DP NOS BAIRROS Madalena mantém a tradição de antigos e novos estabelecimentos, agregando qualidade ao bairro A Madalena pode exemplificar a assertiva adequação dos comerciantes aos chamados 'tempos modernos'

Por: Patrícia Monteiro

Publicado em: 30/08/2018 10:56 Atualizado em: 30/08/2018 11:12

Ronaldo Rodrigues precisou modernizar a Massa Nobre para se manter competitivo nesse mercado. Foto: Gabriel Melo / Esp. DP
Ronaldo Rodrigues precisou modernizar a Massa Nobre para se manter competitivo nesse mercado. Foto: Gabriel Melo / Esp. DP

“Na Madalena, revi teu nome...”. Os versos de Alceu Valença do ano de 1982 certamente descreviam um bairro bastante diferente do que hoje se descortina, diariamente, aos moradores e trabalhadores da Zona Norte do Recife. Além de residencial, ele possui, cada vez mais, uma forte característica: a presença de vários estabelecimentos comerciais. De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente da Prefeitura do Recife, são 3.702 empresas instaladas no local. Dessas, 1.421 são comércio, 1.915 da área de serviços, 160 indústrias, 202 da construção civil e quatro de agricultura. Na área de alimentos e bebidas, a Madalena pode exemplificar a assertiva adequação dos comerciantes aos chamados “tempos modernos”. Os bares e padarias que ostentam, como uma espécie de certificado de garantia, seus anos de existência, também souberam se adaptar às mudanças necessárias e demandas de um público cada vez mais ávido por diversificação.

A padaria Massa Nobre, localizada na Rua José Bonifácio, possui 20 anos de existência. Ronaldo Rodrigues, à frente da administração desde o ano de 2004, conta que, ao assumir a direção, decidiu focar ainda mais na qualidade do atendimento e na pluralidade de itens oferecidos aos clientes. Além disso, investiu, há cerca de dois anos, mais de R$ 1 milhão em uma reforma que englobou toda a parte interna da loja, layout e novos equipamentos, por exemplo. Além de tudo relacionado à panificação (confeitaria, padaria, pastelaria, etc), a casa disponibiliza trattoria (massas, pizzas, crepes, sanduíches gourmet), adega de vinhos, queijos especiais, sushi e buffet no café da manhã, almoço e jantar. “Nós triplicamos as opções para o cliente em todas as áreas”, conta. E é a fabricação caseira a chamada “prata da casa”, respondendo por 70% a 75% das vendas.

“Só o tradicional pãozinho francês vende em torno de 2 a 2,5 toneladas por mês”, informa. Mesmo com toda a concorrência do entorno – na mesma área estão também, por exemplo, a Pão Massa (Real da Torre), Engenho (Visconde de Albuquerque) e a Nova Armada (já no bairro da Torre, mas a poucos metros dela, e com 83 anos de atuação) - a Massa Nobre recebe cerca de 500 a 600 clientes por dia, vindos não apenas do bairro. “Há pessoas que saem de Boa Viagem apenas para tomar café aqui”, conta Ronaldo. 

NA VITRINE
Mesmo quem não tem sede original na Madalena procura o endereço para comercializar seus produtos. É o caso da Galo Padeiro, padaria artesanal localizada em Santo Amaro que, desde julho de 2017, revende 80% do seu mix de produtos no Café Bistrô Meio do Mundo, concorrido café da área. Luciana Lima, uma das proprietárias ao lado da sócia Manuela Agrelli, explica que elas decidiram expandir para melhorar a oferta de produtos, descentralizando a distribuição e desafogando a unidade de Santo Amaro. “Esta área (Madalena/Torre/Graças) tem um bom número de clientes nossos. Achamos que fazendo essa parceria traríamos mais comodidade para eles”, informa. Mesmo tendo pouco tempo de atuação – desde fevereiro de 2016 -, as sócias comemoram o reconhecimento da Galo Padeiro como melhor padaria da cidade de acordo com a revista Veja Comer & Beber pelo segundo ano consecutivo. 

Se, em 2017, a padaria já apresentava o considerável quantitativo de vendas de 2,5 mil unidades de croissants por mês, um ano depois este número cresceu vertiginosamente. Hoje vende-se, em média, 1000 croissants diários. Outra grande procura é pelos pães de fermentação natural. Atualmente, elas vendem 3,5 mil quilos do produto mensalmente, mas possuem planos de ampliar a oferta para o público em até 50%.

EM CASA
A publicitária Marta Lima, proprietária do Café Bistrô Meio do Mundo, reafirma a boa receptividade do produto junto ao seu público já fiel. “A novidade foi super bem recebida desde o primeiro dia”. Sobre o Café, aberto há aproximadamente 1 ano e meio, ela também faz avaliações positivas. O estabelecimento funciona no mesmo endereço no qual Marta passou a infância com a família. Servindo café da manhã, almoço e jantar todos os dias, incluindo almoço executivo e pratos especiais de fim de semana, costuma ter sempre completa lotação de aproximadamente 100 pessoas. “Estamos no momento, tendo retorno dos investimentos - algo na faixa dos R$ 200 mil a R$ 300 mil - que fizemos na reforma, na transformação da cozinha convencional em industrial, em equipamentos, etc”, afirma.

Tradição e inovação estão lado a lado

Beerdock. Foto: Vinicius Lubambo/Divulgacao
Beerdock. Foto: Vinicius Lubambo/Divulgacao


Ainda de acordo com a característica da Madalena de boa convivência entre o “velho” e o “novo”, o tradicional e o contemporâneo, o setor de bares e restaurantes também dá o exemplo. Com endereços bastante próximos, no mesmo quarteirão, o Caneca Fina e o BeerDock atestam isto. O primeiro, com 15 anos de existência, aposta na tradição do caranguejo feito sempre no mesmo dia, do almoço executivo, da cerveja de 600 ml e de constantes promoções. Segundo a proprietária Silvana Chada, o diferencial é a qualidade. “Nosso espaço remete ao fundo do quintal da casa da gente, com aquela comida caseira, simples e de muita qualidade”, afirma. Com 70 mesas, costuma receber mais de 250 clientes nos fins de semana. “Um público fiel, eclético, que vem frequentemente, participa do clube do uísque da casa e que possui, majoritariamente, faixa etária a partir dos 30 anos”, conta. 

Na mesma calçada, a poucos passos do Caneca Fina, o BeerDock também possui um público mais maduro, mas aposta em conceitos menos tradicionais como o da comercialização de cervejas artesanais. Segundo um dos sócios, Fábio Catão, para o mercado local, trata-se de um produto novo com valor agregado mais alto.

“Temos 15 torneiras de chopp com produtos nacionais e importados. 40% dos rótulos são importados de locais como Bélgica, República Tcheca, Alemanha, Estados Unidos, Escócia, etc. Dos nacionais, 70% vêm do Sul e Sudeste do país, de estados como Santa Catarina, São Paulo e Minas Gerais. Na carta de cervejas, há algo em torno de 300 rótulos”, informa. 

Catão comercializa aproximadamente de 2,5 mil a 3 mil litros de chopp por mês. De garrafas, o consumo aproximado é de 1,5 mil unidades mensais. Assim como o Galo Padeiro, o estabelecimento também comemora, pelo segundo ano consecutivo, o recebimento do prêmio da Veja Recife Comer e Beber. No caso deles, como o bar com a melhor carta de cervejas da cidade. Com música ao vivo de quarta-feira a sábado, geralmente rock e blues, o Beer Dock funciona desde novembro de 2015, e possui uma unidade em Boa Viagem, aberta no ano passado. O próximo passo é a fabricação da própria cerveja. “Até o final do ano, vamos produzi-la em Boa Viagem e comercializá-la nas duas unidades”, adianta.


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