DP nos Bairros Centro Cultural Benfica realiza extensa programação cultural no Recife Ainda não tão conhecido pelo público, equipamento de extensão da UFPE agrega peças teatrais, exposições, oficinas e literatura

Por: Emannuel Bento - Diario de Pernambuco

Publicado em: 30/08/2018 10:45 Atualizado em: 30/08/2018 18:04

Centro funciona no casarão de número 150 na Rua Benfica. Foto: Leo Malafaia/Esp. DP
Centro funciona no casarão de número 150 na Rua Benfica. Foto: Leo Malafaia/Esp. DP

Em março de 1932, artistas pernambucanos de destaque, entre eles o pintor Murillo LaGreca, se reuniram em um ateliê para discutir a criação de uma instituição com objetivo de ministrar conhecimentos artísticos diversos. O resultado foi a consagrada Escola de Belas Artes de Pernambuco, inaugurada naquele mesmo ano em um casarão do século 19 localizado no número 150 da Rua Benfica, no bairro da Madalena, Zona Norte do Recife. Aulas de arquitetura, pintura, escultura, música e teatro foram realizadas no local até 1976, quando os cursos migraram para o então recém-inaugurado Centro de Artes e Comunicação, na Várzea.

Em 2001, após anos sem atividades, o prédio tombado voltou a ter vida pela mesma motivação de outrora: ser um ambiente para promover, simultaneamente, educação e cultura. Inaugurado como uma extensão da UFPE, o Centro Cultural Benfica agrega diversas linguagens artísticas, sendo responsável por realizar exposições, projeção de filmes, lançamentos de livros, oficinas, seminários e peças teatrais no Teatro Joaquim Cardoso. Confira a atual programação completa no fim da matéria.

“Somos um centro cultural diferente, pois fazemos parte de uma universidade. Nosso principal objetivo é a formação. Realizamos muitas oficinas, além de debates com o objetivo de análise. Queremos formar novos artistas e espectadores mais antenados”, diz Luís Reis, diretor de Cultura da UFPE, professor do curso de Teatro e dramaturgo. “Acolhemos a arte de uma forma muito ampla e diversa, desde a cultura popular tradicional até vanguardas que propõem investigações de linguagens, além da cultura pop e midiática.”

As exposições são realizadas no Instituto de Arte Contemporânea (IAC), que procura promover artistas plásticos pernambucanos, brasileiros e até mesmo do exterior. Ainda existem ateliês que buscam atender aos estudantes da UFPE. Também é possível visitar o Acervo Museológico Universitário, que reúne uma coleção de obras de cerâmica, esculturas, artesanato, incluindo peças do caruaruense Mestre Vitalino. A literatura é contemplada com a Livraria Benfica.

Luis Reis conta que, apesar de funcionar há quase 20 anos em uma área tão central do Recife, o Centro ainda não é tão popular entre o público em geral. “Muitas pessoas estão descobrindo o local agora, mas é muito importante que a cidade apoie esse espaço, que as pessoas acompanhem o que está acontecendo lá. Existe todo um potencial para ser explorado”, afirma. As atividades, assim como as aberturas de editais, podem ser acompanhadas no Facebook Instagram (@benficaufpe) da instituição.

PALCO DE MESTRES
Inaugurado na década de 1980, o Teatro Joaquim Cardozo hoje integra o Centro e conta com 50 lugares para o público. Foi nesse espaço que diversos dramaturgos ministraram o célebre Curso de Formação do Ator (CFA), que funcionou como uma oficina de criação e aprendizado. Entre 1981 e 1991, as pessoas que queriam se iniciar no teatro tiveram a chance de estudar com grandes nomes: Antonio Cadengue (que faleceu no começo deste mês), João Denys, Marcos Camarotti, Carlos Bartolomeu, José Francisco Filho, Ricardo Bivi e Lúcio Lombardi.

“Hoje, o Joaquim Cardozo tem caráter formativo, abrindo espaço para produções dos alunos. Apesar de pequeno, é um espaço equipado para receber espetáculos de qualidade, principalmente como um espaço de investigação cênica aos alunos. Também abrimos pautas para grupos de fora”, diz Luis. 

Tudo que é Bonito é Bordô foi inspirado  na obra literária da escritora paulista Hilda Hilst. Foto: Divulgação
Tudo que é Bonito é Bordô foi inspirado na obra literária da escritora paulista Hilda Hilst. Foto: Divulgação


Em abril, o espetáculo Vereda da salvação esteve em cartaz no local. Nesta sexta-feira (30), será a última apresentação de uma peça que foi sucesso de público: Tudo que é bonito é bordô, apresentada em todas as sextas-feiras de agosto, sempre às 20h. Com orientação do professor Marcondes Lima, o projeto foi todo realizado por estudantes: direção de Analice Croccia e Ellis Regina e atuação de Carlos Lima, Gaby Suamy, Mayk Moura e Ytalo Santana. A montagem foi inspirada na obra literária da escritora paulista Hilda Hilst (1930-2004).

CONFIRA A PROGRAMAÇÃO COMPLETA

PEÇA
A última apresentação do espetáculo  Tudo que é bonito é bordô será nesta sexta-feira (30), às 20h. Entrada gratuita, com ingressos a serem retirados na bilheteria uma hora antes do início da peça. 

DANÇA
A oficina Introdução à dança Waacking, estilo de dança urbana nascido nos clubes LGBTs americanos nos anos 1970, será ministrada pela dançarina e mestra em antropologia Paula Dri. As aulas acontecem aos sábados, entre 15 de setembro e 10 de novembro. Informações: cultura@ufpe.br.

EXPOSIÇÃO
Exposição de arte postal e fotografia coordenada pela professora Renata Wilner. Entrará em cartaz no dia 18 de setembro e seguirá até o final de outubro.

TEATRO PARA IDOSOS
O Teatro Joaquim Cardoso receberá aulas de teatro semanais para um grupo de 25 idosos. O curso se encerra com a apresentação de um curto espetáculo desenvolvido pelos alunos sob a orientação da professora Milena Marques. As aulas serão ministradas nas quartas-feiras pela manhã, das 9h às 11h, entre setembro e dezembro.

LITERATURA 
O projeto internacional Leia Mulheres consiste em encontros mensais para a discussão de produção literária feita por mulheres. No Recife, terá mediação das jornalistas Carol Almeida e Maria Carolina Morais. Começa em setembro, com reuniões nas últimas quarta-feira de cada mês.

CÊNICAS
Em parceria com o festival Câmbio, serão realizadas duas atividades cênicas: uma oficina sobre internacionalização de projetos culturais na área de cênicas com a produtora espanhola Iva Horvat (de 5 a 9 de setembro, das 14h às 18h) e uma residência artística com a atriz polonesa Anna Karasínska (de 10 a 21 de setembro, das 14h às 18h). O resultado da residência será apresentado no Joaquim Cardozo, no dia 21, às 19h.

TEATRO INFANTIL
O Núcleo de Pesquisa em Teatro para a Infância (NUPETI), sediado no Teatro Joaquim Cardozo, fará apresentação dos seus espetáculos voltados para o público infantil aos domingos de setembro e outubro. Programação será anunciada em breve.

SEMANA DE CÊNICAS
Parceria com a Semana de Cênicas, do Departamento de Teoria da Arte e Expressão Artística do CAC. O Teatro Joaquim Cardozo receberá parte da programação de espetáculos do evento. Acontecerá em novembro, com datas a confirmar.

OFICINA MARIPOSA CARTONEIRA
Oficina de editoração artesanal realizada em parceira com a editora Mariposa Cartoneira, ministrada pelo seu fundador, o escritor e editor Wellington Melo. Acontecerá em novembro, com datas a confirmar.

PEQUENOS ESPETÁCULOS
Primeira edição do projeto que, através de chamada pública, que apresentará um recorte da atual produção teatral da cidade. A mostra terá dois momentos: apresentação de espetáculos e seminários críticos, com a presença de pesquisadores e críticos teatrais. Acontecerá entre novembro e dezembro, com datas a confirmar.


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