura completa do evento e disponibilizar
o trabalho para toda a comunidade acadêmica. Para isso, dividiram-se em
equipes de televisão, redação, fotografia, edição e criação. Depois, colocaram a
vergonha de lado e foram para a frente (e para trás) das câmeras.
Tudo ficava a cargo dos estudantes, desde a criação da logomarca às reportagens. Todo o material produzido está disponível do blog, montado na página principal da escola. Aline Guimarães, por exemplo, dividiu as responsabilidades do terceiro ano do ensino médio com a coordenação das
redações. "Gosto de escrever e acabou sendo uma boa oportunidade de exercitar
esse dom. Fizemos entrevistas, matérias e tivemos uma boa resposta do pessoal", diz.
Victor Rodrigues, do 2º ano, responsável pela equipe de televisão, foi um
dos mais empolgados com a produção. "Mandamos cerca de três vídeos ao ar por
dia.
Também fica a nosso cargo a divulgação do blog. É um trabalho completo e temos bastante autonomia, somos nós quem decidimos o que e quem vamos gravar, além do trabalho de edição. Achava que a galera ia tirar onda na hora das entrevistas, mas todo mundo levou a sério. A idéia é continuar com o
projeto depois do período dos jogos internos, quem sabe até um programa na TV aberta...", comenta o aprendiz de jornalista. Os vídeos, fotos e textos dos Comunicadores CRG podem ser conferidos no www.rosagattorno.com.br/jogos.
EXEMPLO NO INTERIOR
Em meio ao Agreste pernambucano, mais precisamente no muncípio de Gravatá, a
estudante de pedagogia Valéria Bezerra, 19 anos, sempre foi preocupada com os
problemas com lixo na região, principalmente com o Rio Ipojuca, que corta a
cidade e é considerado o segundo mais sujo do Brasil, ficando atrás apenas do
Tietê, em São Paulo. Mas, por onde ela poderia começar a promover mudanças? "Decidi iniciar por mim mesma, para fazer a diferença, pouco a
pouco. Fechar a torneira que estivesse pingando e orientar os amigos e
parentes sobre a coleta seletiva já era um bom começo. Fiz oficinas para
transformar sucata em brinquedo. Lixo na minha mão virava presente", lembra.
Com o passar dos anos, foi percebendo que precisava de ajuda e resolveu pedir
ajuda da prefeitura. "Antes, as pessoas não faziam a seleção de resíduos,
queimavam tudo e jogavam num biuraco. Fiz um mutirão nas escolas e sítios da
região e mandei um ofício para os órgãos públicos transportarem o lixo
coletado". Hoje, ela é chefe dos lobinhos no 33º Grupo de Escoteiros de
Gravatá e transmite os ensinamentos aos menores. "Não espero que todos me
imitem. Minha intensão é fazer minha parte, se isso repercutir nos outros,
ótimo! De que adianta ter milhões de projetos se nenhum é posto em prática?
Como pensar no futuro da água se passamos horas no banho? A preservação
ambiental é coisa para tubarão e, infelizmente, somos apenas peixinhos".
E parece que a prefeitura da cidade realmente acordou para a defesa da natureza. Depois de programas bem sucedidos com famílias de catadores e
estudantes, o projeto Papa Vidro atingiu a marca de 4 toneladas de vidro arrecadadas apenas no primeiro mês. A receita do sucesso? "Percebo que as
pessoas estão mais conscientes. Elas mesmas estão atentas e depositam os
resíduos nos coletores distribuídos pela cidade", entrega Valéria. É o pouco
que gera muito.
Diogo Carvalho
Editor Fanzine/Diario de Pernambuco
(81) 2122-7559
ACERTE O RUMO
Profissão sem dúvidas
No segundo semestre, começa a maratona de inscrições para as dezenas de
vestibulares. Seja em faculdades particulares ou universidades públicas, a
grande dúvida dos estudantes realmente é no que diz respeito à escolha da
profissão. Afinal, quem nunca pensou duas (três ou quatro) vezes antes de
decidir que carreira gostaria de seguir pelo resto da vida? Para ajudar a
galera que está enfrentando esse dilema, o projeto Acerte o Rumo está com
inscrições abertas em diversos colégios da cidade.
A proposta é reunir alunos, docentes e profissionais de diversas áreas de
trabalho para esclarecer questões sobre mercado, rotina, salários e até o
futuro das carreiras nas ciências humanas, exatas e saúde. Já confirmaram a
presença no debate de humanas, no próximo dia 26, no Teatro Beberibe, o
publicitário Sérgio Pires e o jornalista Gilvandro Filho.
A taxa de inscrição custa R$ 15 para alunos dos colégios conveniados (Motivo,
Equipe, Atual, Visão, Damas, entre outros), o cadastro pode ser feito na
própria escola. Estudantes de outras instituições também podem participar,
pagando R$ 20 pela inscrição, no site www.acerteorumo.com.br. Informações:
(81) 3221-1566.
LIÇÕES DE CIDADANIA
Diversas vezes comentado em ambiente acadêmico, o Estatuto da Criança e do
Adolescente (ECA) é um conjunto de normas que tem o objetivo de proteger a
integridade da criança e do adolescente. Ele gerou mudanças significativas em
relação à legislação anterior (o Código de Menores) e os jovens passaram a
ser considerados cidadãos, com direitos sociais e pessoais garantidos.
Desde 1990, quando foi introduzido, o ECA foi um instrumento utilizado
diversas vezes para transformar vidas. Assim, a ONG Pró-Menino está realizando a quarta edição do concurso Causos do Eca, para retratar histórias
verídicas de cidadania. A competição será disputada em duas categorias de
texto: ECA como instrumento de transformação e ECA na escola. Os
participantes podem contar casos envolvendo reversão de violações de direitos
interrompidas por alguma cidadã, protagonismo juvenil, cumprimento bem
sucedido de medidas socioeducativas, entre outros. Para os inscritos na
segunda categoria, a ação deve ter sido disseminada em ambiente escolar.
Os prêmios vão de computadores e coleções de livros a quantias em dinheiro. Mas é bom correr, pois os textos só podem ser entregues até o dia 2 de junho.
Para mais informações sobre regras e inscrições, basta acessar o www.promenino.org.br .
PERNAMBUCO EM QUADRINHOS GRATUITOS
Nas aulas de história, portugueses e holandeses são figuras freqüentes nos
estudos, mas a verdade é que a comunidade judaica também foi de grande
relevância para a construção sócio-cultural do Recife e de Pernmbuco. Já na
primeira metade do século 17, graças à liberdade religiosa do governo de
Maurício de Nassau, os primeiros judeus se instalaram por aqui. Assim, a
equipe do Arquivo Histórico Judaico de Pernambuco elaborou o projeto Passos
perdidos, história desenhada.
A coleção conta com quatro volumes, sendo uma versão em quadrinhos para o
livro escrito pela professora Tania Kaufman. A publicação recria, através de
ilustrações das desenhistas Danielle Jaimes e Roberta Cirne, cenários dos
bairros da Boa Vista, Pina, Boa Viagem, Rua da Imperatriz, entre outros
locais marcantes da região metropolitana. Uma verdadeira aula de resgate
histórico, etnológico, artístico e cultural.
Os livros em quadrinhos estão sendo distribuídos gratuitamente pelo Arquivo
Histórico Judaico de Pernambuco para escolas e bibliotecas públicas.
Informações: (81) 3224-8351.
BALADA SOLIDÁRIA
DJ Bruno V lança seu primeiro CD autoral domingo, num evento na Nox cuja renda será revertida para três instituições de caridade
Diogo Carvalho
Da equipe do Diario
A boate Club Nox foi o espaço escolhido pelo DJ Bruno V lançar seu primeiro CD autoral, Eletronicidades, no último domingo, véspera do feriado. No line-up, vários DJs de renome, como o paulista Luiz Eurico. Tudo bem, parece ser um evento de música eletrônica como qualquer outro, não é? Seria, se o próprio Bruno V não tivesse vislumbrado que a festa poderia ser um encontro de amigos e parceiros com um único propósito: a solidariedade.
Toda a renda da balada e o cachê dos DJs serão revertidos para três instituições: Movimento Pró-Criança, Memorial Solidário e Espaço Maria Helena Marinho. “Gostaria de agregar minha experiência como DJ e retribuir, através de uma ação beneficente, todo o apoio e carinho que recebi ao longo de minha carreira. E fico feliz que todos meus companheiros se engajaram na maior boa vontade”, conta.
O acesso ao evento foi com doações mínimas de R$ 50 por pessoa. Quem foi à festa ainda levou uma cópia do Eletronicidades. A meta é arrecadar cerca de R$ 50 mil. Bruno antecipa que os CDs não serão comercializados em lojas, mas sim através de sites especializados.
Além de Bruno V, quem comandou o som da noite solidária foi o DJ Luiz Eurico (3Plus - SP), acompanhado do percussionista Rodrigo Paciornik (PR). O line-up ainda foi incrementado pelos DJs pernmbucanos Leo B, In Da House, Z, Greg, Elias CabuzZ e Urban Militia.
VESTIBULAR: BICHO-PAPÃO
DE GENTE GRANDE
O vestibular pode até ser apenas uma das etapas importantes
na vida de muitas pessoas, mas ele é uma das principais
angústias do estudante. Indecisão na escolha da
futura profissão, deficiências na educação
pública e alguns sistemas de vestibular são problemas
que rondam o universo do jovem. Vários anos antes das
provas, começam as perguntas: “Você vai prestar
o vestibular pra quê?” e “E aí, já
decidiu o que vai fazer da sua vida?” Felizes aqueles
que se decidiram logo, porque os indecisos sofrem. E muito!
Com tantas opções, fica fácil descartar
algumas, mas difícil mesmo, é escolher o curso
certo. Primeiro, porque com 18 anos, a idade da maioria dos
vestibulandos, nem sempre há aquela maturidade para tomar
tal decisão. Segundo, porque muitas vezes a família
não compreende essa incerteza e enxerga isso como uma
grande irresponsabilidade, pressionando o jovem. Terceiro, porque
nem sempre a família e os amigos aceitam a futura profissão,
às vezes por falta de conhecimento, obrigando o estudante
a buscar uma alternativa e indo contra a vontade dele.
A preparação para o exame também é
uma dor de cabeça, especialmente para os alunos que estudam
em escolas públicas. Muitas não contam com boa
infra-estrutura e ensino de qualidade, o que torna o aprendizado
uma tarefa árdua e que requer muito esforço. Além
disso, greves constantes atrasam o calendário escolar
e prejudicam os vestibulandos. No ano de 2007, em Pernambuco,
a rede estadual de educação ficou paralisada por
mais de 50 dias! Enquanto os professores batalham com o governo,
por melhores condições de trabalho, vários
jovens, conscientes da importância do ensino superior,
batalham por um futuro digno.
Mas, engana-se quem pensa que os problemas do vestibular estão
todos fora dele. Vários modelos do processo de seleção
apresentam falhas graves, como condensar muito conteúdo
em poucas provas ou abordar assuntos desnecessários ao
curso pretendido. Imagine que todo o seu conhecimento dos três
anos do ensino médio será testado em dois dias.
Achou ruim? Então imagine que, devido à prova
de química, você pretende cursar jornalismo e é
preciso saber que o tricloreto de fósforo apresenta geometria
tetraédrica e o pentacloreto de fósforo é
piramidal. Claro que é necessário um conhecimento
geral de todas as disciplinas, de forma que aprendamos aquilo
que será útil e importante para nós.
Entretanto, o que vemos são vários assuntos específicos
e que são exigidos a todos, independentemente da futura
profissão. E a maior prova de que isso não funciona
bem é o imediato esquecimento desse tipo de informação,
assim que o vestibulando é aprovado. O vestibular é
um bicho-papão de gente grande. Há todo um universo
problemático que precisa de muita atenção.
Mesmo que você já tenha passado por essa fase,
não se esqueça dos estudantes, que necessitam
de um novo método para ingressar nas universidades.
Indignação. Assim pode ser definido o sentimento
de todos os brasileiros em virtude da maior tragédia
da aviação local de todos os tempos. O acidente
com o airbus da TAM ao tentar pousar na pista do aeroporto mais
movimentado do país, saindo da pista e colidindo de frente
com um prédio comercial em São Paulo, provocou
ainda mais questionamentos a respeito do nosso sistema de aviação
aérea, já desacreditado em função
de recentes acidentes e da atual crise dos controladores de
vôo, que já perdura há alguns meses. O que
se confirmou com o fato é o que todo usuário das
várias companhias aéreas brasileiras sabe há
bastante tempo: a total falta de segurança em boa parte
das aeronaves e, o que é ainda mais grave, a insistência
dos órgãos responsáveis pela manutenção
dos aeroportos em permitir o funcionamento da pista de tal aeroporto,
encravado no meio da maior metrópole brasileira. A péssima
localização de Congonhas, situado entre os arranha-céus
de São Paulo e cercado de avenidas com um movimento diário
de veículos gigantesco parece não ser problema
para as autoridades brasileiras, pois o que presenciamos pelos
meios de comunicação foi um total descaso para
com as famílias das vítimas, bem como com a segurança
da população – sem contar as cenas reais
da tragédia divulgadas abertamente na TV. É inadmissível
que, com o crescimento populacional e habitacional presente
nas últimas décadas, o governo paulista não
procurou maneiras mais eficazes de solucionar o problema em
questão no sentido de dar segurança à população
e também aos cerca de 18,5 milhões de passageiros
que embarcam e desembarcam anualmente naquele local, de acordo
com o mais recente levantamento feito pela ANAC. Recentemente,
vimos que a Infraero, órgão estatal responsável
pela manutenção dos aeroportos brasileiros, promoveu
mudanças em vários deles nas mais variadas localidades.
No entanto, apesar dos altos investimentos injetados na melhoria
do nosso transporte aéreo, não foi possível
obter resultados compatíveis com a demanda de usuários
como também da quantidade de vôos realizados, o
que acarreta em conseqüências como esta, que tiram
a vida de cidadãos cumpridores de suas obrigações
tributárias. Há muito se fala que Congonhas não
têm mais como suportar a atual movimentação
de aeronaves que diariamente realizam pousos e decolagens. É
de conhecimento público que sua pista apresenta graves
problemas estruturais tais como desnível, infiltrações,
drenagem – duras críticas e alertas são
feitos mais diretamente a este aspecto – comprimento insuficiente,
somente para citar alguns, mesmo tendo havido reformas recentes.
Porém, por razões que desconhecemos as autoridades
locais continuam a ignorar a situação caótica
de Congonhas, pondo em risco a vida de milhões de passageiros.
Onde estará o problema ? Um pergunta, talvez, que nunca
tenhamos resposta, pois mesmo com acidentes ocorrendo em um
curto espaço de tempo no nosso país – a
queda do boing da Gol em setembro do ano passado, na qual 154
pessoas perderam a vida no estado do Mato Grosso, ainda está
presente na memória dos brasileiros – não
vemos providências sérias serem tomadas pela administração
pública. Segundo estudos realizados por engenheiros de
tráfego aéreo, uma boa alternativa para diminuir
os riscos de acidentes seria a reconstrução de
Congonhas em um local distante do atual, ou seja, fora do perímetro
urbano da capital paulista, onde houvesse comodidade e, principalmente,
segurança para passageiros e toda a população.
Uma outra solução baseia-se no fato de que o aeroporto
receberia apenas aeronaves de pequeno porte em vôos domésticos,
o que, em caso de situações como esta, não
deixaria as adjacências do mesmo tão vulneráveis
a acidentes com um número de vítimas fatais elevado.A
distribuição de vôos para outros aeroportos
do estado bandeirante também seria uma boa solução,
desafogando-o e fazendo com que o fluxo aéreo se normalizasse.
Fica a reflexão. Não nos cabe, como simples divulgadores
de informação, buscar soluções claras
para o problema. O nosso papel é o de investigar, denunciar
e cobrar atitudes sérias e soluções dos
responsáveis por esta tragédia, para que respondam
civil e penalmente pelo ocorrido, pois mais uma vez temos nossa
imagem abalada mundialmente com este triste episódio.
Num país que clama a todo custo por uma sociedade mais
justa não se pode permitir que a vida humana ainda seja
tratada como mera mercadoria comercial.
Augusto Freitas
Acadêmico do 3º período do curso de Comunicação
Social / Jornalismo da Faculdade Maurício de Nassau.
E-mail: augusto.freitas@dpnet.com.br
AS ESCOLAS E A LEITURA
Ler faz bem.
É uma verdade que estamos acostumados a ouvir da boca
de várias pessoas, mas que só pode ser constatada
através do próprio hábito da leitura. Em
outras palavras, apenas quando o indivíduo passa a ler
jornais, revistas, livros e etc, que ele entenderá essa
importância.
Além de uma ótima fonte de entretenimento, você
exerce sua imaginação, reflete sobre uma sociedade
diferente da qual está inserido, aprimora seu vocabulário
e mantém-se informado, entre tantas outras formas de
crescimento intelectual.
Porém, mesmo com todos esses benefícios, é
preciso descobrir o prazer da leitura, para depois mergulhar
nesse infinito mundo de palavras. É aí que entra
a enorme importância das escolas, uma vez que –
supostamente – elas possuem o poder de transformar crianças
e adolescentes em leitores.
Supostamente, porque nem todas as escolas estimulam a ler. Muitas
não contam com investimento necessário e acabam
sem condições de oferecer livros ou outros materiais
a seus alunos. Dessa forma, a tarefa de inserir cidadãos
no mundo da leitura torna-se penosa e extremamente difícil
de ser alcançada.
Por outro lado, muitos colégios com condições
de realizar atividades explorando o hábito de ler, mostram-se
passivos quando o assunto é a formação
de leitores. Um grande erro, já que a leitura é
essencial para o desenvolvimento de muitas habilidades do ser
humano e é necessária em todas as profissões.
Também não se pode negar a parcela de culpa de
alguns sistemas de vestibular, que exigem dos estudantes o conhecimento
de uma vasta lista de livros. Uma vez que um aluno chega à
7ª ou 8ª série sem gostar de ler, dificilmente
isso ocorrerá nos próximos anos de ensino fundamental
e médio. Nesses próximos anos, a leitura não
se apresentará aos alunos como uma atividade opcional
e convidativa, mas como uma dura obrigação que
perseguirá o estudante. Não que nossa literatura
brasileira seja chata ou um problema na formação
de leitores, mas convenhamos que é mais didático
começar a ler livros descompromissados e depois partir
para obras com um teor crítico.
A pergunta que fica é: As escolas brasileiras estão
formando leitores?
A grande maioria das pessoas que gostam de ler, o fazem por
gosto próprio e não por incentivo de uma educação
de qualidade. Caso você tenha dúvidas, procure
conversar com jovens que estão para sair do colégio
ou que deixaram-no a pouco tempo. Pergunte se gostam de ler
e se a escola empenhou-se nisso.
A verdade é amarga. Fica evidente que é preciso
um maior empenho na formação de leitores. Afinal,
ler realmente faz bem. E se você está tomando gosto
pela leitura agora, com certeza descobrirá isso.
Analisando o artigo mais recente do ilustre colega sobre política
e educação pude perceber o quão nítidas
ainda são a descrença e revolta dos brasileiros
no que diz respeito aos rumos que tais aspectos tomaram, embora
sempre tenhamos esperança e criemos expectativas quanto
a um país mais justo, seja em todos aqueles que julgamos
serem essenciais para o desenvolvimento de uma nação,
como os já citados.
Apesar de certos avanços nos campos educacionais e políticos,
ainda há muito o que se fazer. Passado o período
da ditadura militar, onde direitos constitucionais foram violentamente
tolhidos, conseguimos, de certa forma, conquistar espaços
em diversos meios sociais que nos deram o já fadado título
de “o país do futuro”, mas que, por outro
lado, não foi posto em prática como deveria.
A abertura política, mesmo nos dando condições
de livre escolha nas eleições, não foi
um fator determinante na transparência política
que esperávamos, pois à medida em que os partidos
tornaram-se independentes e numerosos em termos de filiados
cresceu também a corrupção que cada dia
estampa as manchetes dos diversos veículos de comunicação
que temos acesso.
Em relação à educação é
notório o progresso conquistado: aumentamos os índices
de alfabetização, crianças tiveram mais
acesso à escola ( é verdade que programas sociais
como os em andamento contribuíram de sobremaneira para
tal ), projetos educacionais foram desenvolvidos, entre outras
ações. Todavia, o método ainda é
falho e a atuação dos órgãos responsáveis
pela fiscalização das leis que garantem os direitos
e garantias fundamentais para jovens e crianças está
aquém do que está disposto na Constituição
Federal, pois o número de crianças nas ruas e
em trabalhos incompatíveis com a idade de aprendizagem
é cada vez maior.
Escândalos políticos, índices de corrupção
que elevam nosso país entre os mais corruptos, tráfico
de influência, sem citar abertamente outros fatores como
violência, segurança pública, são
objetos de extrema importância num país que se
diz emergente. Não é o nosso caso. Ainda engatinhamos
quando se fala em transparência política. Não
seria exagero afirmar que em toda ou quase toda unidade de nossa
federação vemos algum representante eleito pelo
povo se destacar não por suas ações sociais
beneficentes, mas sim por sua conduta de desviar dinheiro público
destinado ao bem estar social, beneficiando-se da confiança
da população e da máquina administrativa
para simplesmente aumentar seu patrimônio financeiro.
Embora a educação tenha progredido em termos de
números, regredimos nos fatores qualidade de ensino e
acesso à universidade pública, pois o crescente
número de instituições particulares comprova
a ineficácia do ensino em nosso país. A desigualdade
na distribuição de renda, a alta carga tributária
e a reforma administrativa tão exigida contribuem decisivamente
para tal ineficiência. Não há, de fato,
um empenho no sentido de buscar saídas que viabilizem
uma mudança do atual quadro político e educacional
em que nos encontramos.
Não precisamos ser a potência sócio-política,
econômica e industrial tantas vezes imposta pelos demagogos
que insistem em nos rotular por algo que já somos. Sim,
somos essa potência. Basta apenas que tenhamos o mínimo
de bom senso no momento de nossas escolhas políticas
e não deixemos que falsos discursos e interesse financeiros
interfiram no nosso livre arbítrio, pois povo que não
conhece sua estória está fadado a repeti-la.
Augusto Freitas
Acadêmico do 3º período do curso de Comunicação
Social / Jornalismo da Faculdade Maurício de Nassau.
E-mail: augusto.freitas@dpnet.com.br
POLÍTICA E EDUCAÇÃO
Estive pensando um pouco, refletindo sobre nossa política
e os passos que ela deu e que está dando em direção
a uma democracia um pouco mais justa e igualitária para
nosso povo.
Penso em toda política que se fez até hoje, voltada
apenas para o crescimento do país, sem que nenhuma vez
se refletisse sobre o social e a participação
do povo neste empreendimento desenvolvimentista.
Gostaria de refletir com vocês as propostas defendidas
por partidos que hoje não dominam o cenário político,
mais que estiveram à frente de nosso país desde
que vivemos a chamada nova democracia brasileira. Se observarmos
bem, veremos que todas têm um caráter de desenvolvimento
econômico, com a diminuição da carga de
tributária para as empresas, estimulo a criação
de indústrias com a política de incentivos ficais
ao qual deixa nosso país a mercê do capital estrangeiro,
que fixa suas fábricas isentas de impostos e ameaçam
fechá-las logo que estes incentivos acabam, sem contar
várias outras propostas de criação de mão
de obra barata com criação de escolas técnicas
para suprir as necessidades da indústria que precisa
cada vez mais de uma mão de obra especializada.
Alguns irão pensar, que eu estou surtando ao criticar
este tipo de política, tão empreendedora e desenvolvimentista.
Cuja qual criaria uma grande quantidade de empregos.
Na tentativa de explicar essa crítica defendo a tese
que em um curto prazo, medidas como essas seriam de total apoio
popular e teriam resultados palpáveis ainda no governo
que os implementassem, entretanto gostaria de ver um Brasil
crescendo de forma verdadeira e sólida não baseada
nas esmolas salariais impostas pelo capital neoliberal, mais
sim um crescimento do povo como indivíduo transformador
da sociedade.
Políticas como esta vão sim dar mais empregos,
mais que empregos são estes? Empregos com salários
baixos, dentro de uma realidade que não permite que tenhamos
um mínimo, como este que temos, empregos que nos deixem
submissos a uma disparidade salarial entre os cargos de chefia
e os cargos de menos prestígio.
Dentro desta ótica que estou tentando demonstrar, gostaria
de enfatizar que só existe uma saída, saída
esta que já foi comprovada em outros países e
que teriam grandes chances de ser bem sucedida no Brasil, A
EDUCAÇÃO!!!
Esta seria a base forte que precisamos para dar sustentação
cultural a nosso povo para que aí sim possa se alçar
saltos mais altos e conscientes, dar um direito de escolha para
a maioria da nossa população que hoje age por
simples reflexo do que está a sua volta sem ter a consciência
do todo, tendo em vista que nunca teve a oportunidade de obter
conhecimento real em um nível bem acima do que estão
acostumados.
A saída pela educação propiciaria uma nova
era de desenvolvimento, a pesquisa seria seu carro chefe, pois
criar é melhor do que comprar.
Pensando assim, gostaria de lançar este alerta, pois
todos falam em desenvolvimento pela educação,
mais o que vemos são investimentos insignificantes, perto
do que é investido na indústria, nos bancos e
nos empréstimos a fundo perdidos para agricultura, por
exemplo.
Quero sim um Brasil melhor, um Brasil onde primeiro cresça
seu povo para que assim ele cresça junto, fazendo de
nós esta potência que há tempos ouvimos
dizer que nos tornaremos. Com a educação melhorando
todos os problemas da nossa sociedade, como a violência,
a cultura, a capacidade de se desenvolver e andar com nossas
próprias pernas, iremos sim surgir como um grande país
e conseqüentemente como uma nova potência.
Volnei Belém de Barros Neto
Estudante do 3° semestre do Curso de História da
UFPE
E-mail : volneiint@yahoo.com.br