ELEIÇÕES 2018 'O Pacto pela Vida nunca saiu dos trilhos', diz Paulo Câmara em sabatina O socialista rebateu as críticas dos adversários a respeito do Pacto Pela Vida, que se transformou na 'menina dos olhos' do governo de Pernambuco

Por: Cláudia Eloi - Diario de Pernambuco

Publicado em: 05/09/2018 08:09 Atualizado em:

Foto: Thalyta Tavares/Esp. DP
Foto: Thalyta Tavares/Esp. DP
O governador de Pernambuco e candidato à reeleição, Paulo Câmara (PSB), foi sabatinado ontem pelo Diario de Pernambuco, em parceria com o Politéia, Instituto de Política da Unicap. Durante a entrevista, o governador anunciou a criação de um novo regime de previdência social em Pernambuco para os servidores que pretendem ingressar no serviço público. O socialista explicou que isso deve acontecer já no próximo ano, uma vez que a lei foi aprovada no estado. Para os servidores que fazem parte do sistema atual, nada mudará, mas para quem ingressar na máquina pública passará a ter um sistema próprio de previdência a partir da criação do regime de capitalização, quando a lei entrar em vigor. “Não vamos mexer nos (servidores) antigos que estão no serviço público. Eles continuarão a ser bancados pelo estado”, informou.

Na entrevista, o socialista rebateu as críticas dos adversários a respeito do Pacto Pela Vida, programa de combate à violência e criminalidade no estado, que se transformou na “menina dos olhos” do governo de Pernambuco. Para a oposição, no entanto, o programa está falido. Ontem, o governador voltou a falar da implantação do 13º salário do Bolsa Família para os pernambucanos de baixíssima renda, caso seja reeleito. Paulo Câmara abordou, ainda, temas como a estiagem no estado, educação, primeiro emprego e as promessas não cumpridas por conta da “retaliação do governo Temer” que “segurou” os recursos da União para não beneficiar Pernambuco por conta de divergência política.


Entrevista // Paulo Câmara // candidato ao governo pelo PSB

Bolsa Família
Temos um fundo de erradicação da pobreza que vai receber um aumento de R$ 170 milhões e vai ser disponibilizado para o pagamento do 13º do Bolsa Família (em Pernambuco). Esse recurso vai movimentar a economia do estado. As pessoas beneficiadas pelo programa vão usar o dinheiro em compras e esse investimento retornará ao estado por meio de impostos. A proposta é tão boa que nosso adversário (Armando Monteiro) copiou. É bom esclarecer à população que ele está copiando uma proposta nossa. Se todos os candidatos aderirem, farão um bem a Pernambuco.

Previdência Social
A Previdência preocupa a todos. Temos em Pernambuco uma lei aprovada para criação de um regime complementar para os novos servidores que vão entrar no estado. Isso deve acontecer no próximo ano. Os servidores atuais vão continuar sendo bancados pelo estado. É preciso fazer a reforma da Previdência no âmbito nacional, mas não pode ser como o presidente Michel Temer queria, sem diálogo, cortando direitos do trabalhador rural, tirando direitos já consagrados no âmbito do direito previdenciário. Sem sentar à mesa, nem conversar com os prefeitos e a sociedade civil, mas com um olhar apenas de fechar a conta. Não funciona uma reforma assim. A implantação desse novo regime em Pernambuco já foi aprovada em lei para os novos servidores. Não vamos mexer nos antigos que estão no serviço público. Espero que o próximo governo (presidente) tenha condições de restabelecer um nível de federação no Brasil para que os estados e os municípios sejam ouvidos e não tenha concentração de recursos como a gente vê com o atual governo federal.

Pacto pela Vida
O Pacto pela Vida nunca saiu dos trilhos. A questão é que a violência aumentou em todo o país. O tráfico de drogas e de armas sem precedentes chegou nas cidades e na zona rural. Entra arma no Brasil de todas as ordens e todo calibre. Isso resultou no aumento da violência, culminou com o aumento da crise social. Tivemos, na verdade, que ampliar os investimentos e o reforço policial do estado. Isso leva um tempo, não se contrata de imediato. O treinamento de um policial leva em torno de oito meses. Criamos batalhões especializados, ampliamos as estruturas nas delegacias de combate ao narcotráfico, criamos companhias independentes, batalhões e o Bope. Temos mais delegados, mais polícia presente nas ruas e serviço de inteligência fazendo trabalho de repressão todos os dias contra as drogas. Esse conjunto de ações está fazendo Pernambuco, pelo nono mês agora, alcançar níveis de redução de homicídios e roubos. O caminho agora é consistente de redução da violência. Vamos terminar o ano com níveis muito próximos do melhor momento do Pacto pela Vida.

O que foi feito e o que deixou de fazer
Enfrentamos a pior crise econômica, política e ética que o Brasil já teve. É preciso falar com transparência e sobre o futuro de Pernambuco. Apesar de todas as dificuldades para administrar o estado, da crise, e com o Brasil andando para trás, nós avançamos. Conseguimos melhorar o serviço oferecido à população, fizemos um grande ajuste para que houvesse um equilíbrio necessário nas contas do estado. Estamos em dia com o salário dos servidores, dos fornecedores e prestação de serviço. Temos muito o que fazer, mas muito pode ser feito principalmente no tocante às obras que a crise não permitiu fazer e principalmente na geração do emprego. É preciso recuperar os empregos que a crise tirou de Pernambuco e isso será um grande desafio.

Retaliação
A ajuda federal e as parcerias nesses últimos anos praticamente não existiram. Apesar disso, administramos e mantivemos os serviços funcionando e fizemos investimentos. Priorizamos levar água para o Agreste e Sertão, fizemos programa de saneamento, investimento na ampliação da saúde, na educação e na segurança. Pernambuco se adaptou ao momento de crise, mas tendo um governo federal que possa ser parceiro e não persiga é fundamental para Pernambuco.

Salário dos professores no estado
Sobre as promessas de 2014, a gente sabe que todas elas são válidas e necessárias. Fizemos as propostas a partir das reais necessidades para a melhoria dos serviços públicos. O salário dos professores conseguimos avançar em termos de média salarial. Em nosso programa de governo, um professor da escola regular ganha em média R$ 4,2 mil e do ensino integral a média é R$ 5 mil. Os professores que estão em nossas escolas sabem que estão numa condição bem melhor do que a há 4 anos. Temos mais de 50% de alunos em tempo integral e portanto 50% dos professores recebendo essa média, quando engloba tudo dá R$ 4,2 mil.

Combater a estiagem
Tivemos 7 anos de seca no Nordeste. Quando se fala das promessas de campanha muita gente esquece que teve áreas que não prometemos, mas tivemos que fazer por causa da crise. Um dos maiores exemplos é em relação à água e à segurança. Tivemos que investir mais em água potável por causa dos 7 anos de seca. Fizemos grandes projetos e muitas obras já saíram do papel. São obras estruturadoras. Mesmo voltando a ter anos de seca mais à frente estamos muito mais preparados hoje para enfrentar esses fenômenos naturais do que estávamos antes. A transposição do Rio São Francisco não ficou pronta. Havia um compromisso do governo federal de fazer a adutora do Agreste. Ela só ficou pronta até São Caetano e a água só vai até lá. Por conta disso, vamos deixar de fora de 30 a 40 municípios do Agreste. Por outro lado, fizemos obras como a Adutora do Pirangi, que levou água da Mata Sul para a barragem do Prata que ajudou no abastecimento. Estamos construindo a barragem de Serro Azul, que vai resolver a questão da água do Agreste Central. Estamos fazendo a obra do Alto do Capibaribe, que vai trazer água da transposição do Rio São Francisco da Paraíba para o Agreste Setentrional. Estamos com muitos projetos no Sertão. Com a chegada da transposição vamos aproveitar esta água. Há um planejamento estratégico na questão da água, tanto é que 500 mil pessoas efetivamente tiraram a lata de água da cabeça e 2 milhões de pessoas tiveram a ampliação do serviço de águas graças a essa obra do nosso governo que não estava inicialmente em nosso planejamento dos quatro anos, mas precisava ser feito.

Parcerias/municípios
No caso do ensino fundamental, criamos o modelo chamado educação integrada. Selecionamos de imediato 15 municípios em parceria com o governo para melhoria do ensino nos primeiros anos de vida, visando ampliar o nível de alfabetização com a gestão e escola em tempo integral. Os resultados são claros. O ensino médio é de responsabilidade média do estado. Criamos 400 escolas em tempo integral para estudar todo mundo. Quando a gente faz em 15 municípios é porque não dá para começar um programa como esse nas 184 cidades. Está dando certo e vamos ampliar. 

1º emprego
Ampliamos as escolas em tempo integral e criamos as escolas técnicas para justamente focar no tipo de atividade profissional dos alunos de nossas escolas. Hoje, os estudantes que terminam o ensino médio saem muito mais preparados para o primeiro emprego do que antes. Temos trabalhado pela qualificação profissional. Muitas indústrias se instalaram em Pernambuco nos últimos dez anos, além disso temos o estaleiro e a fábrica de automóveis da Fiat. Quando essas indústrias vêm para Pernambuco colocamos à disposição nossos jovens, preparamos de acordo com a peculiaridade da empresa que vai se instalar.

Relação com o Planalto
Não foi falta de diálogo (do governo Temer ao governo de Pernambuco). Foi perseguição mesmo a partir do momento que Pernambuco não teve acesso a R$ 1 de operação de crédito com tudo feito. Nós tínhamos capacidade de pagamento adequada, garantias dadas. O governo federal simplesmente não deu acesso ao crédito para que Pernambuco não tivesse obras, não gerasse empregos. Temer só ajudou os seus aliados e quem defendia as suas reformas e a venda da Eletrobras. A verba do orçamento geral da União veio pingado. Em 2018, não recebemos R$ 1 ainda da Adutora do Agreste, da primeira etapa para levar água até São Caetano. Estamos fazendo graças à competência da Compesa de gerir recursos que foram repassados ano passado para dar um fôlego e continuar as obras nas cidades, mas temos outras para fazer. Acreditamos que nosso candidato vai ganhar. Se não puder ser o Lula, acreditamos na força das urnas para elegermos as melhores propostas e de preferência que seja Fernando Haddad. O próximo presidente será legitimado pelas urnas. Não vai ser esse presidente (Michel Temer) tampão, sem compromisso.

 


Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.