Audiovisual 'Macarrão ao molho negro' escancara realidade nas periferias da RMR Confira o videoclipe dos pernambucanos Afroito e Nena Callejera. As cenas foram gravadas em Dois Unidos, Caixa D Água , Coque e Barro

Por: Samuel Calado - Redes Sociais

Publicado em: 10/01/2019 22:07 Atualizado em: 10/01/2019 22:38

A produção aborda a realidade das periferias da Região Metropolitana do Recife. Foto: Divulgação
A produção aborda a realidade das periferias da Região Metropolitana do Recife. Foto: Divulgação

Com uma música que transita entre o o brega, o soul, o rap e o funk, os pernambucanos Afroito, Nena Callejera, Thiago Dyllan, Adelmo do Vale e outros artistas da cena cultural do estado lançam o videoclipe Macarrão ao molho negro (MMN). A produção bebe da técnica de videoart para tocar diversas questões sociais ligadas ao cotidiano das periferias da Região Metropolitana do Recife. 

O cantor e compositor Afroito, de 25 anos conta que não se trata apenas de cantar por cantar. É ocupar, resistir e dar voz a realidade das periferias. Isso é visto nas cenas de MMN.  “Eu clamo que parem de nos matar para que eu possa cantar as minhas alegrias e que não tenha mais a necessidade de cantar as minhas agonias”, relata.  Suas composições transitam entre gênero, sexualidade e religiosidade de matriz africana. 

O material toca diversas questões sociais e denuncia o genocídio da população negra no Brasil. Foto: Divulgação
O material toca diversas questões sociais e denuncia o genocídio da população negra no Brasil. Foto: Divulgação

Núbia, a Nena Calajera também utiliza a música e o corpo como instrumento político. A mulher trans de 26 anos sentiu/sente as as discriminações que a travesti negra e periférica vivencia todos os dias. Desde 2014 ela escreve rimas e já participou de vários recitais e batalhas de Slam na Grande Recife. Agora, está se lançando no audiovisual e promete lançar outros videoclipes. 

A direção do curta é do publicitário olindense Thiago Dyllan, de 21 anos. Ele conta que a semente do trabalho cresceu há um ano. "O clipe tem um trabalho performativo, com partituras corporais de guia, que mediam o processo. São reverberações de experimentos", explica. Desde cedo, o jovem já tinha paixão pelo cinema e chegou a realizar outras produções como Negro Malandro e A ressurreição da cor.  No MMN além de produzir, ele também participa das performances. 
 
Macarrão ao molho negro se apresenta como parte de um novo movimento nascido nas comunidades. Foto: Divulgação
Macarrão ao molho negro se apresenta como parte de um novo movimento nascido nas comunidades. Foto: Divulgação

As cenas foram gravadas em Dois Unidos, Caixa D’água, Coque e Barro. Além dos cantores Afroito e Nena Callejera, participam do videoclipe também os artistas Lua Luz, B0neka, Thiago Dyllan, Jair Simão, Jares Santos, Leonardo Mello e Adelmo do Vale. O grupo vem emergindo um novo movimento cultural pernambucano que utiliza o audiovisual, a musicalidade e a força das periferias para denunciar as desigualdades sociais. Ninguém está em cena por acaso. Cada passo busca representar uma militância diferente com um único objetivo, o da dignidade. Becos e morros sonoros pedindo o fim do genocídio da população periférica. Nesse cenário, a musicalidade surge como um importante instrumento de visibilidade. 


Assista ao vídeo:
 



Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.