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OBSERVATÓRIO ECONÔMICO Perplexidade e esperança

Publicado em: 21/05/2017 08:00 Atualizado em:

Por Marcelo Eduardo Alves da Silva (*)

Marcelo Eduardo Alves da Silva é professor de economia da UFPE. Foto: Paulo Paiva/DP
Marcelo Eduardo Alves da Silva é professor de economia da UFPE. Foto: Paulo Paiva/DP
 Em meio às recentes revelações só nos restam a perplexidade e a esperança de dias melhores.
  
As recentes revelações dos conteúdos de gravações envolvendo autoridades da República deixaram a todos perplexos, para dizer o mínimo. Resta a esperança de que as investigações se aprofundem e os culpados – corruptos e corruptores - sejam quem forem, sejam exemplarmente punidos. Corrupção deve ser tratada como crime hediondo - inafiançável e sem direito a benesses. O lado ruim de toda essa turbulência política é o poder de contaminar a economia, como já está acontecendo com elevação do dólar e queda na bolsa, e por mais que já existissem sinais de recuperação, temo que os fatos recentes prejudiquem essa combalida retomada. O tamanho do estrago dependerá da resposta de nossas instituições. 
 
Nas últimas semanas, todos estávamos um pouco mais otimistas com a economia, que dava sinais de que estava recuperando o fôlego com a lenta recuperação do emprego, evidenciada pelos dados do CAGED do Ministério do Trabalho, com a queda da inflação e dos juros, e com a melhora de diversos indicadores antecedentes do PIB, antecipando uma retomada no segundo semestre deste ano. Ainda é cedo para saber o tamanho do estrago, resta-nos a esperança de que seja limitado.
 
As expectativas também estavam melhores, em parte, pelos sinais de recuperação e por outra parte pela convicção de que nosso imbróglio fiscal e previdenciário seria atenuado com a aprovação de uma reforma na previdência, que o emprego seria retomado com mais força após a aprovação da reforma trabalhista, e que as reformas microeconômicas, encabeçadas pelo Ministério da Fazenda, ajudariam na elevação da nossa produtividade. E é aqui que me parece que o estrago tem o maior potencial: vejo pouca ou nenhuma motivação para seguir com as reformas neste momento.
 
Contudo, precisamos entender que as reformas são importantes para o país e, assim como uma grave doença, quanto mais esperarmos, maior será o estrago e mais amargo será o remédio no futuro. Espero que esse impasse político seja resolvido o mais breve possível para o bem do país. E seja quem for que siga adiante governando, torço para que mantenha o interesse e tenha a capacidade política de seguir com as reformas.    

(*) Professor de economia da UFPE


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