conflito Grupo extremista assume controle de cidade síria após acordo de paz O acordo põe fim a vários dias de confrontos letais entre o HTS e os rebeldes, em particular os da Frente Nacional de Libertação (FNL)

Por: AFP - Agence France-Presse

Publicado em: 10/01/2019 12:11 Atualizado em:

Vista geral da cidade rebelde de Maaret al Numan, norte de Idlib, totamente destruída. Foto: AFP/Arquivos
Vista geral da cidade rebelde de Maaret al Numan, norte de Idlib, totamente destruída. Foto: AFP/Arquivos
Os extremistas do Hayat Tahrir al-Sham (HTS), ex-braço sírio da Al-Qaeda, assinaram uma trégua com os grupos rebeldes apoiados pela Turquia e, com isso, assumiram o controle total da província de Idlib (noroeste).

O acordo põe fim a vários dias de confrontos letais entre o HTS e os rebeldes, em particular os da Frente Nacional de Libertação (FNL), uma coalizão apoiada pela Turquia. Sob os termos de um acordo alcançado pela Turquia e pela Rússia em setembro, esperava-se que Ancara restringisse as facções rebeldes de Idlib para evitar uma ameaça de ofensiva do governo com repercussões humanitárias potencialmente desastrosas.

"Esta manhã (quinta-feira), o HTS e a FNL assinaram um acordo que encerra as hostilidades e estabelece o controle do Governo da Salvação sobre o conjunto de Idlib", anunciou Ebaa, o site de propaganda do HTS. Este "Governo de Salvação" é uma administração local estabelecida pelo HTS.

Localizada no noroeste da Síria em guerra, a província de Idlib, bem como partes das províncias vizinhas de Aleppo, Hama e Latákia, permanecem fora do controle do governo de Bashar al-Assad e abrigam um grande número de grupos rebeldes e jihadistas.

- Interlocutor indispensável -
Nos últimos dias, os jihadistas lançaram um ataque contra facções rebeldes - que deixou mais de 130 mortos - e assumiram o controle de cerca de 50 aldeias, especialmente na província ocidental de Aleppo, um setor que caiu completamente nas mãos do HTS.

Segundo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH), com o acordo desta quinta-feira, a província de Idlib passará inteiramente para o controle administrativo do HTS.

Outros grupos jihadistas, como Al-Din e o Partido Islâmico do Turquestão (TIP), também estão presentes na região de Idlib, mas são aliados do HTS, afirmou o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman.

O acordo anunciado hoje prevê o cessar imediato das hostilidades, a troca de prisioneiros, o fim de todos os postos de controle na região e sua unificação sob a autoridade do Governo da Salvação.

O analista Sam Heller comentou que os últimos acontecimentos colocam o grupo jihadista HTS diretamente no controle da região de Idlib. "Agora eles podem se apresentar à Turquia e a outros países como um interlocutor indispensável em qualquer solução não militar de Idlib", explicou Heller, do International Crisis Group.

O analista destacou que, por enquanto, não está claro se esse cenário tornará mais difícil para a Turquia implementar o acordo alcançado com a Rússia para ter uma "zona desmilitarizada" em torno de Idlib. Simultaneamente, Ancara ameaçou lançar uma ofensiva fronteiriça contra a milícia curda que controla grande parte do nordeste da Síria.

O recente anúncio feito pelo presidente americano, Donald Trump, sobre a retirada de tropas da Síria deixou seus aliados curdos mais expostos do que nunca. 

Eles tiveram de recorrer a Damasco, em detrimento de seus planos de maior autonomia, para garantir sua sobrevivência contra as ameaças turcas. Dado este cenário, na semana passada, os curdos sírios indicaram que seria "inevitável" chegar a um acordo com Damasco na região autônoma do norte do país, já que suas forças devem permanecer na área.

Marginalizada por décadas, a minoria curda da Síria forjou uma região autônoma "de fato" em cerca de 30% do território do país após a eclosão da guerra, em 2011.


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