Violência "O Estado assassinou meu filho, quero justiça", afirma mãe de menino morto Comissão de Direitos Humanos vai organizar uma diligência ao Estado para exigir investigação

Por: Correio Braziliense

Publicado em: 11/07/2018 21:28 Atualizado em:

Bruna, mãe do adolescente Marcos Vinicius da Silva, segura camisa da escola que o estudante usava
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Bruna, mãe do adolescente Marcos Vinicius da Silva, segura camisa da escola que o estudante usava Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Emocionada, a diarista Bruna da Silva, mãe do estudante Marcus Vinicius da Silva, 14 anos, morto durante operação no Rio de Janeiro no último dia 20 a caminho da escola foi ouvida na tarde desta quarta-feira (11/7) em uma audiência pública realizada pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias no Congresso Nacional. 
 
Nas mãos, ela trazia a mochila laranja e a camisa de uniforme sujos de sangue do filho. Segundo Bruna, os objetos viraram símbolo de luta pela justiça. Desde o dia do assassinato do filho, ela não obteve informações sobre o andamento da investigação.

“Estou aqui pedindo ajuda. O Estado assassinou meu filho. Como se não bastasse, Marcus também foi vítima de fake news. Colocaram ele em fotos com uma arma na mão. Meu filho nunca foi traficante. Era estudante”.

Ela explicou que no dia da tragédia, o menino acordou atrasado para a escola. “Eu tinha colocado o celular para as 7h30, mas ele tinha que acordar às 7h. Ele se arrumou rápido e com a minha benção saiu para a escola. Saiu para estudar e nunca mais voltou.”

O estudante foi baleado na Comunidade da Maré. Bruna criticou a Intervenção realizada no Rio de Janeiro. “Em relatório, a polícia disse que a operação desse dia foi um sucesso. Como podem considerar isso se derramaram o sangue de um inocente?Foi a intervenção que colocou a mancha de sangue na camisa dele. Tem que ser feita justiça. Calaram o meu filho, mas não a minha voz.”

E continuou: “A gente ralou muito para ele chegar aos 14 anos. Nunca pensei que o Estado, que deveria cuidar da nossa segurança, fosse matar meu filho. Ele me disse: - Mãe o blindado me deu um tiro. Eles não me viram com a roupa de escola?”.

Bruna conta ainda que Marcus queria fazer reflexos no cabelo para a Copa do Mundo e que até esse direito tiraram dele. Ela lembrou o caso Marielle, também ainda sem solução. 

“Não é luto, é luta. Marcus Vinícius presente hoje e sempre. Ele está junto com a Marielle, ela cuida dele e eu cuido da filha dela e da minha de 12 anos que sente muito a ausência do irmão”.

O Deputado Chico Alencar afirmou que o crime contra o menino não ficará impune.

“Essa tragédia aconteceu há 21 dias e ela sequer foi recebida pelo chefe da Polícia Civil. O relatório feito pela polícia é patético. Sequer cita o nome da vítima, não fala que era uma criança. Não se apurou nada, tudo parado. Ninguém sequer foi chamado para prestar esclarecimento. Vamos lá cobrar das autoridades que não a ouvem uma elucidação para o caso. Acusamos o Estado, que a partir de uma intervenção desastrosa, matou o Marcus Vinicius.A lentidão para a investigação comprova isso”.
 
 
A deputada Luizianne Lins sugeriu a formação de uma diligência às autoridades do Rio para exigir uma investigação meticulosa. “O estado tem que prestar esclarecimentos e também indenizar a família. Não vai trazer ele de volta, mas tem que aprender que isso não pode se repetir", ressaltou.

No último dia 25 de junho, a Câmara enviou um ofício ao ministro Raul Jungmann solicitando informações sobre o processo e até a presente data não recebeu os dados. A Câmara constituirá uma comissão para cobrar a investigação no Rio de Janeiro.

A Organização das Nações Unidas (ONU) entrou em contato com Bruna e disse que se pronunciará sobre o caso pedindo celeridade. Ela também entrou com um processo contra o estado pela morte do filho. 


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