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Observatório econômico Melhor governança, maior crescimento? Por Marcelo Eduardo Alves da Silva*

Publicado em: 05/12/2016 08:00 Atualizado em: 05/12/2016 10:51

Marcelo Eduardo Alves da Silva é professor de Economia da UFPE. Foto: Paulo Paiva/DP
Marcelo Eduardo Alves da Silva é professor de Economia da UFPE. Foto: Paulo Paiva/DP
Em um momento em que a sociedade discute medidas importantes no combate à corrupção, de controle dos gastos públicos, de melhoria nos serviços públicos, etc. nada mais oportuno em saber que essas medidas terão efeito importante e duradouro sobre o crescimento econômico.

Uma das questões que mais têm intrigado economistas e estudiosos de maneira geral é como explicar o crescimento econômico. Por que há países mais ricos do que outros? Como países que eram pobres até pouco tempo conseguiram se libertar das armadilhas da pobreza? Entender as causas do crescimento também é fundamental para responder outra pergunta: o que podemos fazer para aumentar o padrão de vida em sociedades pobres.

Diversas razões têm sido apontadas. Por exemplo, costumava-se dizer que a acumulação de capital físico (máquinas, instalações, etc.) seria uma das razões que explicariam o porquê de algumas economias eram mais bem sucedidas do que outras. Para se ter uma ideia de como isto influenciou a mentalidade, a maior parte dos projetos de desenvolvimento foram baseados (e ainda se baseiam) na ideia de atrair indústrias para regiões mais pobres. Presume-se que com isto o crescimento econômico se seguiria. A despeito de todo o esforço das políticas regionais baseadas na acumulação de capital, elas não geraram o tão esperado crescimento sustentável no longo prazo.

Outras explicações surgiram: acumulação de capital humano, diferenças culturais, diferenças climáticas, diferenças no desenvolvimento e utilização de tecnologias, etc. Mais recentemente, ganhou força uma explicação alternativa: a de que a qualidade das instituições importaria para o crescimento. Embora existam diversas dimensões que definem a qualidade das instituições, uma delas me parece fundamental: a governança pública. Em um artigo recente, “Governance and Growth: A Panel VAR Approach (disponível em: https://sites.google.com/site/marceloeasilva/resear) junto com Guilherme Amorim, aluno de doutorado do Pimes/UFPE, investigamos qual o papel da governança pública sobre o crescimento econômico. A pergunta é: será que melhor governança se traduz em maior crescimento? Responder esta pergunta é crucial porque governança pública é algo que podemos influenciar hoje.

No artigo, definimos governança como as tradições e práticas utilizadas pelas instituições políticas no exercício da sua autoridade. Isto passa pela estabilidade política das instituições, pela qualidade dos serviços públicos,por quão efetivo é o governo na regulação da atividade econômica, no controle da corrupção, na garantia que a regra da lei valha para todos, dentre outros aspectos.  O estudo analisa dados para 208 países no período de 1996 a 2014.

Dois resultados se destacam. O primeiro é que melhorias na qualidade da governança pública têm um efeito duradouro sobre o crescimento. Nós mostramos que melhorias na governança tem efeitos positivos sobre o crescimento econômico que perduram por mais de 10 anos. O segundo é que cerca de 30% do crescimento econômico pode ser explicado pela qualidade da governança. Ou seja, olhando para frente, se tivermos a coragem de implementar medidas que melhorem a qualidade da governança pública hoje, deixaremos um legado de mais crescimento para as gerações futuras.

* Professor de Economia da UFPE


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