Teatro Adaptação inusitada de Nelson Rodrigues entra em cartaz no Recife Musical O Beijo no Asfalto entra em cartaz no Teatro Luiz Mendonça, em Boa Viagem

Por: Breno Pessoa

Publicado em: 03/09/2018 08:31 Atualizado em: 03/09/2018 09:30

 Os ingressos custam R$ 25 e R$ 12,50. Foto: Américo Nunes/Divulgação
Os ingressos custam R$ 25 e R$ 12,50. Foto: Américo Nunes/Divulgação

Já levada ao palco inúmeras vezes desde seu lançamento, em 1960, e com duas adaptações musicais, O beijo no asfalto, de Nelson Rodrigues, ganhou, em 2015, sua leitura mais inusitada: um espetáculo musical. A montagem, idealizada pelo ator e compositor Claudio Lins e pelo diretor João Fonseca, será encenada no Recife nesta terça (4) e na quarta-feira (5), no Teatro Luiz Mendonça, no Parque Dona Lindu, em Boa Viagem, Zona Sul do Recife. Os ingressos custam R$ 25 e R$ 12,50 (meia) e podem ser adquiridos pelo site eventim.com.br ou nos pontos de venda da Ticket Folia, nos shoppings Recife, Guararapes, RioMar, Tacaruna e Boa Vista.

“Sem dúvida, é o que mais gosto, o que mais me identifico”, diz Claudio Lins sobre a predileção por O beijo no asfalto, entre as 17 peças escritas pelo pernambucano Nelson Rodrigues. “Na minha opinião, é o texto mais bem escrito de todos dele”, diz, acrescentando que a ideia original para a nova montagem não seria um musical.

Lins conta que havia convidado o diretor João Fonseca, com quem trabalhou no espetáculo musical Gota d’água, para conversar sobre a ideia, em 2009. Ao fim da reunião, Fonseca deu a ideia de encenar a peça de Nelson Rodrigues também como um musical. “Ele não lembra que a ideia foi dele”, recorda. “Fiquei com aquilo na cabeça e, um ano depois, comecei a mostrar uma linha do que poderia ser as músicas do espetáculo e ele adorou”, acrescenta.

As 15 canções do espetáculo não trazem, diretamente, o texto de Rodrigues musicalizado, mas são composições originais com inspiração na obra e com sonoridade que remete à época. “Nelson é a origem de tudo, sempre”, garante Claudio Lins, explicando que algumas das composições trazem trechos de O beijo no asfalto e que o texto do autor também guiou, por vezes, a métrica das músicas.

Sobre os gêneros musicais que serviram de referência, ele cita samba-canção, bolero, marcha de carnaval, do fim anos 1950 e início dos 1960. Cauby Peixoto, Tito Madi, Vicente Celestino (um dos favoritos de Nelson), Orlando Dias, Roberto Silva, Nelson Gonçalves, Anísio Silva e Dolores Duran estão entre os artistas que também serviram de inspiração para a construção do musical. As faixas são executadas ao vivo, com acompanhamento de banda e bases pré-gravadas.

“Transformar (a peça) em um musical acabou dando volume, expandindo esse texto para outras interpretações, outra dimensão, sem, de maneira nenhuma, deturpá-lo ou subvertê-lo. Pelo contrário, acho que as canções entraram para reforçar o texto. Esse é o equilíbrio que deve existir no musical, entre a dramaturgia e a música, um sustentando o outro e não se sobressaindo”, pontua.

A peça acompanha o caos pessoal vivido por Arandir, que passa a ser importunado pela imprensa e família após prestar socorro a um homem vítima de acidente e atender seu último desejo: um beijo. O episódio é presenciado por Aprígio, sogro de Arandir, e pelo jornalista Amado Ribeiro, que decide transformar o fato em manchete de jornal. Além de Claudio Lins no papel de Arandir, a produção tem no elenco Thainá Gallo (Selminha), Luca de Castro (Aprígio), Juliana Marins (Dália), entre outros. A direção musical é de Délia Fischer.

SERVIÇO
O beijo no asfalto - O musical
Quando: terça-feira (3) e quarta-feira (4), às 20h
Onde: Teatro Luiz Mendonça, no Parque Dona Lindu
Ingressos: R$ 25 (inteira) e R$ 12,50 (meia)
Duração: 150 minutos
Classificação: 14 anos


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