Prisão Nove PMs de Goiás são presos temporariamente por torturar e matar jovem Sete soldados e dois tenentes são suspeitos por torturar, matar e ocultar o cadáver de Pedro Henrique Rodrigues, 22 anos

Por: Otávio Augusto

Por: Correio Braziliense

Publicado em: 07/11/2018 16:01 Atualizado em:

Foto: Maurenilson Freire/ CB/ D.A Press
Foto: Maurenilson Freire/ CB/ D.A Press
Nove policiais militares de Goiás, sendo sete soldados e dois tenentes, foram presos nesta quarta-feira (7), suspeitos de torturar, matar e ocultar o cadáver de Pedro Henrique Rodrigues, 22 anos. Ele desapareceu após uma abordagem dentro da casa onde morava em 15 de agosto.

A ação coordenada pelo Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO) em conjunto com a Corregedoria da Polícia Militar de Goiás determinou a prisão temporária dos suspeitos por 30 dias.

Outros dois policiais são também são investigados. Ontem, foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão, autorizados pela Justiça Militar, para recolher computadores e aparelhos celulares. A identidade dos envolvidos não foi divulgada.Pedro foi preso em 2017 e respondia em liberdade suspeito de tráfico de drogas.  

O advogado dos policiais, Tadeu Bastos, nega qualquer envolvimento dos militares no caso. Segundo ele, a abordagem na casa de Pedro Henrique foi absolutamente normal e se tratava de uma denúncia de disparo de arma de fogo. Agora, ele pedirá a revogação da prisão.

“Nos causou estranheza as prisões porque os esclarecimentos já estão sendo prestados. Os policiais negam qualquer envolvimento em uma ação que tenha levado a morte deste rapaz”, explica Bastos ao Correio.

Desde a abordagem policial, a coorporação abriu um inquérito policial militar para apurar o caso e afastou os envolvidos do serviço operacional. No início desta tarde, eles foram encaminhados ao presídio Militar de Goiânia.

Desaparecimento

Pedro Henrique desapareceu em 15 de agosto. A esposa dele, Islla Tamires Tavares de Melo, contou em depoimento, que os policiais invadiram a casa da família com a justificativa de que ele teria roubado um carro dias antes e procurando uma suposta arma usada no crime, mas não encontraram nenhum objeto.

Ela contou aos investigadores que os policiais torturaram Pedro e o colocaram desmaiado dentro do carro da corporação. “A gente estava dormindo, quando eu abri a porta do quarto eles (policiais) já estavam aqui dentro. Eles viram que não tinha nada, eu implorei, e eles pediram que a gente se retirasse lá para fora. Aqui (no quintal), eles levaram nós dois para sermos encostados na parede", contou, em depoimento.

Islla detalhou como a suposta tortura aconteceu. "Pegaram meu balde de roupa suja, encheram de água e enfiaram a cabeça dele dentro e dava choque nele. Aí subiam em cima das duas pernas dele, pulavam em cima da cabeça dele”, contou à polícia.

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