Saúde Pernambuco lança projeto para prevenção e detecção do câncer do colo do útero

Publicado em: 13/03/2019 21:38 Atualizado em: 13/03/2019 21:45

Crédito: Anderson Freire
Crédito: Anderson Freire

Por ano, em torno de 300 mulheres morrem vítima do câncer do colo do útero em Pernambuco, a segunda neoplasia que mais vitima o público do sexo feminino no Brasil e no Estado. Para prevenir casos e detectá-los precocemente, além de ofertar o tratamento em tempo oportuno, a Secretaria Estadual de Saúde (SES), em parceria com o Imip, iniciaram, nesta quarta-feira (13) um projeto piloto para levar exames citopatológicos, conhecido popularmente como papanicolau, a locais com casos confirmados da doença. 

Durante a ação, realizada em Lagoa de Itaenga, além do exame de rastreio, serão realizadas outras atividades no âmbito da saúde da mulher, como vacinação e testagem para infecções sexualmente transmissíveis (IST). O objetivo é, com isso, estimular os municípios a também ampliarem sua oferta de exames e, com isso, aumentar a cobertura do citopatológico dos atuais 40% das mulheres na idade preconizada (25 a 64 anos) para 80%.

Entre os municípios da II Gerência Regional de Saúde (Geres), que tem sede em Limoeiro e que inclui Lagoa do Itaenga, por ano, há uma média de 20 mortes por câncer do colo do útero. Em Lagoa do Itaenga, a ação, que, além desta quarta, continua na quinta (14) e na próxima terça (19) e quarta-feira (20), beneficiará 416 mulheres entre 20 e 64 anos.

Uma unidade móvel do Laboratório Central de Pernambuco (Lacen), adaptado para o atendimento ao público feminino, será o ponto para a realização de exames e coleta de amostras de material para o citopatológico. Essas amostras serão analisadas pelo Laboratório da Mulher (Labend) e, posteriormente, os resultados serão entregues às pacientes. 

Para realização do rastreio em Lagoa do Itaenga, o município realizou o cadastramento e a busca ativa das mulheres e os agentes comunitários agendaram previamente os exames citopatológicos. De acordo com o Ministério da Saúde (MS), após dois testes em dois anos consecutivos negativos, o exame pode ser feito a cada três anos. Também houve um trabalho de capacitação de médicos e enfermeiros para a realização dos exames. 

"Pretendemos expandir o projeto para outras localidades ao longo do ano", explica a gerente de Atenção à Saúde da Mulher da SES, Letícia Katz. Em casos de lesões precursoras ou do próprio câncer do colo do útero, o Imip será a referência para o tratamento desse público.

Na ação, além do citopatológico, as mulheres poderão realizar testagem rápida para detecção de infecções sexualmente transmissíveis (IST) e vão receber preservativos. Os exames, que duram em média meia hora para dar o resultado, serão para HIV, sífilis e hepatites virais. Em casos positivos, o público também será encaminhado para realizar o tratamento em unidades de referência.

Já no âmbito da imunização, o foco será na vacina contra o HPV (Papilomavírus humano), vírus que pode causar lesões precursoras do câncer do colo do útero. No Brasil, o SUS disponibiliza a vacina para meninas entre 9 e 14 anos e meninos de 11 a 14 anos. Para o projeto, o foco da ação será na imunização em escolas, para ampliar as coberturas vacinais desse imunizante, principal aliado para prevenção a essa neoplasia.

Atualmente, as estratégias principais para o controle da doença no país baseiam-se no rastreamento dos casos e na disponibilização de exames diagnósticos para as mulheres na faixa etária prioritária (25 a 64 anos), no tratamento adequado da doença e de lesões precursoras em 100% dos casos, além da imunização do público jovem contra o HPV. Prioritariamente, a porta de entrada para essas ações é por meio das Unidades Básicas de Saúde, que fazem a coleta do material para exame, encaminhando-o para os laboratórios.    
Doença - Em geral, o risco do câncer do colo do útero é a partir dos 30 anos, aumentando a probabilidade entre os 50 e 60 anos. Diagnosticado precocemente, principalmente pelo exame citopatológico, são altas as chances de cura, podendo chegar a 100% nos casos iniciais e nas lesões precursoras. O câncer do colo do útero é uma doença de crescimento lento e silencioso. Por isso, a importância do exame, evitando a progressão da doença.   

Dados - No Brasil, após os tumores de pele, o câncer de mama e do colo do útero são os mais incidentes em mulheres de todas as regiões do país, ocupando o 1º e 2º lugar respectivamente. A estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca) com relação aos principais tipos de câncer na população brasileira, revela que a elevada incidência do câncer do colo do útero e mama ainda representa um grave problema de saúde pública no país. Em 2016, Pernambuco registrou 312 óbitos pela doença. Em 2015, foram 297 mortes. 


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