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OBSERVATÓRIO ECONÔMICO Desemprego em queda

Por: André Magalhães

Publicado em: 01/10/2017 08:01 Atualizado em:

André Matos Magalhães é professor do Departamento de Economia da UFPE. Foto: Tiago Lubambo/Divulgação
André Matos Magalhães é professor do Departamento de Economia da UFPE. Foto: Tiago Lubambo/Divulgação
A melhoria na atividade econômica ainda é tímida e vai se fazendo sentir aos poucos. O aumento do emprego tende a ser ainda mais lento. As empresas estão esperando para contratar. Só começam a fazer isso quando sentem que a demanda por seus produtos e serviços estão efetivamente mais fortes. Até lá, trabalham com as equipes que tem. Sem contar que a crise fez com muitas empresas se tornassem mais eficientes. 

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou na última sexta, dia 28, os números do desemprego no País para o trimestre junho a agosto. Os números ainda são ruins, mas começam a refletir a melhora da economia. 

A taxa de desemprego para o trimestre junho a agosto foi de 12,6%. Isso representa um contingente de 13,1 milhões de pessoas sem emprego. Esse número, ainda alto, representa uma queda de 0,7 ponto percentual em relação à taxa do trimestre anterior. São aproximadamente 700 mil pessoas a mais trabalhando.

Os números vêm melhorando ao longo do ano de 2017, mas ainda estamos piores do que no ano passado. No mesmo período de 2016, a taxa de desemprego tinha sido de 11,8%.  De lá para cá ainda temos 1,1 milhão de pessoas a mais a procura de empregos. 

A pesquisa mostra ainda que não houve mudanças na renda real no período e que houve um aumento da informalidade. Ou seja, as pessoas estão conseguindo voltar ao mercado de trabalho, mas isso está ocorrendo via empregos sem carteira assinada ou por conta própria. Esse é um processo normal da economia nos momentos de crises econômicas. 

O que entender desses números? Olhando o cenário macroeconômico como um todo, os números para o País refletem uma economia em começo de recuperação econômica. As expectativas do mercado para o ano de 2017 apontam um crescimento de 0,5%. Para 2018 a expectativa é de 2,3%. Em meados no primeiro semetres a expectativa era que 2017 seria de crescimento 0%. Esse crescimento começa, lentamente, a se refletir no aumento do emprego.

Por outro lado, a inflação, que tanto preocupou no ano passado, está sob controle. As previsões são de 3%, para 2017, e de 4%, para 2018.  Isso vem permitindo um relaxamento da política monetária, com as consecutivas reduções da taxa Selic. A taxa está hoje em 8,25% e deve fechar o ano em 7%. Um patamar histórico para o Brasil. 

Uma questão importante aqui talvez seja a velocidade com que essas mudanças positivas chegam a população em geral. A melhoria na atividade econômica ainda é tímida e vai se fazendo sentir aos poucos. O aumento do emprego, principalmente o formal, tende a ser ainda mais lento. As empresas estão esperando para contratar. Só começam a fazer isso quando sentem que a demanda por seus produtos e serviços estão efetivamente mais fortes. Até lá, trabalham com as equipes que tem. Sem contar que a crise fez com muitas empresas se tornassem mais eficientes. 

O lado dos juros é ainda mais lento. A queda da Selic não se reflete na mesma intensidade e velocidade para os juros nos bancos. O crédito para as empresas e pessoas físicas ainda está caro e de difícil acesso. Isso freia o consumo das famílias e a expansão das empresas. 

Em suma, a economia está melhorando e deve melhorar ainda mais. Estamos vendo uma luz no fim do túnel e não é um trem voltando, como diria um amigo. É a economia avançando.  

* André Matos Magalhães é professor do Departamento de Economia da UFPE


TAGS: obseconomico

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