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OBSERVATÓRIO ECONÔMICO Limão ou Limonada Suiça

Publicado em: 15/05/2017 08:00 Atualizado em:

Por Alexandre Jatobá (*)

Alexandre Jatobá é diretor financeiro da Datamétrica Contact Center, Pesquisa e Consultoria. Foto: Tiago Lubambo/Divulgação
Alexandre Jatobá é diretor financeiro da Datamétrica Contact Center, Pesquisa e Consultoria. Foto: Tiago Lubambo/Divulgação
Recentemente, uma das mais renomadas instituições financeiras do Mundo, o Credit Suisse, no Brasil desde 1990, divulgou seu relatório sobre a economia brasileira para 2017 e 2018. Em termos gerais, de acordo com as previsões do banco, o relatório aponta que estamos no caminho da recuperação econômica, porém esta certamente será mais lenta do que nos outros episódios de recessão da recente história da nossa economia e esse tempo de recuperação dependerá de vários fatores como o rigor da nossa política fiscal, as reformas (previdência e trabalhista) e o ambiente externo. Isto é, o Credit Suisse aponta que nosso limão (recessão) se tornará uma limonada (crescimento), mas o “garçom pode demorar muito a chegar em nossa mesa”.

Um dado interessante do relatório é que, nos últimos 12 meses, o indicador de situação atual, que reflete a visão sobre a situação atual da economia, está abaixo dos índices das expectativas e de confiança da indústria. Ou seja, a atividade econômica vem estando abaixo do que o que era esperado. Há uma superestimação de expectativas entre os empresários. É torcer para que essa confiança permaneça alta.

Os economistas do Credit Suisse são um pouco mais conservadores do que seus colegas das outras instituições. Enquanto o Boletim Focus do Bacen prevê crescimento próximo a 0,5% em 2017 e de 2,5% em 2018, para o banco suíço, essas taxas serão 0,2% e 2,0%, respectivamente. O baixo nível de consumo das famílias, em função do desemprego e da restrição de crédito, é o maior responsável por essa previsão mais tímida dos “suíços”. O desemprego só deve recuar a partir do 4º trimestre de 2017. A aprovação da reforma trabalhista pode ajudar e melhorar essa expectativa.

Em termos de política fiscal, o banco ressalta a importância da Emenda Constitucional 95/2016 (teto dos gastos públicos) e da Reforma da Previdência para a saúde fiscal do país. As despesas previdenciárias, com pessoal, outras despesas obrigatórias e despesas discricionárias com saúde, educação e relativas a outros poderes representam 90% das despesas totais do governo. Ou seja, a margem de manobra do governo representa apenas 10% do orçamento. Assim, não será possível cumprir o previsto na EC 95 sem a aprovação da Reforma de Previdência e alguma flexibilização de algumas das outras despesas obrigatórias. De acordo com os dados do banco, seria necessário reduzir as despesas sem vinculação em 56% até 2016, para se cumprir o disposto na EC 95, mesmo no cenário de aprovação da reforma previdenciária.

No cenário externo, prevê-se uma piora na balança comercial. Porém, neste caso, por uma boa razão, a retomada das importações devido a retomada da economia. O investimento direto no país também crescerá. O ponto de alerta neste cenário é a política monetária americana. Se o governo americano resolver acelerar o crescimento da sua taxa de juros, o cenário pode mudar drasticamente.

Ainda há muito o que fazer mas, como disseram os “suíços”, “cenário menos incerto em 2017 e 2018”.

(*) Diretor financeiro da Datamétrica Contact Center, Pesquisa e Consultoria


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