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Observatório econômico Instituições e crescimento econômico

Publicado em: 24/07/2017 08:00 Atualizado em: 21/07/2017 19:48

Por André Magalhães (*)

André Matos Magalhães é professor do Departamento de Economia da UFPE. Foto: Tiago Lubambo/Divulgação
André Matos Magalhães é professor do Departamento de Economia da UFPE. Foto: Tiago Lubambo/Divulgação
Na semana passada eu tive o prazer de fazer uma palestra. O tema não poderia ser mais atual: “instabilidade e crise política e os impactos na economia brasileira”. Essas palestras são sempre excelentes oportunidades de trocar ideias e fazer novos contatos. Além disso, o palestrante é obrigado a refletir a respeito do que vai falar. Pelo menos é o que acontece comigo.


No caso do tema proposto, parece claro que a crise política atual traz pesados custos para a economia. Instabilidade política e incerteza econômica, afasta investimentos. Estamos falando de empregos que poderiam ser gerados agora, na fase de implementação, e no futuro, na produção ou geração de serviços.

Mas, eu me arrisco a dizer que o problema é bem mais grave. A crise política atual não está “solta” no espaço. Ela pertence ao contexto na sociedade brasileira. Ela é reflexo, e faz parte, das nossas instituições. Os economistas chamam de instituições um conjunto de regras e valores da sociedade.  Elas incluem as regras do mercado de trabalho, direito de propriedade, nível de burocracia e comportamento em relação à corrupção, entre outras. Melhores instituições levam a um maior crescimento econômico. Simplificando, países com instituições melhores são mais ricos.

E como estamos nessa área? Bem, eu diria que temos um árduo caminho pela frente. Dados do Banco Mundial mostram que, numa lista de 197 países o Brasil está sempre entre o 140 a 150 do mundo em diversos indicadores de instituições. Só não estamos piores do que a Venezuela! O que não é consolo para ninguém. A nossa tolerância com a corrupção, por exemplo, é gigante. As nossas leis são feitas para não serem cumpridas. A nossa burocracia é sufocante e complexa, criando espaços para todos os tipos de “atalhos”.  As pessoas sabem disso. Aceitamos isso. O sistema político é um mero reflexo do que somos enquanto sociedade.

A crise econômica de curto prazo passará. As crises passam. Talvez a saída seja mais lenta do que muitos, inclusive eu, gostariam. Mas, não há mágicas em economia. Estamos no caminho correto. Tentativas malucas como a da Nova Matriz Econômica só geram desastres. Deveríamos, pelo menos, aprender isso.

O mais grave, entretanto, são esses fatores institucionais. Eles reduzem o nosso potencial de crescimento. Eles reduzem a nossa capacidade de melhorar a educação. Permitem desvio de verbas que poderiam ser utilizadas para melhorar a infraestrutura. Enfim, nos levam a escolhas erradas.

Está mais do que na hora de enfrentarmos esse problema de forma clara e direta e deixar de ser um país burocrático e corrupto. A reforma trabalhista, por exemplo, é um passo importante nessa direção. Precisamos avançar mais. Cortar as “meias-entradas” e os subsídios para os ricos. Essa não deveria ser uma agenda da esquerda, nem da direita. Deveria sim, ser uma agenda do País. Sem isso, sinto que estamos condenados a projetar um país medíocre para o futuro.

(*) Professor do Departamento de Economia da UFPE.

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