CRISE Manifestantes incendeiam consulado do Irã em Basra Agitação social foi alimentada por um escândalo de contaminação da água que levou 30 mil pessoas ao hospital.

Publicado em: 07/09/2018 19:03 Atualizado em:

Centenas de manifestantes incendiaram nesta sexta-feira o consulado iraniano na cidade iraquiana de Basra, em meio a manifestações violentas durante as quais vários edifício públicos foram atacados nos últimos dias. Manifestantes conseguiram romper o isolamento de segurança e centenas deles conseguiram entrar na área do consulado, cercado por um grande muro. As chamas podiam ser vistas a centenas de metros de distância do prédio, evacuado antes da chegada dos manifestantes, informou o consulado. 

Diante dos episódios de violência, o Parlamento iraquiano anunciou que vai se reunir com vários ministros no sábado para abordar a crise social e de saúde em Basra, onde nove manifestantes foram mortos esta semana nos protestos. A chancelaria iraquiana denunciou um "ato inaceitável, que prejudica os interesses do Iraque e suas relações internacionais".  Em Teerã, um porta-voz do Ministério iraniano de Relações Exteriores, Bahram Ghassemi, denunciou um "ataque selvagem", segundo a agência iraniana Fars.

Desde o início de julho, Basra tem sido palco de uma série de manifestações contra a corrupção dos políticos e a deterioração dos serviços públicos, apesar de ser a região mais rica em petróleo do país. Esta agitação social foi alimentada por um escândalo de contaminação da água que levou 30 mil pessoas ao hospital.

Desde terça-feira, os protestos diários e incêndios em edifícios públicos deixaram nove mortes entre os manifestantes, de acordo com o chefe do conselho provincial para os direitos humanos, Mehdi al-Tamimi. As autoridades decretaram um toque de recolher na quinta-feira à noite.

Essa crise ocorre em um momento de paralisia política em Bagdá. Após longos meses de recontagem dos votos das eleições legislativas de maio, o Parlamento iraquiano não chegou a um acordo para eleger seu presidente em sua sessão de abertura na segunda-feira. No entanto, a instituição anunciou nesta sexta uma reunião extraordinária sobre a crise em Basra, um dia após o apelo do líder xiita Moqtada Sadr, vencedor das eleições, para que o governo apresente "soluções radicais e imediatas". Este anúncio foi feito poucas horas depois que três morteiros caíram na Zona Verde de Bagdá, onde a sede das autoridades iraquianas e a embaixada americana estão localizadas.

Negligência - Moqtada Sadr, ex-chefe de milícia que se tornou defensor das manifestações anticorrupção, deu aos ministros e deputados um prazo para se reunirem até o domingo. Caso contrário, "que deixem seus postos", ameaçou. Pouco tempo depois, o primeiro-ministro Haider al-Abadi, que busca um segundo mandato em uma coalizão com Sadr, disse estar preparado para comparecer ao Parlamento.

Moqtada Sadr pediu a convocação de "manifestações pacíficas de indignação em Basra", protestos que podem ser estendidos a outras cidades, durante o tradicional dia de mobilização da sexta-feira. Segundo Mehdi al-Tamimi, "as ruas de Basra se levantaram em resposta a uma política governamental de negligência intencional".

Cansados de esperar por serviços públicos eficientes e pela destituição de autoridades corruptas, os moradores de Basra retomaram os protestos iniciados no início de julho. Contando com as nove vítimas registradas desde terça-feira, os protestos sociais que começaram em julho no país deixaram 24 mortos. Em Basra, ativistas de direitos humanos acusaram as forças de segurança de abrir fogo contra os manifestantes, enquanto o governo culpou provocadores e disse que ordenou que as forças policiais não usassem balas reais. Na quinta-feira, os manifestantes reunidos perto da sede do governo ocuparam outros lugares simbólicos, como sedes de partidos, ou de grupos armados.

© Agence France-Presse


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