Alta PIB do primeiro semestre de Pernambuco cresce o dobro do PIB brasileiro No mesmo período, foram gerados cerca de cinco mil novos postos de trabalho no estado

Por: Thatiana Pimentel

Publicado em: 10/09/2018 13:12 Atualizado em: 11/09/2018 10:23

O Produto Interno Bruto (PIB) de Pernambuco, que é tudo o que foi produzido de bens e serviços no estado, cresceu o dobro que o do Brasil no primeiro semestre de 2018, ficando em 2,2% contra 1,1% do resultado brasileiro e 2,3% a mais que o PIB pernambucano do segundo trimestre de 2017. Os números positivos indicam uma consolidação da tendência de recuperação da economia local de forma mais acelerada que a nacional, o que reflete numa retomada de crescimento definitiva do estado antes que a retomada do crescimento da economia do Brasil, cuja previsão dos economistas deve ocorrer entre 2020 e 2021.

Esse desempenho decorreu principalmente do comportamento dos três grandes setores econômicos tendo a Agropecuária um crescimento de 17,3% no período, a indústria de 3,1% e o setor de serviços, de 1,2%. No mesmo período, foram gerados cerca de cinco mil novos postos de trabalho no estado.

Segundo Maurílio Lima, diretor de Estudos, Pesquisas e Estatística da Agência Estadual de Planejamento e Pesquisas de Pernambuco (Condepe/Fidem), responsável pela análise e divulgação dos dados, a perspectiva é que Pernambuco registre um PIB de 3% em 2018. "Estamos otimistas porque a recuperação já começou. Teremos resultados de safras no segundo semestre e esperamos um reflexo também do crescimento industrial paulista, que registrou alta de 4,8% no primeiro semestre deste ano. Isso tem impacto na economia pernambucana porque a nossa indústria tradicional complementa a indústria do sudeste",ressalta o pesquisador.

Análise da notícia
por Fernando Dias - Ph.D em Economia e professor da UFPE

Em corrida de tartarugas, o PIB de Pernambuco se destaca

Com a divulgação do resultado do PIB do 2º trimestre de 2018 pelo Condepe/Fidem, tem-se um retrato um pouco mais claro da economia pernambucana ao longo deste ano. Como esperado, o desempenho local foi bem melhor que o brasileiro, cenário que se mostra firme desde o início da recuperação econômica em 2016. Também como esperado, o desempenho aqui, e ainda pior no Brasil, está longe, muito longe do que seria adequado para a recuperação do emprego e da renda. A economia pernambucana cresceu neste segundo trimestre 2,2% contra 1,1% do Brasil, enquanto no primeiro trimestre crescemos 1,9% contra 1,2% no país como um todo.

Um desempenho notável, crescemos duas vezes mais que o Brasil! Não necessariamente, apesar da grandeza matemática. Se pensarmos o crescimento econômico como uma corrida onde estamos quilômetros atrás dos líderes, estamos todos em cima de tartarugas. Não há qualquer possibilidade de alcançarmos sequer a renda per capita dos estados do Sul e Sudeste nos próximos cem anos se continuarmos crescendo deste jeito. Mas isto é outra discussão.

O que vem puxando o crescimento de Pernambuco? Agricultura, indústria de transformação e atividades imobiliárias. Em termos de crescimento relativo, a agricultura é de longe o destaque, principalmente devido ao efeito da redução da estiagem sobre as culturas de subsistência: feijão, mandioca e milho. Cana? Não, esta não teve qualquer destaque. Já na parte de serviços se destacou a intermediação de imóveis e, mais importante, a indústria de transformação mostrou força e deu impulso à economia.

A metalurgia e a produção de veículos foram os principais expoentes neste primeiro semestre, mas o resultado foi positivo para quase todos os setores. Isto é muito bom, pois a indústria crescendo gera impulso para que o setor de serviços cresça e o efeito tende a ser sustentável. Infelizmente a construção civil foi à exceção negativa da indústria, e isto é bem ruim porque este é o setor que mais emprega por estas paragens em que ainda impera a baixa qualificação da mão de obra. Outro destaque negativo é que o comércio também caiu, o que pode ser revertido desde que o impulso atual da indústria se dissemine pelos demais setores.

Com este resultado, o PIB pernambucano deve passar dos R$ 180 bilhões neste ano e deve manter um resultado melhor que o brasileiro. É uma boa notícia, mas não devemos nos enganar nem nos contentar. Se tivermos como foco atingir níveis satisfatórios de desenvolvimento e distribuição de renda, não vai ser crescendo 2% ou 3% ao ano que chegaremos lá nem nesta nem nas próximas gerações.


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