DP NOS BAIRROS Imbiribeira: Onde a integração é uma realidade Confluência entre modais de transporte, a Imbiribeira é servida por cinco terminais e 52 linhas de ônibus. Bairro também abriga aeroporto internacional

Por: Diario de Pernambuco

Publicado em: 21/09/2018 07:51 Atualizado em:

Faixa Azul melhorou a velocidade dos ônibus na Avenida Mascarenhas de Morais, principal via do bairro. Foto: Cristiane Silva/Esp.DP/D.A Press
Faixa Azul melhorou a velocidade dos ônibus na Avenida Mascarenhas de Morais, principal via do bairro. Foto: Cristiane Silva/Esp.DP/D.A Press
Conhecido por ter um perfil essencialmente comercial, o bairro da Imbiribeira, situado na Zona Sul do Recife, é um dos mais bem servidos em termos de transporte público, se comparado com outras regiões do Recife e Região Metropolitana. Possui, nos seus 666 hectares de área territorial, quatro plataformas de metrô instaladas, sendo as estações da Imbiribeira, Antônio Falcão, Shopping e Tancredo Neves, por onde circulam, em todas elas, a linha Sul do Metrô do Recife, que liga o centro da capital pernambucana ao município do Cabo de Santo Agostinho. 

Com um corredor que é considerado ponto estratégico da RMR, a Avenida Marechal Mascarenhas de Morais corta todo o território do bairro e liga a Zona Sul do Recife, a partir das imediações do Aeroporto Internacional dos Guararapes, ao bairro de Afogados, na Zona Oeste, através da Ponte Motocolombó. Pela Mascarenhas, circulam diariamente 52 linhas de ônibus. A Imbiribeira também é servida por cinco terminais integrados: TI Afogados, TI Largo da Paz, TI Tancredo Neves, TI Aeroporto e TI Cajueiro, todos fazendo conexão com o Metrô do Recife, permitindo acesso a praticamente todas as regiões do Recife. 

Outro equipamento que contempla a mobilidade da Imbiribeira é o corredor exclusivo de ônibus, conhecido como Faixa Azul, em sete quilômetros da Avenida Mascarenhas de Morais. O corredor foi implantado para priorizar a circulação do transporte público de passageiros em uma via por onde trafegam mais de 60 mil carros particulares diariamente. As possibilidades de transporte público aproximam a Imbiribeira de lugares como a Praia de Boa Viagem, o Bairro do Recife, o Aeroporto Internacional dos Guararapes, o Shopping Center Recife, o Shopping RioMar, o Parque Dona Lindu e até Olinda. 

Com quase sete mil estabelecimentos comerciais instalados no bairro e uma população residente de 50 mil pessoas, a ampla oferta de transporte público na Imbiribeira nem sempre atende aos anseios da população. A jornalista Vanessa Santos, 30 anos, que mora entre as estações Aeroporto e Tancredo Neves, acha que o bairro é privilegiado. 

“Recife é um caos de transporte público e mobilidade e, nessa questão, eu posso até dizer que a Imbiribeira é privilegiada. Me refiro principalmente à Mascarenhas de Morais e suas transversais. De transporte público, consigo chegar em qualquer região que eu queira da RMR, quando não direto, tenho a integração. Utilizei por muito tempo ônibus e metrô e nesse período não enfrentava maiores dificuldades, além das que já conhecemos como falta de manutenção e superlotação. Quando foi inaugurada a faixa exclusiva para ônibus na Mascarenhas, chegava até mais rápido no trabalho do que hoje, andando de carro. Mas, infelizmente, pela falta de segurança, eu deixei de utilizar o transporte público por medo”, afirma Vanessa. 

Outra reclamação dos usuários é em relação ao tempo médio de espera entre um ônibus e outro. Muitas pessoas dizem que chegam a aguardar de 40 minutos a uma hora, sobretudo nas linhas que percorrem grandes trechos e vão para subúrbios como o Totó e o Ibura. A iluminação precária e o acesso às estações de metrô também são alvo de reclamação por parte dos usuários. “Acho que o metrô funciona bem. Mas já em relação aos ônibus, a situação é diferente. Por exemplo, eu trabalho em Suape e desço na Avenida Mascarenhas de Morais para pegar um ônibus para o Totó. Quando chego na Imbiribeira antes de escurecer, ando até a Avenida Recife e consigo um ônibus num tempo razoável, por conta da linha complementar que circula lá. Mas, à noite, é muito perigoso andar até lá. Fico na parada em frente à UPA da Imbiribeira e o tempo médio de espera é de 40 minutos a uma hora. Já outras linhas que vão para a Cidade Universitária e Candeias, passa ônibus de cinco em cinco minutos”, conta o operador de máquinas, Albérico José da Silva, 47 anos. 

Já a assistente comercial Rita de Cássia, 28 anos, que mora em Paulista e trabalha na Imbiribeira, diz que a vantagem do bairro é que possui muitas opções para o centro do Recife, onde ela faz a troca de ônibus, mas não existe hora para as linhas passarem, o que dificulta as conexões e aumenta o tempo das viagens. “Eu tenho duas opções. Se quiser pagar uma passagem entre Imbiribeira e Paulista, eu teria que pegar quatro ônibus entre uma integração e outra. Como não existe essa previsibilidade do horário, é possível que eu gaste quatro horas para chegar em casa. Então prefiro pagar duas passagens, pegando um ônibus para a Avenida Dantas Barreto e de lá eu subo em outro. Ainda assim, gasto duas horas para chegar ao trabalho e outras duas horas e meia para voltar para casa”, relata Rita. 
 


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