Eleições Assista às seis entrevistas da sabatina com os candidatos promovida pelo Diario Série de entrevistas foi realizada entre segunda-feira (3) e esta terça (4) e contou com os principais candidatos ao governo de Pernambuco

Por: Diario de Pernambuco

Publicado em: 04/09/2018 16:52 Atualizado em: 04/09/2018 20:53

Fotos: Divulgação
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Chegou ao fim, nesta terça-feira (4), a sabatina de entrevistas promovida pelo Diario com os principais candidatos ao governo do Estado. No primeiro dia da série de entrevistas, realizado ontem, os sabatinados foram Maurício Rands (PROS) e Julio Lóssio (Rede). Hoje, foi a vez dos postulantes Armando Monteiro (PRB), Dani Portela (PSol), Paulo Câmara (PSB) e Simone Fontana (PSTU) ficarem frente a frente com o editor de política e economia do jornal Kauê Diniz e o editor-executivo Vandeck Santiago. O espaço escolhido para a conversa foi o Salão Receptivo da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), parceira do jornal no projeto. 

Confira como foi cada participação e assista a todas as entrevistas, na íntegra, aqui:
(As entrevistas estão em ordem de realização)

Maurício Rands (PROS):

O advogado e professor iniciou a participação na sabatina afirmando que as pessoas estão cansadas da política e que esta foi ao "fundo do poço". Segundo ele, "muitos segmentos da sociedade querem que políticos não-convencionais possam se apresentar para mudar a política". Apesar de já ter sido deputado federal, Rands prega uma renovação na política e uma reconexão desta com as "pessoas normais". "Não sou um político convencional, não estou vindo disputar o governo com grandes estruturas", declara, em alusão às coligações de Paulo Câmara (PSB) e Armando Monteiro (PTB).

Questionado sobre as grandes filas do Sistema Único de Saúde (SUS), o candidato colocou como primeira medida para a área de saúde a realização de mutirões nos postos e hospitais públicos. Além disso, prometeu investir em prontuários eletrônicos para os usuários do sistema público, na valorização dos servidores e criar gratificações por performance. 

Rands também criticou a infraestrutura estadual, que, para ele, está isolando as cidades do interior. Para o candidato, as parcerias público-privadas (PPP) ajudariam na revitalização das estradas pernambucanas. "Nós não temos preconceito [com a iniciativa privada], nós temos inovação."

No âmbito da segurança pública, Rands defendeu um maior investimento em inteligência, que seria utilizada não só para reprimir, mas para a prevenção; além de defender a valorização dos policiais civis e militares. O postulante também defendeu a construção de novos presídios no estado, apesar de defender uma "humanização" dessas unidades. Porém, segundo ele, só o dinheiro do Estado "não é o suficiente para humanizar nossos presídios" - defendendo, mais uma vez, as PPPs.

Indagado sobre a educação pública, o candidato do PROS não só defendeu escolas de ensino integral e semi-integral, como também prometeu levar o modelo para todas as unidades do estado. Segundo ele, "no meu governo [a educação] vai ser obsessão", além de se pôr como alguém "umbilicalmente ligado à educação" e que não deixará os municípios isolados - se referindo aos repasses de investimentos.

Júlio Lóssio (REDE):


O candidato Julio Lóssio (Rede) falou sobre o apoio da presidenciável Marina Silva (Rede). "Fui convidado por Marina. Ela precisa ter um palanque em Pernambuco, é uma forte candidata à Presidência". "Mas eu não gosto dessa expressão de poste. Isso não funciona no Brasil [...] Prefiro conquistar as pessoas pela ideia", dispara Lóssio. 

Quando questionado sobre educação, tema recorrente nas entrevistas, o candidato da Rede ressaltou a importância de dar continuidade à escola de tempo integral, além de priorizar o ensino infantil. "Nós vamos trazer para Pernambuco o que fizemos em Petrolina. Nós criamos lá o programa Nova Semente, inclusive o que me deu repercussão nacional e internacional e apresentou o melhor Ideb entre as médias cidades de Pernambuco".

Ao tratar os temas, Lóssio foi firme na crítica aos candidatos concorrentes e afirmou que "é o único que tem experiência na gestão pública". Outro ponto destacado pelo postulante é a criação de estímulos para qualificar o jovem, a exemplo da CNH gratuita para os que terminarem o Ensino Médio.

"Pernambuco perdeu o controle. O pacto pela vida virou o pacto pela morte", declarou Lóssio quando foi questionado sobre a pauta da violência. Apresentando dados, o candidato defendeu os pobres, negros e periféricos. "A sociedade vem se escondendo, colocando muros nos condomínios". Uma das medidas preventivas do candidato é o armamento da guarda municipal, além de investir na Polícia Rodoviária Federal.

Durante a sabatina, o candidato da Rede relembrou sua gestão como prefeito de Petrolina. Nas considerações finais, ele escolheu fazer uma "homenagem" aos poetas de Pernambuco encerrando, de forma exaltada, com a frase "Pernambuco pode muito. Pernambuco". 

Armando Monteiro (PTB):


Em meio às divergências partidárias e disputas pelo espólio eleitoral do ex-presidente Lula, Armando aproveitou a oportunidade para dizer que "esse vai ser o momento de homenagear Pernambuco, e não figuras de Pernambuco" e que "essa não será uma eleição definida por padrinhos, nem por alinhamentos ocasionais", se referindo à reaproximação do PT com o PSB.

Questionado sobre a atuação do crime organizado no estado, o candidato afirmou que "essa é uma questão que transcende Pernambuco", apesar de acusar a gestão atual de não ter comando e não ser firme. Embora seja crítico da situação (PSB), Armando elogiou programas do governo Eduardo Campos, como o Pacto pela Vida. Segundo ele, "o governador Eduardo foi para a linha de frente, articulou o sistema de segurança, mobilizou a sociedade".

Elencando as suas propostas para a área da segurança pública, o petebista prometeu, se eleito, investir em inteligência, melhorando a elucidação dos homicídios no estado, além de investir em patrulhas rurais, para proteger os moradores do campo. Os moradores das periferias, em sua possível gestão, também seriam contemplados. Para Armando, um meio para isso seria o investimento em conselhos comunitários. A violência contra as mulheres também foi citada como um problema. Para essa última questão, o postulante sugeriu o fortalecimento das casas de acolhimento.

No âmbito econômico, Armando, que é empresário, afirmou que a tributação estadual dificulta a vida do micro e pequeno empreendedor. O concorrente também prometeu cuidar do setor primário e trabalhar para recuperar a autonomia de Suape, que, segundo ele, teve sua gestão aparelhada pelo governo. Ainda sobre o porto, Armando declarou que Pernambuco precisa se conectar com o mundo e que "nós exportamos pouco". Também pregou mais concorrência e melhor estrutura.

O candidato criticou a promessa feita por Paulo Câmara (PSB) na eleição passada sobre o aumento nos salários dos professores. Ao contrário do atual governador, Armando não quer prometer o mesmo para não ser cobrado depois, se não conseguisse cumprir.

Sobre as privatizações em voga no estado (Chesf e Aeroporto dos Guararapes), Armando se mostrou favorável à privatização do aeroporto, já que, segundo ele, "no mundo inteiro o setor privado controla os aeroportos". Apesar disso, disse ser contra o modelo adotado por aqui. A respeito da hidrelétrica, o candidato ponderou: defendeu um modelo que inclua o setor privado, porém tendo o Estado como controlador das decisões, que, na sua visão, são estratégicas.

No âmbito da educação, o postulante afirmou que é preciso investir no ensino fundamental e fazer conexão entre o ensino médio e o ensino técnico. Também colocou que "precisamos de tecnólogos, para que o conhecimento não fique preso nas universidades" e movimente a economia. 

Dani Portela (PSOL):


Advogada e mestra em história, Dani começou sua participação lamentando a tragédia ocorrida neste domingo (2) no Museu Nacional. Para ela, a cultura não tem sido uma prioridade, tanto para o governo federal quanto para o estadual. Uma forma de acabar com isso no âmbito estadual, segundo a postulante, seria aumentar a formação continuada nas áreas de arte, educação e patrimônio. "A gente precisa resgatar nossa memória, nossa história". A candidata também criticou o atraso dos cachês pagos pela Prefeitura do Recife e prometeu pagamentos antecipados.

Questionada sobre como buscaria governabilidade num eventual governo, Dani afirmou que buscaria diálogo, inclusive com setores do empresariado pernambucano, mas que "o capital tem que está voltado para o desenvolvimento social". Acerca dos desafios do partido no estado - o PSOL tem apenas um deputado estadual e um vereador eleito -, a candidata, que nas últimas pesquisas pontuou com apenas 1%, destacou o projeto de interiorização que o partido vem construindo. 

Quando o assunto foi o ex-presidente Lula, Dani reiterou a posição do seu partido, que é contra a prisão do petista. De acordo com ela, "o PSOL nasce com divergências [com os petistas], mas a gente se encontra com o PT em algumas lutas", se referindo à oposição feita por partidos de esquerda ao impeachment (para ela, um golpe de estado) de Dilma Rousseff. A psolista também criticou a "conveniência" do PSB em se (re)aproximar do PT e de Lula nessas eleições: "todo mundo viu quem estava ao lado de Lula quando ele mais precisou."

Feminista, a candidata defendeu uma maior inclusão feminina nos cargos representativos (a chapa do PSOL é composta por duas mulheres) e pregou a necessidade da Lei Maria da Penha prevenir feminicídios.

A postulante também citou em várias oportunidades o nome de Guilherme Boulos, líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e candidato do PSOL à Presidência da República. Uma frase muito utilizada por Boulos, foi lembrada por Dani quando indagada sobre políticas habitacionais: "há mais casa sem gente do que gente sem casa", numa crítica à falta de cumprimento da função social da propriedade. 

A candidata encerrou sua participação na sabatina citando Paulo Freire e afirmando que "não podemos perder a esperança".

Paulo Câmara (PSB):


Paulo Câmara foi confrontado sobre o que ele, como cidadão, poderia criticar neste último governo. "A gente sabe que tem muito o que fazer ainda. Principalmente no tocante às obras, a crise não deixou a gente fazer" respondeu o candidato, complementando com a importância da geração de empregos. "Nos próximos quatro anos temos que recuperar os empregos que a crise tirou de Pernambuco. Isso vai ser um grande desafio". 

Paulo aproveitou o momento da sabatina para pontuar os projetos feitos enquanto estava à frente do Estado, como "levar água para o interior e agreste, obras de saneamento e os investimentos em educação e segurança" além de defender a ideia do décimo terceiro para quem ganha bolsa família. "Temos formas de fazer. Temos um Fundo de Erradicação da Pobreza que receberá anualmente cerca de 170 milhões de reais, valor que será disponibilizado para o décimo terceiro. Isso não é apenas um repasse de renda, mas uma equação de movimentação econômica."  

Câmara foi questionado se o salário extra é um projeto viável, já que o país enfrenta a crise tão citada pelo mesmo e os pernambucanos convivem com fantasmas das promessas, feitas em 2014, que não foram cumpridas; tendo como exemplo os salários dos professores que, segundo o mesmo, seriam dobrados durante sua gerência.  "Não tem o mesmo risco [do salário dos professores] porque temos este fundo de erradicação da pobreza e o investimento volta ao estado através do consumo da população" explicou o candidato. "É uma proposta que pode ser colocada em prática e é tão boa que nosso adversário copiou", complementou Paulo, fazendo clara referência à Armando Monteiro, que também anunciou criação de um 13º Salário para os beneficiários de Bolsa Família por meio de nota à imprensa.   

O candidato também sentiu a necessidade de explicar a não realização das pautas propostas nas últimas eleições. "Quando fizemos as propostas de 2014, eram propostas reais e de necessidade. No salário dos professores conseguimos avançar em média salarial", disse. "Hoje a média de remuneração dos professores é de R$ 4.200 e no recorte das escolas de tempo integral é mais de R$ 5.000 reais. Então os professores que estão nas escolas sabem que estão em uma condição bem melhor do que 4 anos atrás".  

Paulo também foi perguntado sobre a falta de diálogo com o governo Michel Temer e como isso teria prejudicado o Estado. "Não teve falta de diálogo, teve perseguição" afirmou. "O governo federal não deu crédito para que Pernambuco gerasse emprego, obra e renda. Afetou o povo de Pernambuco, ele só ajudou seus aliados".  Sobre o próximo presidente, Paulo se mostra confiante. "O nosso candidato vai ganhar, se não for o Lula, será Fernando Haddad e vamos ter parcerias que o Nordeste já conhece" afirma. "Mesmo que aconteça uma surpresa e ele não ganhe, o próximo presidente será legitimado pelas urnas. Não será esse presidente tampão, sem compromisso, que armou um governo para seus amigos e prejudicou quem pensa contra ele. Não acredito que um presidente pior do que o Temer pode existir para o Brasil."

Simone Fontana (PSTU):


A última candidata sabatinada na manhã desta terça-feira (4) foi Simone Fontana (PSTU). Professora por profissão, uma das principais bandeiras levantadas por ela é a da educação. Fontana acredita que a categoria de educadores se unirá a ela por estar "revoltada com o governo Paulo Câmara" e não ver esperança na regência de Armando Monteiro. Mesmo em um partido socialista, Simone defende medidas que muitas vezes são apadrinhadas pela direita, como o porte de armas, por exemplo.  

Ainda no começo da sua entrevista, Simone diz lamentar o governo "comemorar resultados tão pífios na educação", numa crítica direta ao candidato Paulo Câmara, que participou da sabatina antes dela. "Precisamos valorizar o professor. A proposta de dobrar o salário dos professores não saiu das promessas de campanha". Simone também apontou o possível governo Armando Monteiro como maléfico aos educadores já que o candidato do PTB votou à favor da Reforma Trabalhista e da PEC dos Gastos. "Se você congela os gastos com Educação pelos próximos 20 anos, não se terá melhorias", afirmou. 

Simone também explicou como seria um governo do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU). "Defendemos um governo baseado nos conselhos populares" disse. "Onde a população possa deliberar sobre o que defedem para educação, saúde, segurança, desemprego". Em síntese, o parlamento existiria, mas deveria se submeter à vontade da população, além de perder privilégios, como o Auxílio Paletó.  

Apesar de se colocar como candidata, defendendo um governo diferente dos demais, Simone diz que poucas coisas se resolvem com voto. "Todo avanço que a classe trabalhadora conseguiu foi fruto de luta, não de eleições", afirmou. "A eleição em si nunca mudou a vida da trabalhador. Vemos ainda o desemprego, a fome, mesmo vivendo na oitava economia do mundo". De todo modo, Simone explica a participação do período eleitoral porque o vê como um "momento privilegiado" que dá a oportunidade de se falar com o grande público.  

Mesmo em um partido que tende à esquerda, Simone defende o porte de armas e, citando Bolsonaro, defende sua posição. "Bolsonaro defende armar mais ainda os ricos para atacar sem-terras, índios e quilombolas. Nós não", explica. "Defendemos o combate ao desemprego para acabar com a violência, uma polícia única que investigue homicídios que não forem solucionados no país, a desmilitarização da polícia e o direito à autodefesa. Em países onde existe o direito de se armar existem menos homicídios que no Brasil. A questão do porte de armas é secundária em relação a necessidade que a gente têm de segurança", completou a candidata, que também advogou à favor de um "Comitê de Autodefesa". 

Outra proposta da candidata para a melhoria da segurança é a discriminalização das drogas. "Ela [a droga] é responsável por 60% dos homicídios que aconteceram no Estado. Assim [legalizando] tiraríamos a droga das mãos do traficante e o Estado teria um controle maior", afirmou.



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