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Entrevista Secretário de Educação do estado destaca investimentos no setor

Por: Anamaria Nascimento

Publicado em: 16/07/2015 08:00 Atualizado em: 16/07/2015 01:42

Gestor anunciou criação de novas escolas técnicas. Foto: Rafael Martins/ Esp. DP/ D. A. Press
Gestor anunciou criação de novas escolas técnicas. Foto: Rafael Martins/ Esp. DP/ D. A. Press
Há seis meses à frente de uma das pastas mais complexas e importantes do governo do estado, o secretário estadual de Educação, Frederico Amancio, tem como missão dar continuidade ao trabalho iniciado na gestão anterior (de Ricardo Dantas durante o governo Eduardo Campos) e assegurar o acesso de quase 600 mil estudantes a uma educação pública de qualidade focada em resultados. Em entrevista ao Diario, o administrador e auditor fiscal baiano fez um balanço do primeiro semestre no comando da educação de Pernambuco. O secretário comentou o desafio de equiparar os resultados entre as escolas de educação integral de ensino médio e as de ensino fundamental. Ele ainda comemorou a boa posição do estado na última avaliação nacional sobre a presença de estudantes no ensino médio das redes públicas: Pernambuco tem a menor taxa de abandono escolar do país.



Qual o balanço que o senhor faz desse primeiro semestre no comando da educação pública estadual?

Esse primeiro semestre foi bastante positivo para a educação. Estamos dando continuidade a um trabalho que já estava sendo feito na outra gestão (do ex-secretário Ricardo Dantas durante o governo Eduardo Campos). Mesmo com a mudança de governador e secretário, a ideia foi dar sequência aos projetos e às ações que já estavam sendo realizadas no estado. Nossa tarefa ficou mais produtiva no início do ano letivo. Como eu já atuava como secretário de Planejamento e Gestão e, por isso, participava do Pacto Pela Educação, eu já conhecia a realidade da educação estadual. Costumo dividir as ações da Secretaria de Educação em duas partes: uma mais administrativa e outra de caráter mais pedagógico. O que fizemos nesse primeiro semestre foi tentar resolver ações que já estavam sendo encaminhadas na outra gestão, como melhor a infraestrutura de várias escolas. Mesmo considerando as dificuldades de 2015 e todas as limitações financeiras do estado este ano, temos inaugurado muitas unidades. Apesar do contingenciamento de gastos, conseguimos manter absolutamente todos os projetos de educação. Esse início de gestão é um momento para planejar os próximos anos e construir o plano plurianual (lei que prevê a arrecadação e gastos em programas e ações para um período de quatro anos). Temos dedicado muito tempo para esse planejamento.

Uma das principais características da gestão anterior foi o investimento em escolas técnicas e em unidades de referência. Como isso tem sido assegurado nesta gestão?

Inauguramos duas novas escolas técnicas nesse primeiro semestre: uma em Santa Cruz do Capibaribe (no Agreste pernambucano) e outra em São José do Belmonte (Sertão do estado). Além disso, estamos dando continuidade à construção de 11 escolas profissionalizantes. Mais três unidades estão em processo de licitação: Igarassu, Olinda e Garanhuns. Na área de educação profissional, estamos indo bem. O compromisso do governador Paulo Câmara era de garantir que teríamos, até o próximo ano, 40 escolas técnicas em funcionamento. A gente não só vai ter essas 40 como extrapolaremos essa meta e vamos chegar a 45 unidades em 2016. Além das escolas técnicas, entregamos, este ano, três novos prédios de escolas de referência (Macaparana, Capoeiras e Joaquim Nabuco) e concluímos a construção de duas escolas rurais: uma no distrito de Serrolândia, em Ipubi, e em Sipaúba, distrito de Bodocó. Mais de 20 escolas da rede estão com obras de reforma e ampliação em andamento.

O projeto Quadra Viva e o programa Ganhe o Mundo Esportivo foram as principais novidades na educação estadual no último semestre. Já existe expectativa de ampliação dessas ações?

O Quadra Viva, lançado há menos de um mês, é um programa para construção e coberta de quadras. Essa é uma das maiores demandas das escolas hoje. Antes, as principais solicitações eram com relação à merenda. Agora, como já avançamos nesse sentido, há uma procura muito grande para que a secretaria cubra as quadras ou construa efetivamente esses espaços. Para este ano, o projeto já prevê a construção de 100 quadras em escolas de 58 municípios. Nossa expectativa é de que as obras comecem em agosto ou setembro. Boa parte desas quadras já estará em funcionamento no início do ano letivo de 2016. Prevemos a ampliação do projeto com a construção de outras 100 quadras no próximo ano. Essa é uma ação bastante ambiciosa. Nunca o estado construiu tantas quadras simultaneamente. Vale ressaltar que as quadras não são espaços apenas para a prática de esportes. Muitas vezes, elas são o único espaço de convivência social e para atividades culturais das comunidades. Outra questão importante é que o Ganhe o Mundo recebeu um reforço este ano, que é o Ganhe o Mundo Esportivo. Fizemos todos os ajustes legais para adaptar o programa à esse novo formato. Já começamos a desenhar a ampliação do programa. A novidade para 2016 será o Ganhe o Mundo Musical. Da mesma forma que temos alunos com talento nos esportes também temos estudantes com habilidades especiais na área artística.
Pernambuco tem atualmente 28 escolas técnicas e ganhará mais 11. Foto: Debora Rosa/Esp.DP/D.A.Press
Pernambuco tem atualmente 28 escolas técnicas e ganhará mais 11. Foto: Debora Rosa/Esp.DP/D.A.Press

A educação integral atinge quase 50% dos alunos do ensino médio do estado. Quando ela será universalizada e quais são os esforços da secretaria para melhorar rede já existente?

A estratégia da educação integral - com dedicação exclusiva do professor, maior tempo pedagógico, melhor estrutura, laboratórios - traz resultados importantes para o estado. O ensino em tempo integral é um grande desafio porque não é só deixar o aluno na escola por dois turnos. Essa realidade está mais consolidada no ensino médio, então percebemos que também precisamos trazer mais avanços para o ensino fundamental. O salto que demos no nível médio mostra que estamos no caminho certo. Vamos apoiar os municípios pernambucanos a implantar e melhorar o ensino em tempo integral no âmbito da educação municipal. Temos boas marcas nesse sentido. O estado de São Paulo, o mais rico do Brasil, está se propondo a chegar a 10% dos alunos em escolas de tempo integral em 2020. Pernambuco já está chegando a 50%. Fomos muito ambiciosos ao dar um salto tão alto, criando um número grande de escolas em tempo integral. Faz parte do programa de governo ampliar o número de escolas integrais, universalizando o número de vagas. Quando digo universalizar não quero dizer que 100% das escolas serão em tempo integral. Muitos pais não querem os filhos em uma escola de tempo integral; querem uma escola regular. A gente precisa garantir essa alternativa, mas temos que assegurar a possibilidade que todos os alunos tenham uma vaga no ensino integral. Entre este e o próximo ano, estamos dedicados a planejar a ampliação e a consolidar as escolas onde o ensino integral já está implementado. Os alunos acabam tendo um desempenho melhor nas provas de proficiência.

A menor taxa de abandono escolar no ensino médio do país foi registrada na rede estadual de Pernambuco pelo segundo ano consecutivo, de acordo com o Censo Escolar 2014. A que o senhor atribui esse resultado?

Quando observamos a curva dessa taxa no decorrer dos anos, percebemos que tivemos um avanço consistente nos últimos anos. Em 2007, Pernambuco estava em 26º lugar entre os estados brasileiros. Hoje, temos a melhor taxa do país. O ápice foi chegar ao primeiro lugar em 2013. Ficamos muito satisfeitos quando saiu o resultado de 2014, pois não só mantivemos a primeira colocação como conseguimos a maior redução no abandono escolar em um ano. Os investimentos em escolas de tempo integral, a implementação de novas práticas pedagógicas - como o uso de tecnologias para tornar as aulas mais atrativas -, o empenho de professores e gestores e o Programa Ganhe o Mundo são alguns dos elementos que levam a essa taxa. É o resultado de um conjunto de estratégias. Também ficamos muito contentes com o bom desempenho nos anos finais do ensino fundamental. Em 2007, também estávamos em 26º lugar nessas séries e, em 2014, Pernambuco ficou em 4º lugar. Não é uma “medalha de ouro”, mas ficamos felizes com esse salto também no ensino fundamental.


A rede estadual de educação em números:

587.643 alunos

1.047 escolas

235 unidades precisaram de reparo na estrutura física

300 escolas de referência

184 municípios e Fernando de Noronha têm escolas de referência

125 escolas integrais na rede de referência

175 escolas semi-integrais entre as escolas de referência

162.945 estudantes nas escolas de referências

300 unidades de ensino de referência, sendo 125 integrais e 175 semi-integrais, é a meta para 2017

14.735 alunos nas escolas técnicas

10.856 alunos nos cursos de educação a distância

28 escolas técnicas estaduais, incluindo o Centro de Criatividade Musical, e 11 em construção

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