Caso Aldeia Morte do médico Denirson Paes será reconstituída Reprodução simulada da morte do médico Denirson Paes deverá ocorrer na próxima quinta-feira para saber se Jussara Paes teve ajuda do filho Danilo

Por: Rosália Vasconcelos

Publicado em: 05/09/2018 10:53 Atualizado em:

Jussara disse em depoimento que arrancou e queimou órgãos genitais do marido. Foto: Marlon Diego/Esp.DP
Jussara disse em depoimento que arrancou e queimou órgãos genitais do marido. Foto: Marlon Diego/Esp.DP
A Justiça estadual determinou, ontem, que a farmacêutica Jussara Rodrigues Paes Silva, 54 anos, fosse liberada da Colônia Penal Feminina Bom Pastor para participar da reconstituição da cena do assassinato do seu marido, o médico Denirson Paes Silva, 54 anos. Ela é uma das acusadas do crime e está presa preventivamente no Bom Pastor. A reprodução simulada, que deve acontecer na próxima quinta-feira, foi uma solicitação da Delegacia de Camaragibe, após Jussara ter confessado o assassinato do médico na última segunda-feira. Durante a ouvida, a farmacêutica contou à delegada Carmen Lúcia que esganou e esquartejou o marido sem a ajuda do filho do casal, Danilo Paes, 23 anos, que também é um dos acusados de participar do assassinato de Denirson. Um dos detalhes mais macabros do seu depoimento é quando Jussara diz que arrancou os órgãos genitais do marido e ateou fogo neles.

Com a reconstituição da cena do crime, a Polícia Civil de Pernambuco espera identificar se Jussara foi ou não capaz de agir sozinha em toda a dinâmica do crime - desde o momento da esganadura até o esquartejamento e ocultação do cadáver - ou, se a acusada está tentando proteger o filho Danilo Paes. Ele está preso preventivamente no Centro de Observação e Triagem Abreu e Lima (Cotel), acusado de ajudar a mãe a matar o pai. A Polícia também pretende confrontar os detalhes do depoimento de Jussara com as conclusões do inquérito policial, divulgadas na semana passada. Segundo o advogado de defesa, Alexandre Oliveira, a farmacêutica já confirmou que vai participar da reprodução simulada dos fatos. Danilo Paes também será ouvido novamente ainda nesta semana.

Apesar de o inquérito policial ter sido concluído na semana passada, as investigações da Polícia Civil devem continuar após a confissão de Jussara. Até a delegada Carmen Lúcia voltar de férias, as novas diligências serão conduzidas pela delegada Euricélia Nogueira. Uma nova testemunha, citada pela farmacêutica em sua ouvida, também será intimada a prestar depoimento. Segundo a acusada, um senhor de nome Uraktan, que trabalha como auxiliar de farmácia no Hospital Barão de Lucena, foi contratado por ela para derrubar uma “casinha” utilizada por Denirson como depósito. Os entulhos produzidos pela derrubada da estrutura foram jogados pelo homem dentro da cacimba, a pedido de Jussara, para ocultar o cadáver de Denirson. A Polícia Civil quer saber se ele pode estar envolvido no crime de ocultação de cadáver ou se Uraktan agiu sem conhecimento dos fatos. 

DEPOIMENTO
Nas mais de três horas de depoimento, a farmacêutica Jussara Paes contou à Polícia Civil como foi a dinâmica do assassinato que vitimou seu marido, o médico Denirson Paes Silva, 54 anos. Segundo a acusada, no dia 31 de maio, o marido acordou por volta das 5h30 e teria ido para uma área de apoio próxima à piscina, como ele costumava fazer todas as manhãs. Após uma discussão, Jussara afirmou que Denirson a teria agredido fisicamente. No revide, ela lhe deu um mata leão (golpe de estrangulamento). Ao desfalecer, o médico teria batido com a cabeça no chão, o que explicaria o afundamento no crânio. A perícia, no entanto, não acredita que a farmacêutica teria força suficiente para provocar à esganadura seguida do óbito.  Após verificar que ele não tinha mais pulsação, Jussara diz que escondeu o corpo do marido num quarto que fica anexo à área da piscina até a madrugada do dia 01 de junho, quando ela teria mutilado o órgãos genitais de Denirson e ateado fogo. Segundo a farmacêutica, ela ainda tentou jogar o corpo de Denirson na íntegra dentro da cacimba mas não passou. Ela disse também que esquartejou sozinha o cadáver do marido usando um facão que havia na cozinha da residência do casal, depois lavou, passou álcool e colocou no lugar. Segundo ela, em todos os momentos, os filhos estavam dormindo. Durante todo o seu depoimento, Jussara citou questões financeiras como ponto-chave das constantes brigas do casal e, em nenhum momento, ela disse estar arrependida do crime.



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