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Observatório econômico Condenado pelo passado e futuro

Publicado em: 25/06/2017 08:00 Atualizado em: 26/06/2017 19:50

Carlos Magno Lopes (*)

Carlos Magno Lopes é professor do Departamento de Economia da UFPE. Foto: Tiago Lubambo/Divulgação
Carlos Magno Lopes é professor do Departamento de Economia da UFPE. Foto: Tiago Lubambo/Divulgação
Há quem diga que o Brasil é um país tão complicado que nem o seu passado conhece, condição necessária para identificar seus erros ou comparecer a sessões de psicanálise para melhor entender a si próprio, ou não. Grande parte de nossas lideranças pouco zelam por suas biografias, nem sequer tentam reescrevê-las. A sociedade, neste contexto, evita o confronto com a realidade, até mesmo com fatos recentes. Há um jogo cooperativo entre lideranças e liderados e o resultado disso tudo é o Brasil.
 
Os distúrbios e incertezas do ambiente político brasileiro são do conhecimento geral, com desenlace desconhecido e sem prazo para acabar. Acontece que o tempo, nesse caso, possui três dimensões: a judicial, a política e a econômica, cada uma seguindo seu ritmo próprio. Do ponto de vista econômico, a estabilidade política, como se sabe, é fundamental para que a economia volte a crescer e as reformas, já tão adiadas por motivações políticas inconfessáveis, floresçam, garantindo condições de sustentabilidade do crescimento econômico. Existem, no entanto, duas pedras no meio do caminho. A primeira, de curto prazo, consiste em garantir que o país não pare e que as reformas econômicas, ora apreciadas pelo Congresso Nacional, sejam votadas e aprovadas, mantendo a integridade de seus propósitos. Ninguém sabe se isso, de fato, irá acontecer, mas parece razoável a probabilidade que ocorra. A segunda pedra, na realidade, uma montanha, depende do que os eleitores decidirem em 2018: se um mergulho no abismo para conhecer in loco o fundo do poço ou a construção de alicerces para construir a prosperidade. Nem a mais ousada das cartomantes se arrisca a um mero palpite sobre as eleições do próximo ano, pois poderá comprometer sua carreira, muito menos sobre o programa econômico do próximo presidente-eleito. O futuro, portanto, pode ser mais emocionante que um thriller de Hitchcock, ainda que os mercados não gostem de fortes emoções.
 
Uma vez mais caberá ao eleitor a palavra final, que terá influência sobre seu futuro pessoal e da sociedade. Votar em programas econômicos fracassados, sem respaldo teórico algum, não parece ser muito difícil, afinal os responsáveis pela crise econômica têm nomes e endereços conhecidos. O problema é que, no Brasil, o passado é desconhecido, tanto quanto o futuro. Nem todos se lembram que os anos 1980 foram batizados de a “década perdida”, isto é, o país parou, não aconteceu nada. Será que os anos 2020 também serão antecipadamente perdidos, a partir de 2018? Dirá, o indignado leitor: “O país não resistirá a mais uma hecatombe!”. Dessa vez, o leitor acertou em cheio. O Brasil não será mais o mesmo. Voltaremos à condição de uma sociedade tribal. A questão é saber se a sociedade brasileira sofre ou não de alguma grave patologia mental. Atribui-se a Einstein, uma singela definição de loucura: “Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes”. O resultado desse teste só será conhecido em 2018, mas é bom não esquecer que pensamento positivo só resolve problema em livro de autoajuda.

(*) Professor do Departamento de Economia da UFPE.



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