Preservação Moradores de Casa Forte promovem abraço na Praça do bairro neste sábado

Publicado em: 08/02/2019 11:15 Atualizado em: 08/02/2019 11:19

Moradores se uniram para reverenciar patrimônio do bairro. Crédito: Gabriel Melo / Esp.DP
Moradores se uniram para reverenciar patrimônio do bairro. Crédito: Gabriel Melo / Esp.DP

Neste sábado (9), o grupo Casa Forte Mais Segura, criado por moradores do bairro e adjacências, reúne-se a partir das 8h30 para um abraço coletivo na Praça de Casa Forte. O objetivo é reforçar a atenção da população e dos órgãos públicos para a importância histórica da praça que foi, em 17 de Agosto de 1645, palco da Batalha de Casa Forte, e projetada, em 1934 por Burle Marx, tornando-se o seu primeiro jardim público. Uma banda de frevo animará os participantes, que seguirão para o recém-inaugurado Largo do Holandês para a aposição de sinalização indicativa do local. A placa foi idealizada pelo arquiteto e urbanista Francisco Cunha, do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano, e financiada por moradores através de crowdfunding.

Para Francisco Cunha, integrante do Grupo, esse destaque para a Praça de Casa Forte é mais do que justo e bem-vindo porque. “E, como tal, deve ser tratada por todos, moradores, autoridades e visitantes, com todo o carinho, assim como qualquer organismo vivo deve tratar do seu próprio coração”. Ele diz que esse cuidado deve, inclusive, se estender para o rígido controle da velocidade em torno da Praça que não deve nunca passar de 30 km/h, recomendado para áreas com grande fluxo de pessoas, como é o caso. 

O coordenador do grupo, o empresário Yves Nogueira, explica que a Praça de Casa Forte vem há muito tempo passando por alguns problemas, como o estacionamento irregular, a prática da lavagem de veículos, além da sujeira e da degradação em alguns pontos. Ele explica que a Praça é adotada por três empresas, cada uma ficando responsável por um dos três módulos que a compõem. “O problema é que temos níveis de manutenção diferente em cada módulo. Nossa proposta é criar uma única fonte de recursos para a praça inteira, gerando um padrão de qualidade no local”. Ele lembra que esse formato pode ser estendido a outras praças na cidade.

A revitalização do Largo do Holandês foi realizada em junho do ano passado. O lugar é uma confluência entre as ruas Samuel Lins (continuação da Rua da Harmonia) com a Flor de Santana, às margens do Riacho Parnamirim. Na época, ele estava abandonado e servia como depósito de lixo. Houve o plantio de mudas, identificação das árvores e o lixo deixou de ser colocado lá. 

Uma das voluntárias do CFMS, a designer gráfica Gisela Abad, conta que além de ser uma área importante de acesso ao bairro de Casa Forte, o Largo guarda em sua história o fato de ter sido uma via utilizada pelos holandeses como rota de ataques durante a Batalha de Casa Forte, em 1645. Entre várias histórias de fantasmas do bairro de Casa Forte (há quem diga que até hoje ouça barulho das correntes dos negros ou escute gritos de dor nos locais onde antes se situava o Engenho de Anna Paes), está o relato de pessoas, registrado por Gilberto Freyre no seu Livro Assombrações do Recife Antigo, que viam o fantasma de um guerreiro ruivo a cavalo, trajando roupa de veludo. Seria o fantasma de um general holandês, morto na batalha de 1645.

O vereador Jayme Asfora foi o autor do projeto que oficializou a localidade como Largo do Holandês. Ele explica que a Prefeitura fazia a coleta duas vezes por dia, mas empresas e moradores tinham o hábito de despejar lá os seus entulhos. “A revitalização, além de ser uma forma de homenagear e resgatar um pouco da cultura pernambucana, deu um novo aspecto ao lugar e estimula a circulação das pessoas, que estarão mais conscientes da importância da preservação de toda a área”.



Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.