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Observatório Econômico Copo meio cheio ou meio vazio?

Publicado em: 05/06/2017 08:00 Atualizado em: 07/06/2017 15:49

Por Marcelo Eduardo Alves da Silva (*)

Marcelo Eduardo Alves da Silva é professor de economia da UFPE
Marcelo Eduardo Alves da Silva é professor de economia da UFPE
As últimas notícias sobre a taxa de juros e os resultados para o PIB do primeiro trimestre me deixaram na dúvida se é para comemorar ou lamentar. 

Duas notícias, na semana passada, me deixaram na dúvida se deveria comemorar ou lamentar. Primeiro foi a decisão de corte dos juros de 11,25% a.a. para 10,25% a.a. Nada surpreendente, afinal o próprio Banco Central (BC) sinalizara nesta direção nas suas últimas declarações. A segunda notícia foram os resultados para o Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre deste ano. Por um lado, o PIB cresceu 1%, em relação ao último trimestre de 2016, mas, por outro, caiu 0,4%, em relação ao primeiro trimestre de 2016.   E é aqui que fica a dúvida: é para comemorar ou lamentar? 

É a velha história do copo meio cheio ou meio vazio. Depende do ponto de vista. Eu, pessoalmente, ando meio pessimista e otimista ao mesmo tempo. Pessimista pelas recorrentes evidências, embora já desconfiasse, de que a corrupção é um problema generalizado, de que as corporações públicas e privadas têm mais força do que imaginava, de que a preocupação com o bem coletivo fica em segundo plano entre aqueles que nos governam, dentre outras. O otimismo vem da esperança de que, ainda que com muito esforço, seremos capazes de superar esses problemas.

O lado “meio cheio” é que os juros vêm confirmando uma trajetória decrescente, ao mesmo tempo que as expectativas de inflação se situam abaixo do centro da meta de inflação de 4,5%. Isto talvez nos leve a juros menores no horizonte próximo. Também a leve recuperação das contratações em alguns setores (serviços em particular) e a recuperação, mesmo que controversa, do PIB nos dão alguma indicação de começamos a “colocar a cabeça para fora d’água”.

Já o lado “meio vazio” consiste no que foi dito nas entrelinhas pelo BC de que a trajetória dos juros dependerá, mesmo que parcialmente, da aprovação das reformas. Além disso, a recuperação ainda não ocorreu na dimensão esperada, afinal o PIB caiu em relação ao mesmo período do ano passado, que já tinha sido um ano ruim. Some-se a isto um governo que, na minha opinião, apesar de seguir na direção correta na área econômica, perdeu a capacidade de ser protagonista das reformas. O mundo político, o que inclui o Congresso Nacional, parece transitar em um universo paralelo, com pouca disposição para implementar mudanças que de fato beneficiem a sociedade brasileira. Espero estar enganado. 

Temos um claro problema fiscal, com a dívida como proporção do PIB beirando os 70%, algo além do limite prudencial para um país de renda média, e inúmeras distorções que somados aos elevados impostos sufocam quem produz e quem trabalha no país, mas que não faz parte do “compadrio camarada” recebendo benesses do “Estado amigo”. O nosso enorme desafio é corrigir distorções, melhorar a alocação de recursos e a eficiência, para que possamos crescer de forma sustentável. 

(*) Marcelo Eduardo Alves da Silva é professor de economia da UFPE


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