ELEIÇÕES 2018 Propaganda eleitoral na TV continua fundamental no Brasil A propaganda gratuita dos 13 candidatos totaliza 25 minutos, três vezes por semana, divididos em dois blocos de 12 minutos e 30 segundos

Por: AFP - Agence France-Presse

Publicado em: 30/08/2018 12:31 Atualizado em:

Foto: EVARISTO SA, NELSON ALMEIDA, SERGIO LIMA, MAURO PIMENTEL, MIGUEL SCHINCARIOL / AFP
Foto: EVARISTO SA, NELSON ALMEIDA, SERGIO LIMA, MAURO PIMENTEL, MIGUEL SCHINCARIOL / AFP

A pouco mais de um mês para a realização das eleições brasileiras, Domingo Souza ainda não conhece os candidatos. "Vou esperar o tempo da TV para me informar e decidir", afirma, antes do início, no sábado, da propaganda dos candidatos à presidência na televisão. 

Embora a batalha também aconteça de maneira cada vez maior nas redes sociais, como Facebook, Twitter e Whatsapp, a TV será crucial para definir o primeiro turno de 7 de outubro.

Mais de um terço da população brasileira não possui acesso à internet, enquanto 62% usam a televisão como principal meio de informação sobre a disputa que decidirá o sucessor de Michel Temer.

Souza, um eletricista de 51 anos e morador de Águas Lindas (a 50 km de Brasília), é um deles. Também está no grupo de indecisos, que, segundo o Datafolha, alcançam 28% (na ausência do ex-presidente preso Luiz Inácio Lula da Silva) ou 14% (no improvável caso de que o líder do PT participe da eleição).

A propaganda gratuita dos 13 candidatos totaliza 25 minutos, três vezes por semana, divididos em dois blocos de 12 minutos e 30 segundos, às 13H00 e às 20H30, e prosseguirá até 4 de outubro.

Os candidatos também terão direito a várias inserções de 30 segundos durante a programação das emissoras.

 Programas eleitorais ou programas de TV 
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) distribui os minutos e segundos preciosos de acordo com o peso dos partidos e coalizões, que em grande medida são formadas com o pensamento voltado para o tempo de exposição às terças-feiras, quintas e sábados, os dias da propaganda dos candidatos à presidência e ao cargo de deputado federal. Segundas-feiras, quartas e sextas estão reservadas para candidatos a governador, senador e deputados estaduais. 

"Os candidatos com muito tempo terão uma grande vantagem competitiva", afirma à AFP o analista político Michael Mohallem, da Fundação Getúlio Vargas.

O ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin, do PSDB, que aparece em quarto lugar nas pesquisas sem o nome de Lula, espera chegar ao segundo turno com a ajuda do tempo de TV.

Com a maior aliança de partidos, ele terá direito a 5,32 minutos dos 12,30 minutos de cada bloco. Também terá 434 inserções ao longo da campanha.

O PT, que defende a candidatura de Lula, terá o segundo maior tempo de propaganda (2,23 minutos por bloco e 188 inserções). O partido quer usar todo o prazo possível antes da provável invalidação da candidatura de Lula pelo TSE, inclusive para exibir os vídeos que o ex-presidente deixou gravados antes de entregar-se à justiça em abril para cumprir pena de 12 anos e um mês prisão por corrupção.

Se o TSE confirmar a decisão contra Lula, o PT poderá transferir os minutos ao atual candidato a vice na chapa, Fernando Haddad.

Redes, "fake news" e "bots"
Com poucos segundos e inserções, o candidato de extrema-direita Jair Bolsonaro (dois blocos de oito segundos cada) e a ambientalista Marina Silva (dois blocos de 21 segundos), primeiro e segunda nas pesquisas sem Lula, apostam nas redes sociais.

Com mais de 100 milhões de usuários, o Brasil é um dos principais mercados do Facebook, Whatsapp e Twitter, que se tornaram armas poderosas para viralizar mensagens dos candidatos.

Especialmente nesta eleição, a primeira a permitir que os partidos patrocinem mensagens nas redes sociais e ferramentas de busca.

Bolsonaro tem 8,5 milhões de seguidores nas três redes sociais e Marina Silva 4,3 milhões (200.000 a menos que Lula), contra quase dois milhões de Alckmin.

"A presença de políticos nas redes é mandatória e não mais uma opção", explica à AFP Caio Túlio Costa, cofundador da Torabit, uma plataforma de monitoramento digital.

Mas as redes também são um canal propício para confundir e desinformar, em um país polarizado e diante do desencanto da população com a insegurança e os escândalos de corrupção.

Para tentar evitar uma campanha suja, o TSE assinou acordo com os partidos, com o Facebook e com o Google para lutar contra as "fake news".

As próprias plataformas eliminaram contas e páginas falsas e bloquearam "bots" (contas automáticas), usadas para divulgar conteúdo e aumentar o número de seguidores.

Vinte e quatro meios de comunicação do país, incluindo a AFP, se uniram ao projeto Comprova, que pretende combater as informações falsas que circulam na internet.


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