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Observatório econômico Nota reduzida

Publicado em: 15/01/2018 08:00 Atualizado em: 12/01/2018 21:43

Por André Magalhães (*)

André Matos Magalhães é professor do Departamento de Economia da UFPE. Foto: Tiago Lubambo/Divulgação
André Matos Magalhães é professor do Departamento de Economia da UFPE. Foto: Tiago Lubambo/Divulgação
2018 começou com a promessa de ser um ano melhor do que 2017, pelo menos do ponto de vista econômico. A recessão acabou e há expectativa de crescimento de 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB). A inflação está mais baixa do que a meta, o que permite reduções adicionais de juros e uma maior liberação do crédito. O desemprego começa a cair, ainda que lentamente.


Apesar de dados econômicos melhores, e expectativas de mercado mais positivas, nem tudo são flores. Nem mesmo no lado econômico. Por um lado, os indicadores econômicos ainda não se fizeram sentir na população. Não houve uma recuperação da renda. Sem isso, o consumo ainda continua reprimido. Por outro lado, as pessoas escutam falar que a inflação caiu, mas sentem, e reclamam, que os preços não reduziram. De fato, a redução da inflação significa que o ritmo de crescimento dos preços diminuiu e não que os preços baixaram. O objetivo agora é manter a inflação sob controle enquanto a economia se recupera. Infelizmente, isso não parece ser um conceito fácil de transmitir à população.

Do lado político a história é outra. Temos um governo com baixa aceitação popular, envolvido em recorrentes escândalos de corrupção (do mais baixo escalão até o Presidente). Sujeito a constantes denúncias de corrupção e/ou condutas impróprias, o governo tem tido dificuldade para administrar o dia a dia. Até nomear ministros passou a ser uma questão de justiça, dados os históricos dos indicados. É claro, esse não é específico da atual gestão, mas isso não reduz o problema. As negociações politicas para aprovações de leis ou medidas provisórias, por seu turno, têm tomado uma dimensão, complicada, no mínimo, com o governo abrindo os cofres para obter apoios.

No meio de tudo isso o governo tenta aprovar reformas importantes, mas impopulares como a da Previdência e a tributária (A trabalhista já foi, mas deve ser contestada nos tribunais, aumentando a insegurança jurídica no País). Muita gente que participa dos debates sabe que as reformas são necessárias, mas a questão política tem se sobreposto à razão.

Um efeito indireto dessa demora e incerteza nas aprovações das reformas foi a redução da nota do Brasil por uma das três maiores agências internacionais de risco. A agência apontou em seu relatório que o atraso no avanço das reformas para conter gastos fiscais e a incerteza política são as principais fraquezas da nota de crédito do Brasil. A redução não deve gerar grandes repercussões no mercado, uma vez que já era esperada. Mas, a nota mais baixa dificulta a vida das empresas que precisão de crédito externo.

O grande feito do atual governo talvez tenha sido a capacidade de isolar a gestão econômica (e a equipe) do resto da administração. Estabeleceu-se uma linha econômica séria que foi colocada em prática sem grandes desvios, pelo menos no ponto de vista dos fundamentos básicos da macroeconomia. Os efeitos positivos estão começando a aparecer. Nos resta torcer para que os ganhos são sejam perdidos pelas ações da área política e que possamos alterar radicalmente o quadro político nas próximas eleições.

(*) Professor do Departamento de Economia da UFPE.

TAGS: obseconomico

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