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Observatório econômico O 'nem-nem' e o aumento do desemprego no mercado de trabalho

Por: Diario de Pernambuco

Publicado em: 13/02/2017 08:00 Atualizado em: 13/02/2017 21:18

Por Paulo Aguiar do Monte (*)

 

Paulo Aguiar do Monte é professor de Economia da Universidade Federal da Paraíba. Foto: Arquivo pessoal
Paulo Aguiar do Monte é professor de Economia da Universidade Federal da Paraíba. Foto: Arquivo pessoal
A expressão "nem-nem" no mercado de trabalho é usada para descrever os jovens, com idade entre 15 e 29 anos, que nem trabalham nem estudam. Essas pessoas, embora estejam em plena capacidade produtiva, estão fora do mercado. E, o pior, nem estão se qualificando nem estão procurando emprego; fazem parte, potanto, da população inativa. Além do fato de estarem ociosas, vivendo à custa da renda familiar ou de outras fontes menos produtivas, esses jovens geram um custo social para o país, tanto no presente quanto no futuro.

O Brasil tem algo próximo a 50 milhões de jovens (15 a 29 anos). Considerando que uma parcela próxima a 20% (na realidade é ainda um pouco maior) destes jovens são "nem-nem", o país tem um grave problema social. Estes números são ainda mais alarmantes quando considerados o recorte regional. Por exemplo, no Nordeste o percentual de jovens que não trabalham, não estudam e nem procuram emprego (uma espécie de "nem-nem- nem") situa-se em torno de 35%, enquanto nas regiões Sul (11%) e Centro-Oeste (7,0%) do país esses valores são bem menores. Em termos locais, na Região Metropolitana do Recife este índice gira em torno de 24% (dados para 2016), ou seja, um em cada quatro jovens são "nem-nem".

Com a recente crise econômica que o país está passando, os reflexos no mercado de trabalho são imediatos. A queda da renda familiar tem provocado o deslocamento de parcela da população "nem-nem" para a população desocupada (pessoas que não estão trabalhando mas que estão a procura de emprego), fazendo com que, em alguns meses, a proporção de jovens nem-nem encolhesse no Brasil; um fato incomum nos últimos anos. No entanto, esses jovens "nem-nem" que ingressam no mercado acabam encontrando dificuldades de conseguir um emprego porque a oferta de vagas está mais escassa e, em sua maioria, possuem baixa qualificação. Some-se, ainda, o fato de que quanto maior a permanência no desemprego, maior é chance do mesmo continuar desempregado e cada vez mais dependente das fontes de renda dos pais e do Governo, vivendo à margem da sociedade produtiva. Portanto, o desemprego juvenil causa um prejuízo, tanto no curto prazo em termos de salários quanto no longo prazo no que se refere a especialização/habilidades que serão úteis para toda a sua vida no mercado de trabalho.

As causas desse fenômeno são múltiplas e, portanto, exigem soluções complexas que atuem de forma complementar. O fato é que os jovens, talvez por desinformação ou falta de estímulo em ir às escolas, não conseguem enxergar a importância da educação em suas vidas. É imperioso, portanto, uma política pública educacional voltada especialmente para os jovens que vise atraí-lo novamente para os estudos e a especialização. Mesmo em época de crise, de contenção e controle maior dos gastos, os investimentos em educação devem ser mantidos ou até mesmo aumentados e difundidos, sob pena de continuarmos gerando uma mão de obra de baixa competência técnica.

*Professor de economia da Universidade Federal da Paraíba



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