lava jato Procuradoria vê 'organização criminosa' instalada no governo Beto Richa Além do homem de confiança do candidato ao Senado, onze pessoas estão no banco dos réus, por decisão do juiz federal Sérgio Moro

Publicado em: 06/09/2018 13:20 Atualizado em:

A defesa do ex-governador entende que as alegações do Ministério Público Federal não apresentam qualquer sustentação. Foto: Jane de Araújo /Agência Senado
A defesa do ex-governador entende que as alegações do Ministério Público Federal não apresentam qualquer sustentação. Foto: Jane de Araújo /Agência Senado
Ao oferecer denúncia contra Deonílson Roldo, ex-chefe de gabinete de Beto Richa (PSDB), a força-tarefa da Operação Lava Jato afirma que uma organização criminosa se instalou no governo do tucano no Paraná.

Além do homem de confiança do candidato ao Senado, onze pessoas, incluindo o empresário Jorge Theodócio Atherino - apontado como "operador" de propinas do tucano - estão no banco dos réus, por decisão do juiz federal Sérgio Moro.

Na decisão que abriu ação penal contra o suposto operador e o ex-chefe de gabinete do tucano, o juiz da Lava Jato, apresentou cinco depoimentos que embasaram a investigação, entre outras provas. Um deles é de Nelson Leal Júnior, ex-diretor do DER do Paraná. Categórico, ele afirma que o ex-governador, seu irmão, José Richa Filho, Deonílson, Ezequias e Luiz Abi "capitaneavam a arrecadação de pagamentos indevidos".

De acordo com a denúncia, Jorge Atherino era auxiliado por Exequias Moreira, Secretário de Cerimonial do Estado entre 2013 e 2018, e Luiz Abi Atoun, apontado como "operador financeiro do caixa geral de propinas da organização criminosa instalada no Governo Beto Richa".

Segundo a Procuradoria, as provas que embasam a acusação "revelaram o pagamento de propinas pela empreiteira Odebrecht para obter favores ilegais relacionados à Parceria Público Privada (PPP) para exploração e duplicação da PR-323, entre os municípios de Francisco Alves e Maringá, durante o ano de 2014, cujo valor era de R$ 7,2 bilhões".

Defesa

"A defesa do ex-governador entende que as alegações do Ministério Público Federal não apresentam qualquer sustentação. O ex-governador sempre pautou suas ações baseado nos princípios legais. A obra de duplicação da rodovia PR-323 nunca aconteceu. Também nenhum recurso público, de origem federal ou estadual, foi aportado na licitação".

"Não houve também qualquer direcionamento em licitação. Tanto é assim que a Corte Especial do STJ decidiu de forma unânime que tal investigação deva ocorrer na Justiça Eleitoral, na qual será comprovada, sem sombra de dúvidas, a lisura dos atos do ex-governador. Infelizmente, tornou-se comum delatores apresentarem falsas afirmações na tentativa de se verem livres das penas que, certamente, serão condenados pelos graves crimes praticados".


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