Justiça Após adiado por duas vezes, começa o júri do ex-PM acusado de matar adolescente no Ibura Ex-sargento Luiz Fernando Borges não quis falar. Promotor prossegue discurso no fórum do Recife

Por: Diario de Pernambuco

Publicado em: 06/11/2018 10:20 Atualizado em: 06/11/2018 11:47

Parentes e amigos fazem vigília na frente do fórum. Imagem: DP
Parentes e amigos fazem vigília na frente do fórum. Imagem: DP

Finalmente, depois de ter sido adiado por duas vezes em um intervalo de um mês, o julgamento do ex-sargento da reserva da Polícia Militar, acusado de matar o estudante Mário Andrade de Lima, 14 anos, em 2016, começa no Fórum Rodolfo Aureliano, no Recife. O réu Luiz Fernando Borges se recusou a falar e não será interrogado. O promotor de Justiça Guilherme Castro começou seu discurso. “O júri é uma oportunidade de convencimento social. Como representantes do povo, vocês vão refletir: é essa sociedade que queremos?”, diz o promotor. A sala do fórum, na Ilha de Joana Bezerra, está cheia. Parentes, amigos e estudantes de direito, além da imprensa, acompanham  a sessão.

O promotor prossegue sua fala relatando que antes de executar Mário, o ex-PM foi alertado por um morador do bairro, que passava na hora da abordagem, que o adolescente e o colega, um sobrevivente de 13 anos, eram de bem. Que não matasse os meninos. “Saia daqui senão vai sobrar para você”, foi a resposta. 
 
Antes disso, um desconhecido, em uma moto, rendeu e revistou os meninos e disse ao ex-PM: “os meninos tão limpos”. Mesmo assim, Borges continuou a violenta abordagem. "O ex-sangento resolveu fazer do jeito dele. Entortou a placa da moto e atirou em Mário, deitado no chão e ferido com uma coronhada na cabeça. Indefeso. Na reação natural, o adolescente põe a mão no rosto. Recebeu um tiro no braço", relatou o promotor.

Três meses antes, o ex-PM puxou uma arma para outro jovem do bairro. O acusado foi reconhecido em uma matéria na TV sobre o assassinato de Mário. A motivação do homicídio é fútil, diz o promotor Guilherme Castro, acontece após um acidente de trânsito. Por isso a pena precisa ser agravada. Além disso, o réu impossibilitou a defesa da vitima. 

O advogado de defesa do ex-PM, Maurício Gomes, começa sua fala. “Fiz mais de 70 júris em defesa de policiais”, diz. “A horda da opinião pública foi quem matou Jesus e não Barrabás. A opinião pública aqui não pode prevalecer. Tem que aprofundar as provas de forma serena”, sustenta o advogado do réu, referindo-se às camisas de protesto da família de Mário e citando a Bíblia. 
 
O júri foi marcado para acontecer no dia 10 do mês passado, mas o advogado do ex-sargento Luiz Fernando Borges ingressou dois dias antes com um pedido para habilitar mais um advogado para acompanhar o caso. Além disso, apresentou um atestado médico, alegando a impossibilidade do comparecimento do seu cliente nos próximos 30 dias por estar operado de uma hérnia. 

No dia 24 de setembro, o réu Luiz Fernando Borges, que vinha sendo acompanhado pela Defensoria Pública, anunciou que tinha advogado constituído. O último ato do advogado no processo, no entanto, tinha sido o pedido de habeas corpus para o ex-PM. Como ele não se apresentou para fazer as alegações finais, o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) acionou a Defensoria. O advogado foi intimado pela Justiça para a nova data do julgamento, marcada nesta quarta, que acabou não acontecendo.

O ex-PM espera a sentença da Justiça no Presídio de Igarassu. É réu confesso e já perdeu a farda de militar após conclusão do Processo Administrativo Disciplinar feito pela Corregedoria da Polícia Militar. O crime aconteceu em 25 de julho de 2016, em uma via importante do Ibura, a Avenida Dois Rios, na periferia do Recife. Mário foi assassinado com três tiros, aos 14 anos. Ele chegou a pedir de joelhos para não ser morto. O homicídio chocou a comunidade. 

(Com informações da repórter Marcionila Teixeira)


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