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Máfia do Cemitério » Arquidiocese de Olinda e Recife proíbe venda e aluguel de jazigos em igrejas Decreto de dom Fernando Saburido é tentativa de acabar com irregularidades na comercialização superfaturada de vagas das irmandades católicas

Raphael Guerra - Diario de Pernambuco

Publicação: 25/02/2014 07:30 Atualização: 25/02/2014 11:17

Foto: Blenda Souto Maior/DP/D.A Press/Arquivo
Foto: Blenda Souto Maior/DP/D.A Press/Arquivo
O arcebispo de Olinda e Recife, dom Fernando Saburido, tomou nova decisão para frear as irregularidades na venda e aluguel de túmulos e jazigos no Cemitério de Santo Amaro e nas igrejas e paróquias. Foi decretada a proibição de qualquer tipo de comercialização ou construção de novas vagas para sepultamento em espaços pertencentes às irmandades católicas, confrarias, associações ligadas à Arquidiocese. O caso está sendo denunciado com exclusividade pelo Diario de Pernambuco desde outubro de 2013.

“Apenas os ossos que já estão em jazigos das igrejas, a exemplo da Madre de Deus, podem permanecer. Mas não vamos mais permitir o aluguel ou venda. Apesar de não ser ilegal, há muita irregularidade na forma como isso estava acontecendo”, pontuou padre Miguel Batista, presidente da comissão arquidiocesana criada para investigar as irmandades católicas. Quem não cumprir com o decreto, está sujeito a penas canônicas. Entre elas, a cassação do mandato religioso.

No início do mês, a Justiça acatou denúncia do Ministério Público contra um frade, quatro membros de irmandades e três funcionários de funerárias, que rsponderão por estelionato e formação de quadrilha. Entre os réus está o pároco da Paróquia Nossa Senhora da Penha, Luís de França.

O promotor Carlos Eduardo Seabra apontou que os envolvidos “superfaturam túmulos e retiram para si comissões”. Pessoas chegavam a pagar até R$ 1 mil. Por conta disso, a Cúria Metropolitana assumiu a responsabilidade pelas vagas no Cemitério de Santo Amaro, fixando o valor do aluguel a R$ 200. Na decisão, o juiz Ivon Vieira Lopes, da 4ª Vara Criminal da Capital, concluiu que a “comercialização de sepulturas é fato corriqueiro”. Outras pessoas ainda podem ser denunciadas.
 
SAIBA MAIS

Os primeiros denunciados

1 - Luís de França Fernandes, 51 anos
Pároco da Paróquia de Nossa Senhora da Penha
Emitia recibos de renovação de aluguel de túmulo para familiares de uma mulher, mas o corpo dela já havia sido trocado por outro
Crimes: Estelionato e formação de quadrilha

2 - Geraldo Simião Santana, 80 anos
Procurador geral da Irmandade Santíssima Trindade
Autorizou a exumação de um corpo sem comunicar aos familiares
Crimes: Estelionato e formação de quadrilha

3 - Rafael Soares da Silva, 28 anos
Emitia notas fiscais com valores superfaturados
Vítimas afirmaram que ele também fazia negociações de túmulos
Crimes: Estelionato e formação de quadrilha

4 - José Expedito Querino Santos, 40 anos
Administrador da irmandade responsável pela Igreja de Santa Cruz, na Boa Vista
Emitia notas fiscais falsas e escondia ossos humanos no interior da igreja
Crimes: Estelionato, formação de quadrilha e falsidade ideológica

5 - Fernando Alves da Silva, 62 anos
Administrava túmulos das irmandades
Negociava com familiares o aluguel por até R$ 1 mil
Crimes: Estelionato e formação de quadrilha

6 - Antônio da Costa Lima, 57 anos
Funcionário da Casa Funerária Santa Rita de Cássia
Negociou com a irmandade Nossa Senhora da Conceição dos Militares para receber comissão no aluguel de túmulos
Crimes: Estelionato, formação de quadrilha e falsificação de documento particular

7 - Roberto Alexandre Barbosa, 63 anos
Funcionário da MF Casa Batista Ltda
Negociou com os outros integrantes o aluguel de túmulos superfaturados
Crimes: Estelionato e formação de quadrilha

8 - Amaury de Souza Morais, 46 anos
Funcionário da Casa Funerária São Sebastião Ltda
Emitia notas fiscais com valores superfaturados
Crimes: Estelionato e formação de quadrilha
 
Cronologia do Caso

31 de outubro de 2013
Diario denuncia com exclusividade suposto esquema de venda e aluguel ilegal de túmulos no Cemitério de Santo Amaro

1º de novembro de 2013
Arcebispo de Olinda e Recife, dom Fernando Saburido, decreta intervenção das 34 irmandades católicas que possuem túmulos em Santo Amaro

5 de novembro de 2013
Comissão criada pela Arquidiocese decide que os túmulos das irmandades serão alugados por boleto bancário, com valor fixo, e emitido pela Cúria Metropolitana

6 de novembro de 2013
Comissão fixa valor de R$ 200 para aluguel de túmulos, válido por dois anos. Para renovação, o valor é R$ 100. Objetivo é evitar negociações por até R$ 800

19 de novembro de 2013
Comissão contrata uma empresa de auditoria para investigar e emitar laudo sobre as 34 irmandades que estão sob intervenção

20 de novembro de 2013
O advogado Zolmanaro Calixto decide entrar na Justiça para conseguir os ossos da avó que estavam enterrados no Cemitério de Santo Amaro e desapareceram

10 de dezembro de 2013
Policiais da Delegacia da Boa Vista vão à Igreja de Santa Cruz apurar denúncias de ossos humanos escondidos no interior do templo

30 de dezembro de 2013
Polícia prende o primeiro acusado de envolvimento na máfia, Fernando Alves da Silva, 63 anos. Ele estava escondido no Cemitério de Santo Amaro

8 de janeiro de 2014
Instituto de Criminalística encontra 12 sacolas e caixas lacradas contendo ossos humanos dentro de uma das salas da Igreja da Madre de Deus, no Bairro do Recife

5 de fevereiro de 2014
Justiça acata denúncia do Ministério Público de Pernambuco contra oito pessoas acusadas de envolvimento no aluguel ilegal dos túmulos

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