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Observatório econômico Economia de Pernambuco reage

Publicado em: 17/09/2017 08:00 Atualizado em: 15/09/2017 20:02

Por André Magalhães (*)

André Matos Magalhães é professor do Departamento de Economia da UFPE. Foto: Tiago Lubambo/Divulgação
André Matos Magalhães é professor do Departamento de Economia da UFPE. Foto: Tiago Lubambo/Divulgação
A agência CONDEPE/FIDEM divulgou na última sexta, dia 15, os dados para o desempenho da economia de Pernambuco no segundo trimestre de 2017 e primeiro semestre do ano. Os dados se referem ao PIB, Produto Interno Bruto, e trazem números positivos.

Os números indicam que, comparado ao mesmo período do ano anterior, a economia de Pernambuco cresceu 2,7% no segundo trimestre de 2017. No ano, o crescimento acumulado foi de 2,3%. Entretanto, quando os últimos 12 meses são considerados, a variação do PIB pernambucano ainda é negativa (-0,15%).

Parte dessa variação positiva no ano se deve à base de comparação. 2016 foi um ano muito ruim para a economia do Estado, especialmente o primeiro semestre (no primeiro trimestre a queda do PIB foi de 8,5% e no segundo foi de 3,6%). O último trimestre de 2015 já tinha sido muito ruim (variação de -5,9% no PIB). Ou seja, a base que está sendo usada para a comparação é baixa. Isso ajuda.

Mas os dados do CONDEPE/FIDEM apresentam comparações com os estados de São Paulo, Bahia e Ceará que ajudam a colocar em perspectiva os números do nosso estado. Enquanto Pernambuco cresceu 2,3% no primeiro semestre de 2017, os nossos vizinhos cresceram a um ritmo menor: Bahia cresceu 0,6% e o Ceará cresceu 0,8%. São Paulo apresentou queda de 1,2%.

O maior destaque, em termos de crescimento, no primeiro semestre veio da agropecuária. O setor cresceu 32% na comparação com o mesmo período de 2016. O clima em 2017 ajudou e as lavouras de milho, feijão e mandioca apresentaram bom desempenho.

A indústria de transformação do Estado registrou um crescimento de 2,1% no mesmo período e os serviços, que detém o maior peso na composição do PIB, cresceram 2,4%. O destaque negativo ficou por conta da construção civil (variação de -3,5%) que ainda sofre com a crise econômica.


Levando tudo em consideração, os números de 2017 mostram uma recuperação da economia de Pernambuco. Essa recuperação está sendo, aparentemente, mais rápida do que a vivida pelos vizinhos. Bom sinal. Mas, é só isso, por enquanto. Um bom sinal. Ainda é cedo para saber como a economia vai se comportar nos próximos meses. As expectativas para o Brasil estão cada vez mais positivas. A economia parece ter se descolado da crise política. Isso confirmado, será bom para Pernambuco também.

Fica no ar uma questão que tem sido pouco tocada, apesar de evidente: como estão as finanças dos estados e municípios? Qual é o tamanho do problema? Pernambuco é um dos poucos estados que tem pago a folha do funcionalismo em dia. Nas condições atuais é um grande feito, mas talvez não seja suficiente para ajudar na retomada do crescimento. Aqui, como em vários outros estados, falta capacidade para investir. Os estados precisaram fazer dever de casa. Pagar contas atrasadas. Buscar formas de aumentar a eficiência da máquina e de investir em infraestrutura básica. Ou seja, colocar o trem no trilho. Pelo menos em 2017, a economia já está ajudando.

(*) Professor do Departamento de Economia da UFPE.

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