A história que tenho para contar nesta semana não
poderia ser outra se não a do carnaval. Vocês sabem
como ele surgiu? Pois é... Cerca de dez mil anos antes
do nascimento de Jesus Cristo, as pessoas se reuniam, usando
máscaras e pintando seus corpos, para dançarem
rituais que espantassem os demônios das más colheitas.
Até os egípcios e gregos também faziam
grandes festas para homenagear os seus deuses.
Com o tempo, o carnaval foi absorvendo cada vez mais manifestações
folclóricas e se difundindo ao redor do mundo. No Brasil,
ele foi trazido pelos portugueses, que chamavam a festa de Entrudo.
Nesta festividade, as pessoas corriam umas atrás das
outras fazendo um verdadeiro mela-mela com água, farinha
e limão. Pense na lambuzeira... Com um tempo, foram substituídos
pelos confetes e serpentinas que jogamos até hoje.
Os foliões podem curtir o carnaval de diversas maneiras
atualmente. Além das micaretas (carnavais fora de época),
os quatro dias de animação são agitados
de várias formas ao longo do país. Enquanto no
Rio de Janeiro e em São Paulo podemos admirar os desfiles
das escolas de samba, a Bahia é marcada pelo axé
em cima dos trios elétricos.
Em Pernambuco, a variedade de ritmos e culturas faz do nosso
carnaval um dos mais mágicos do Brasil. No Recife, pode-se
conferir o brilho das roupas dos passistas de frevo (ritmo surgido
nos grandes bailes dos clubes e que ganhou passos derivados
da capoeira), grandes destaques do Galo da Madrugada, maior
bloco carnavalesco do mundo. Indo até Olinda, é
possível subir e descer as ladeiras ao som de orquestras
de frevo, grupos de maracatu e acompanhar as inúmeras
troças. O colorido dos caboclos de lança também
chama muito a atenção de quem aparece por lá.
Todos os anos, eu levo o Depeludo comigo, fantasiado de bumba-meu-boi,
mas é difícil agüentar tantos dias de folia
sem se cansar.
No ano passado, eu e meu companheiro canino ainda aproveitamos
que o Mago Mala estava doente para darmos um pulinho no interior
pernambucano. Em Bezerros, encontramos os papangus, umas figurinhas
bem esquisitas que usam máscaras e assustam a criançada
(eu confesso que fiquei um pouco com medo). Em Pesqueira, foi
a vez de nos divertirmos com as Caiporas, que saem para brincar
usando terno, gravata e um saco na cabeça (pense no calor
que deve fazer), enquanto que em Goiana, o colorido dos Caboclinhos
nos fez lembrar das tradições indígenas.
Pois é, amiguinhos... Temos que sempre lembrar que, além
de muita diversão, conhecer o carnaval é uma verdadeira
aula sobre a nossa cultura popular. Então aproveite para
vestir a sua fantasia e cair na gandaia. Ah sim... Se algum
de vocês encontrar o Mago Mala durante o carnaval, me
avisem. Estou procurando-o há dias. A última notícia
que tive foi que ele estava fantasiado de super-herói
no baile da Sala da Justiça...