Música Cristina Amaral lança álbum de inéditas e se prepara para show na Alemanha Composto por Severino Luiz de Araújo, A Flor do Sertão contém 12 faixas que celebram o Nordeste, tanto nos ritmos quanto nas poesias

Por: Emannuel Bento - Diario de Pernambuco

Publicado em: 09/01/2019 11:28 Atualizado em:

A cantora que comemorou 35 anos de carreira em 2018 agora se prepara show em Berlin. Foto: Paulo Paiva/DP
A cantora que comemorou 35 anos de carreira em 2018 agora se prepara show em Berlin. Foto: Paulo Paiva/DP

O compositor pernambucano Severino Luiz de Araújo é atuante na cena pernambucana desde 1984. Sempre prezou pela elaboração de canções com teor regional e temáticas nordestinas, sobretudo inspiradas no Sertão. No ano passado, iniciou uma relação de amizade e imersão criativa ao lado de Cristina Amaral, uma das principais cantoras da cultura local. Foi a consolidação de uma parceria iniciada em 2001, com o frevo Homem da meia-noite (melodia de Nelson Luiz e arranjos de Maestro Duda). 

Severino encontrou nesta personalidade feminina, nascida em Sertânia, o timbre perfeito para entoar algumas de suas tantas letras engavetadas. O resultado é A flor do Sertão, novo disco de inéditas da cantora, inteiramente composto por Severino e com direção musical do Maestro Fábio Valois, que também disponibilizou seu estúdio para as gravações. O lançamento do projeto será nesta quarta-feira (9)na loja Passa Disco, localizada no bairro do Espinheiro, a partir das 19h. A cantora estará presente e o disco será vendido por R$ 10.

O projeto é composto por 12 faixas que celebram o Nordeste, tanto nos ritmos quanto nas poesias. "Cristina é uma pessoa de referência da música nordestina, pois é originária de Sertânia, cantava no coro da igreja, veio tendo contato com as pessoas da cidade e por fim instalou-se no Janga", diz o compositor, ao justificar o convite. "Escrevi todas as músicas desse álbum em casa, em um período em que estive doente. Foi chegando outubro e gravamos".

Seguindo o estilo de Araújo, o álbum é predominante regional. Não olhe para o céu é uma típica marchinha junina, enquanto Vaqueiro de Serrita soa como uma toada tradicional. Um dos destaques é A agonia do Beberibe, um baião de tom social que critica o abandono do rio cuja nascente fica em Camaragibe. "A miséria e a fome resumem o homem ao lixo do lixo / Só carrega sujeira, resto de cocheira da nascente à foz", canta Cristina, com ares políticos que remetem ao estilo de Zé Ramalho.

Outra canção nessa linha é Transposição do Rio São Francisco, projeto que data desde o período do Império e ainda não foi totalmente solucionado. Severino usa da problemática como ponto de partida para poetizar várias dificuldades do povo sertanejo. "As músicas têm a cara do Sertão, o que justifica o título", reforça Cristina Amaral. "É um estilo um pouco diferente do que eu faço, pois são bem mais temáticas, mas gostei muito do convite e do resultado, soou como uma homenagem. A melhor parte é que fizemos um registro das composições do Severino. São músicas muito bonitas".

FORRÓ EM BERLIM
Foto: Paulo Paiva/DP
Foto: Paulo Paiva/DP
Em 2018, Cristina comemorou 35 anos de carreira com uma série de eventos, com destaque para o lançamento do CD e DVD Minha vida, minha voz. Também recebeu o título de Dama do Cais do Sertão, dado pelo equipamento cultural localizado no Bairro do Recife para comandar e promover as ações de valorização do forró. 

Nesta semana, a sertaneja foi anunciada como uma das atrações do Psiu! Forró Festival Berlin 2019, realizado no Centro Internacional de Cultura da ufaFabrik, na capital da Alemanha, de 24 a 27 de janeiro. A grade conta com shows de forró e oficinas de dança que exploram o ritmo e suas variações, como coco e xaxado. Neste ano, o evento também contará com Geraldinho Lins, Beto Farias, Benil e Raphael Moura. “Eu amei o convite, até porque, como sempre digo, o forró é um meio machista, existem muitos forrozeiros homens e poucas mulheres”, avalia.

Cristina Amaral também explica que esse tipo de festival está em ascensão pelo mundo. "O forró tradicional está mais valorizado no exterior do que no próprio Nordeste, por incrível que pareça. São mais de 50, espalhados pela Europa e Estados Unidos. É um tipo de evento que está crescendo e evoluindo cada vez mais. Já fiz shows pela Europa, mas neles eu cantava de tudo. Agora posso representar toda a classe das cantoras pernambucanas, mas sobretudo o nosso forró. Isso para mim é tudo", conclui.




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